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Análise do jogo "Prototype 2" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 4 de 10, enviado por Pedro Hick,
Prototype 2 é uma continuação que muda pouco em relação ao seu antecessor. Embora uma ou outra coisa tenha sofrido alguma melhora, o jogo é basicamente o mesmo titulo lançado em 2009, tanto na parte gráfica quanto na trama irrelevante. Ironicamente, o principal ponto positivo dele é justamente a boa jogabilidade herdada do antecessor. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=n4oSh9N6ddo&feature=player_embedded[/youtube] [b]Trocaram a cor do protagonista[/b] Os primeiros minutos de Prototype 2 servem apenas para situar o jogador na trama e explicar por que o novo protagonista precisa sair pulando por Nova York. Os eventos desta continuação ocorrem exatamente 14 meses após aqueles do primeiro jogo e tudo parece exatamente como antes. Logo fica parecendo que o jogo é um DLC em que o protagonista foi trocado para um rapaz negro, mais desbocado e com um preparo físico de dar inveja. Uma ou outra coisa melhorou, mas no geral, a maior parte, seja nos gráficos ou na jogabilidade, parece inalterada. A chegada de James Heller, o novo protagonista, e consequentemente dos novos NPCs que o rodeiam, não conseguiu consertar um dos maiores defeitos do título anterior: a antipatia dos personagens. Ao contrário de GTA e seus personagens caricatos, dotados de forte personalidade, em Prototype 2 até o personagem principal é sem graça e frio. Parte da culpa dessa falta de envolvimento com o jogador está nos diálogos superficiais e sem sentido que mais interferem no bom andamento do jogo do que ajudam a orientar a trama. Ainda bem que os produtores colocaram um botão específico para passar os diálogos, facilitando a vida de quem quer apenas aproveitar a boa jogabilidade. Por sorte, a evolução do personagem agora é mais rápida e simples, permitindo que o herói às avessas tenha acesso aos super-poderes mais rapidamente. Ao completar determinadas missões e subir de nível, é possível comprar habilidades agrupadas, ou seja, não é mais necessário adquirir uma "skill" que aumenta a altura do pulo e outra que aumenta a velocidade da corrida. Desta vez, o jogador comprará uma única habilidade que corresponde ao preparo físico e engloba tanto a altura do salto quanto a velocidade dos movimentos, por exemplo. [b]Jogabilidade simples é o trunfo[/b] A simplicidade da jogabilidade de Prototype 2 é o segredo de seu potencial divertimento. Enquanto outros jogos, como o já citado GTA, toleram que se roubem carros para se locomover mais rapidamente, em Prototype a forma mais simples de andar pela cidade é sair correndo e pulando construções. A ideia de subir nos prédios correndo ou dando longos saltos no melhor estilo Hulk funcionou bem no antecessor e permaneceu eficiente no segundo título. Some isso com o novo sistema de compras de habilidade e pode-se atravessar bairros em poucos saltos. Útil, simples e bem mais prático do que escalar prédios no estilo parkour de inFamous. Os combates também valem pela simplicidade. Não existem esquemas complicados como segurar um botão enquanto se pressiona outro. Aqui o jogador só precisará virar para o inimigo e sair apertando soco. Se quiser usar alguma habilidade especial, basta pressionar outro botão no controle e pronto, tudo ocorre naturalmente. Se a jogabilidade fácil e divertida pode ser a maior virtude de Prototype 2, a variedade das missões vai em direção oposta e compromete a experiência. Os produtores conseguiram melhorar em relação ao antecessor e até eliminaram as corridas com obstáculos, contudo a maioria das missões são concluídas seguindo uma repetitiva sequência que consiste em chegar ao centro de controle, assumir a identidade do comandante, entrar no estabelecimento, assumir mais uma ou duas identidades importantes e matar todo mundo. Até as missões secundárias envolvem a mesma estratégia de sair sugando o corpo dos outros para roubar suas memórias. O estúdio Radical conseguiu fazer um jogo com um começo muito divertido, mas que tornar-se enjoativo prematuramente, depois de duas horas de jogatina. Tudo isso devido a uma estratégia que foi severamente criticada no primeiro jogo e que não foi repensada no segundo. [b]Beleza interior[/b] Prototype 2 é feio. Não parece ser um jogo de 2012 e talvez nem fizesse bonito em 2009, quando o antecessor foi lançado. Embora a cidade seja imensa e bonita, os designers pecaram em pontos importantes como nas animações dos personagens, na variedade dos mesmos e na maioria dos efeitos especiais. Os soldados da Blackwatch parecem saídos de uma linha de produção automotiva. Todos têm o mesmo tamanho e até o mesmo rosto. Embora a desenvolvedora tenha abusado da ideia de colocar máscaras e óculos em seus modelos para anular suas semelhanças, os soldados ainda não diferem em nada uns dos outros. Até mesmo os moradores da Nova York sitiada sofrem deste mal. Tudo bem que o limite do hardware ou do orçamento para o jogo talvez tenha obrigado essa limitação, mas não precisava fazer toda mulher de chambre usar a mesma peça roxa e calça marrom, por exemplo. Embora a cidade seja bonita, observá-la é um problema e subir em um prédio para se ter noção do tamanho de Nova York não funciona muito bem devido a uma névoa que sempre esconde a base do cenário. Na tentativa de buscar um prédio alto para identificar o seu próximo objetivo, o jogador acaba descobrindo que é mais fácil sair correndo na direção da missão e ver o que existe logo em frente do que tentar identificar de longe. Pode ser mais uma limitação técnica, mas uma jogabilidade que depende da localização espacial não cai bem com uma névoa tão espessa. Além disso, Prototype 2 ainda apresenta problemas gráficos menores, como explosões em baixa resolução, inimigos que parecem bonecos de borracha e todas aquelas falhas típicas dos jogos de baixo orçamento. Prototype 2 melhorou, sim, quando comparado com seu antecessor, porém é uma melhora muito discreta para justificar o número dois no título. A evolução do personagem, por exemplo, está mais rápida e simples, permitindo que o jogador sinta a força de ser um mutante super-poderoso bem antes de se incomodar com a repetição exaustiva das missões. Mas apesar de algumas virtudes pontuais, Prototype 2 se revela um jogo enjoativo e com gráficos datados, difícil de segurar o interesse por além das duas primeiras horas. [b]Prós[/b][list] Evolução do personagem rápida e direta; Jogabilidade fácil e divertida.[/list] [b]Contras[/b][list] Gráficos datados; Pouca variedade de inimigos; Missões repetitivas.[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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