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Análise do jogo "Prince of Persia: Warrior Within" para PS2 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 7 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Se ano passado a Ubisoft havia começado a ressuscitar o interesse na série Prince of Persia com o brilhante The Sands of Time, o lançamento da continuação, Warrior Within, pode significar uma volta à estaca zero. A fim de tornar o jogo mais ???mainstream???, a Ubi arriscou por dá-lo uma nova identidade, criando um ambiente mal assombrado e apresentando um novo príncipe: um sujeitinho pra lá de antipático e cheio de ???atitude???. E a jogabilidade, antes focada nos saltos, escaladas e exploração do ambiente, agora dá ênfase maior em um sistema de combate que, embora possa parecer bem legal em alguns momentos, é simplesmente chato a longo prazo. Descobrir Warrior Within é mais ou menos como ir ao cinema pensando em ver Lawrence da Arábia e acabar tendo que assistir a Buffy: A Caça Vampiros. [t1]O Príncipe do Rock[/t1] Warrior Within não tem quase nada de uma aventura na Pérsia. Esta é uma aventura do rock. Temos um herói que é o maior gostosão das arábias. Sua especialidade agora é decepar as cabeças dos inimigos, fazendo uso de uma infinidade de ???combos??? que quase sempre tem muito mais valor estético que prático. O começinho do jogo mesmo é um tutorial de como as combinações de três ou mais cliques de botões pode acionar uma coreografia nova, ou uma forma mais espetacular de dividir o inimigo ao meio. Até uma coluna no cenário pode ser usada para um movimento ginástico especial, no qual o príncipe realiza um giro de 360 graus e vai decepando tudo que se encontra no perímetro com sua espada. Uma câmera lenta ocasional ajuda a dar aquele toque de cinema aos combates, e os inimigos agora são mais difíceis e variam bastante suas coreografias, tornando a batalha bem mais interessante que no jogo anterior. O príncipe também consegue carregar uma segunda arma desta vez (em todo o jogo, são nada menos que 60 tipos de lâmina disponíveis), e ela pode ser empunhada nas batalhas ou arremessada contra o inimigo para um dano extra. Mas nem toda esta evolução justifica a escolha da Ubi por relevar o papel do combate a elemento principal do jogo. ?? como se houvesse a pretensão de tornar Prince of Persia um substituto ou equivalente a Ninja Gaiden ou Devil May Cry, porém ele ainda está preso em uma mecânica muito simples e lenta para um jogo de ação deste nível, e nunca convence plenamente. Do início ao fim, o ritmo da aventura fica comprometido por ter que combater a cada minuto, com táticas muito simples e que praticamente não evoluem. Apenas a presença de alguns ???chefes de fase??? consegue quebrar um pouco a monotonia desta peleja persa. De tempos em tempos esses inimigos especiais -- que incluem uma ave gigante e um ser envolto em corvos -- aparecem para travar algumas batalhas mais longas e desafiadoras. Como se não bastasse a ênfase no combate que, ironicamente, era também o pior elemento do jogo anterior, a aventura de Warrior Within é orquestrada por uma trilha de heavy-metal horrorosa, totalmente inimaginável para um Prince of Persia. E o príncipe também se revela um personagem sem vestígio do carisma de outrora quando grita baboseiras do tipo ???Bitch!??? e ???Eu sou o Príncipe da Pérsia, o rei da espada!???. ?? mais uma idéia infeliz da Ubi, fruto, provavelmente, das sessões de ???focus group??? feitas para entender por que o jogo anterior fracassou comercialmente, apesar de ter sido aclamado pela crítica. [t1]Fragmentos de um grande jogo[/t1] Warrior Within só se sobressai quando lembra suas origens de jogo de plataforma. Sua outra metade, isto é, quando não somos interrompidos pelo fardo do combate, é incrível como sempre. Os cenários estão mais sombrios, mas ainda são muito bonitos e surreais. Como em Sands of Time, o jogo apresenta vários obstáculos que parecem intransponíveis, mas que não passam de quebra-cabeças para testarmos alguma acrobacia mirabolante. Mais para o final, inclusive, há momentos tão bons que quase fazem valer a pena o sacrifício de ter aturado tanto combate e guitarras distorcidas. Este é também um jogo bem mais difícil que o anterior, com alguns momentos que chegam a gerar certa frustração. Ainda bem que a excelente idéia de poder voltar no tempo por alguns segundos de Sands of Time continua, e assim evita maior aborrecimento. Visualmente, Warrior Within também é soberbo e está entre os jogos mais bonitos do momento. Agora temos como entrar numa espécie de cápsula do tempo e ver os cenários no passado ou no presente, com mudanças de puzzles e gráficos muito interessantes entre as duas épocas. ?? lamentável, entretanto que na versão para Playstation 2 tanta beleza tenha como conseqüência uma taxa de quadros por segundo bastante desagradável. [t1]O Veredicto:[/t1] Warrior Within ainda é um jogo acima da média, mas que representa um grande retrocesso em relação ao anterior, The Sands of Time. A tentativa da Ubisoft de torná-lo mais palatável ao grande público é até compreensível, diante do fraco desempenho comercial do Prince of Persia anterior. Mas a opção pelo foco no combate e o mau gosto presente na caracterização do personagem central e na trilha sonora acabam por desvirtuar a brilhante parte de plataforma, que sempre foi o ponto de partida da série. [t2]Prós:[/t2] + Cenários surreais, bonitos como em Sands of Time; + Alguns puzzles excelentes. [t2]Contras:[/t2] - Combate sem graça e freqüente demais; - Trilha sonora de péssimo gosto; - O personagem mudou de um árabe simpático para um badboy americano; - Problemas gráficos no PS2 e sonoros no Xbox.
Fonte: Outer Space
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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