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Análise do jogo "Half-Life 2: Episode One" para PC escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 8 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Conteúdo episódico é, depois de ???microtransações???, a palavra mais falada por produtores de games quando querem explicar como irão sobreviver à nova era de jogos sofisticados e custos de desenvolvimento estratosféricos. A idéia de fragmentar um enredo e distribuí-lo em pequenas doses visa minimizar os riscos de produções que tendem a consumir dezenas de milhões de dólares e vários anos de trabalho, ao mesmo tempo em que abrevia o tempo de espera dos fãs por conteúdo novo. A pioneira deste novo modelo de vender jogos como uma novela é a Valve ??? a mesma que já havia inovado com a distribuição digital, através do Steam ??? e Half-Life 2: Episode One pode ser considerado seu primeiro grande teste. [t1]A seguir, cenas dos próximos capítulos[/t1] Episode One, que para a Valve poderia se chamar Half-Life 3, é uma seqüência direta da história de Half-Life 2 e responde algumas perguntas deixadas pelo final polêmico da segunda aventura de Gordon Freeman. Obviamente, Freeman e Alyx estão sãos e salvos, e agora dividirão o papel de protagonistas e heróis que irão arriscar seus pescoços entrando na Cidadela a ponto de explodir. Alyx irá acompanhar o jogador quase que por toda a jornada, sempre controlada por scripts e uma inteligência artificial impecável, que cria a sensação próxima a um multiplayer cooperativo. Ela poderá propor soluções para enigmas, eliminar boa parte dos inimigos com seus tiros precisos de pistola ??? desde que o jogador ilumine o alvo com a lanterna ??? e, não muito raro, conversar sobre a vida. Tranqüila sob pressão, Alyx também parece não se importar com o fato de estar em um prédio a ponto de desmoronar ou em salas infestadas de zumbis e, volta e meia, irá descontrair contando alguma piadinha ou apelidando um Combine zumbi ??? o novo inimigo do jogo ??? de Zombine. O primeiro contato com um Zombine por sinal mostra que é preciso ter cuidado extra na hora de encará-los: volta e meia eles surgem com uma granada na mão prestes a explodir. A personalidade de Alyx e suas reações naturais e humanas são os maiores méritos desta expansão episódica. Não há nenhuma mudança radical de cenário ou incremento do arsenal (são as mesmas armas de antes), e nem mesmo a inclusão um tanto moderada da iluminação ???High Dynamic Range??? (HDR) serve para colocar Episode One acima de seu antecessor. O objetivo da Valve parece ser mesmo dar continuidade à história e propor novos quebra-cabeças com o sistema de física Havok, sem se importar tanto com a evolução do tiroteio. Episode One talvez seja o tiro em primeira pessoa com menos tiros do PC: o jogo tem a ambição de ser algo mais que um simples mata-mata e esta preferência chega ao ponto de deixar o jogador pela primeira missão inteira apenas com a arma gravitacional, que é bem mais eficaz na resolução de puzzles que nos tiros e na eliminação dos inimigos. A ação se intensifica nos estágios seguintes, e a mistura de quebra-cabeças com tiros ocasionais se torna bem desafiadora e um pouco mais complexa que a do Half-Life 2 original, com a vantagem também de ter extirpado totalmente as maçantes seqüências em veículos. Episode One é um jogo com ambições artísticas bem maiores que a média do gênero, é verdade. Os cenários, como o interior da Cidadela, continuam fantásticos e as músicas incidentais dão um clima especial à aventura. O enredo sem conclusões óbvias e os diálogos entre os protagonistas também fogem dos clichês e devem ser o principal gancho para prender os fãs até o lançamento do terceiro e último episódio no final de 2007. Este primeiro episódio é bastante econômico na elucidação do enredo (como uma novela, a trama deve esquentar de verdade apenas no terceiro e último capítulo) e bem curto: dura apenas cinco horas em média, no limite do bom senso para os R$ 49,90 pagos pela experiência. [t1]O Veredicto:[/t1] Com a jogabilidade inalterada em relação a Half-Life 2, Episode One vale pela oportunidade de conhecer mais sobre os destinos de Gordon Freeman e Alyx. O jogo carrega a mesma atmosfera, criatividade e bom ritmo do antecessor, e traz algumas melhoras sutis no sistema gráfico, graças à iluminação HDR e as otimizações feitas no carregamento. Só é uma pena que, com mais dois episódios por vir, a Valve tenha sido tão econômica no conteúdo, dando uma jornada que não dura mais que cinco horas e nem sequer um modo multiplayer inédito. [t2]Prós:[/t2] + Excelente atmosfera; + Puzzles criativos; + Continua lindo visualmente, e sem exigir um PC de ponta; + Comentários dos produtores durante o jogo como extra para os fãs; + Alyx. [t2]Contras:[/t2] - Curto; - Nenhuma arma nova, cenários muito familiares.
Fonte: Outer Space
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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