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Análise do jogo "The Last Story" para Wii escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 8 de 10, enviado por Pedro Hick,
Concordando que Lost Odyssey, Blue Dragon e, principalmente, Final Fantasy são franquias de peso na bagagem de um programador de jogos, pode-se esperar um bom título vindo de Hironobu Sakaguchi. Seu mais recente título, The Last Story, une um roteiro clássico com combates em terceira pessoa e chega com a pretensão de obter seu espaço no mundo dos JRPGs. Mas, conseguirá ele demonstrar que ainda há inovação no gênero em um mercado que perdeu sua força com a chegada de tantos títulos ocidentais? [b]Apostando no tradicional[/b] Com The Last Story, Sakaguchi apostou no que sabe fazer de melhor e criou uma história com itens clássicos de RPG: caracterização, customização e enredo extensos. O jogo conta a história de Zael e seus amigos, moradores da ilha de Lazulis que topam qualquer negócio em busca de dinheiro. Aos poucos, é possível se familiarizar com cada personagem e descobrir que, na verdade, eles vivem em um mundo ameaçado pelos humanóides da raça Gurak e que suas motivações vão além de fama e fortuna. Mercenários são admirados e impõem sua honra através da valentia e por isso os personagens principais têm a ambição de tornarem-se cavaleiros e encontrar seu espaço em meio a tanta brutalidade. Essa jornada é, também, motivada por um grande amor que faz com que Zael adquira super poderes e recursos adicionais em sua saga por trazer tranquilidasde ao mundo. A narrativa conta uma trama bem apropriada, porém se desenrola de forma muito exaustiva aprofundando-se em detalhes desnecessários que acabam cansando o jogador pelo excesso de informação. Por sorte, entre comentários desnecessários é possível dar boas risadas com alguns dos diálogos apresentados, pois parte da vivacidade e camaradagem apresentada pelos personagens se dá através da história. Mesmo sem momentos memoráveis típicos dos grandes JRPGs (como a morte de Aeris em Final Fantasy VII), a trama aqui não decepcionará. [b]Bonitinho e original[/b] The Last Story é um jogo bonito dentro das limitações gráficas que o Wii apresenta. Seu visual lavado possui um tom de sépia que reflete perfeitamente a melancolia presente na obra de Sakaguchi, mas a configuração dos personagens e do cenário não inova em nada. Apesar da localização ao longo da trama ser bem variada, composta por pequenas cidades, cavernas vulcânicas, florestas, túmulos e barcos, os ambientes lembram vagamente o estilo surreal de Xenoblade Chronicles. A beleza fica por conta de chefes enormes, cidades detalhadas e cenas de ação cheias de astúcia e confiança. Aproveitando a moda dos novos jogos da série Final Fantasy que abandonaram as batalhas em turno e partiram para uma abordagem de ação, The Last Story segue a premissa de que para brigar, basta ser visto. Ao se aproximar de um grupo de inimigos, seus companheiros já mudam para uma postura ofensiva e partem para cima do inimigo. O jogador só precisa se aproximar do adversário para começar a bater automaticamente. Não existe uma mudança para um cenário especifico de batalha ou uma ordem de ataque, toda a ação acontece em tempo real. Os combates em terceira pessoa permitem uma mobilidade estratégica muito bacana. O jogador pode, por exemplo, se esconder e atrair guardas desavisados por conta própria para um ataque furtivo, ou apanhar magos e curandeiros perigosos à distância, enquanto o resto de sua equipe cuida das linhas de frente. É interessante desde o início e fica ainda melhor a partir que novas habilidades são ensinadas ao longo das primeiras cinco ou mais horas de jogatina. Apesar das batalhas serem um ponto forte do jogo, fica claro que elas são meras coadjuvantes entre tantos cutscenes. Algo que pode vir a encomodar os jogadores mais impacientes. Ação para os mais ansiosos Para aqueles que preferem partir para a ação há a opção de partidas multiplayer - uma raridade em JRPGs. Há um modo cooperativo e outro competitivo, e apesar de não ser nenhum suprassumo de funcionabilidade, traz a oportunidade do jogador bolar estratégias. No modo competitivo, o participante pode optar por seguir na pele dos heróis ou virar a casaca e atacar de inimigo. Itens como garrafas de veneno e bombas presentes nas fases adicionam um elemento de caos que anima as partidas de até seis jogadores simultâneos. Já o cooperativo agradará mais os típicos jogadores de RPG. Ele permite que seis aventureiros desbravem as masmorras mais perigosas do jogo em busca dos grandes chefes. A principal diferença aqui é enfrentar os mais temidos monstros em equipe, tornando a aventura mais divertida do que com a ajuda dos acéfalos companheiros NPCs. Quem está acostumado com MMORPGs se lembrará das clássicas partidas de RAID onde um grupo de jogadores sai para caçar monstros mais fortes em troca de recompensas. --- O talento e o domínio em criar obras dramáticas para o gênero de RPG ficam evidentes em cada jogo de Hironobu Sakaguchi. Apesar do enredo de The Last Story não ter nada de surpreendente, ele segue a linha do esperado e dá margem para ousar em um sistema de combate mais moderno e estratégico somado a elementos interessantes de furtividade. Em uma época em que os RPGs japoneses perderam relevância diante de super-produções ocidentais, The Last Story surge como um exemplo de que ainda há alguma vida e inovação na forma dos JRPGs. Ele poderá ser visto por muitos como um dos melhores jogos lançados pela Mistwalker e uma demonstração de que, apesar do título dizer o contrário, Sakaguchi ainda tem boas fantasias para contar. [b]Prós[/b][list] Personagens carismáticos e bem humorados; Combates mesclam elementos de RPG com estratégia; Multiplayer divertido e focado nas batalhas.[/list] [b]Contras[/b][list] Visual pouco inovador; Muita enrolação na história.[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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