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Análise do jogo "Final Fantasy X" para PS2 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Ah-la-la-ôoo ôoo ôoo, ai que calô ôoo ôor. ?? carnaval fora de hora no Japão com a chegada de Final Fantasy X, o jogo mais colorido do ano. Final Fantasy X é um capítulo especialmente importante para a série não só para tapar o buraco deixado pelo filme The Spirits Within, mas também pelas novidades tecnológicas que traz, apoiado no poder do Playstation 2. Este é o primeiro Final Fantasy falado e o mais cinematográfico de todos, uma boa amostra do que está por vir na nova geração de consoles. ?? um jogo excelente, mas podia ser ainda melhor. [t2]Olha a cabeleira do Tidus, será que ele é?[/t2] Se você ainda não tem uma fantasia para este carnaval, procure inspiração nos personagens de Final Fantasy X, de longe, os mais carnavalescos já vistos na série. O desenho é mais uma vez assinado por Tetsuya Nomura, o mesmo de Final Fantasy VIII, e não há como não perceber que o rapaz tem um gosto pelo brega. Cada personagem no jogo se veste com umas noventa cores diferentes, em modelitos para fazer Joãozinho Trinta parecer conservador em comparação. Tidus é dos dois personagens centrais. Este jovem loiro de 17 anos (mas que parece estar entrando só agora na puberdade) deve ter algum parentesco com o Raiden de Metal Gear Solid 2 (aquele que não tem nada entre as pernas). Sua personalidade é esfuziante e a característica mais marcante de sua figura está na roupa (é claro), com uma calça comprida numa perna e curta na outra, e no cabelo, em que ele parece fazer balaiagem e usar um fixador que o torna imutável até debaixo d'água. Tidus é craque em Blitzball, uma espécie de handball jogado debaixo d'água, o esporte número 1 de Spira, o mundo de Final Fantasy X. O jogo começa a todo vapor, mostrando Tidus sendo idolatrado por seus fãs no estádio, até que surge em cena "o mal" da história, Sin, uma força destruidora que arruína a vida em Spira. O ataque do Sin destrói a cidade e manda Tidus numa viagem ao futuro, onde ele encontra Yuna, uma jovem aprendiz na arte de invocar criaturas (o popular summoning), doce como mel, com um olho verde e outro azul, muito bonita e dotada de uma voz/suspiro realmente agradável. Milady Yuna é filha do grande mestre Braska, lendário "summoner" que conseguiu derrotar Sin outrora. Está nas costas dela a esperança do povo de um dia, quem sabe, conseguir derrotar Sin novamente e trazer um período de calma ao mundo. Yuna terá que partir numa peregrinação, rezando nos vários templos de Spira, ouvindo histórias dramáticas do povo que sofre com a ameaça do Sin. Assim começa mais uma jornada de fantasia pra você. Assessorando Yuna em sua peregrinação encontramos alguns personagens que, embora sempre no clichê dos tradicionais RPGs, são interessantes, e outros nem tanto. Lulu, por exemplo, é a feiticeira negra, uma mulher extremamente sensual (deve se tornar a nova campeã dos sites de Hentai por aí) e misteriosa que tem, além de seus poderosos feitiços de ataque, um simpático "moogle" como arma. Lord Auron é outro que poderíamos considerar um cara legal, não fosse seu estranho hábito de depilar as axilas, e o colorido Wakka deve ser o alívio cômico desta vez, com seu jeito caribenho, irreverente e meio atrapalhado. Rikku por sua vez é uma das personagens mais carismáticas e úteis, principalmente pela habilidade de personalizar as armas do seu grupo, mesclando-as com itens. ?? importante salientar que os personagens de Tetsuya Nomura são quase sempre opostos dos de Yoshitaka Amano, o desenhista até então oficial da série. Fãs dos outros Final Fantasy devem estranhar o estilo, ainda mais quando ele se mostra tão influente no jogo, definindo o ambiente e a história de Final Fantasy X. Há muitas "marcas registradas" da série pra todo lado (chocobos, as músicas etc), mas o clima mágico dos capítulos antigos nunca pareceu tão distante. O aspecto hi-tech, tribal e carnavalesco dos personagens de Nomura é muito forte e acaba tirando o clima em alguns momentos. [t2]Quesito evolução[/t2] Depois do começo entusiasmante (de cara você já vê uma incrível seqüência não interativa), Final Fantasy X cai num marasmo incrível. Sua paciência será cozida em banho-maria por umas 8 horas até que você comece a se identificar com os personagens e se envolver o mínimo com a história. ?? bom que você esteja muito disposto a gostar do jogo porque a falta de ritmo na primeira dezena de horas é dose pra leão, e pode leva-lo a desistir no meio do caminho. E pra piorar, o jogo é linear pra burro. Até as batalhas que costumam ser uma praga nos jogos da série, acontecem com pouca freqüência no começo. Não há muito o que fazer além de assistir a diálogos terrivelmente maçantes entre personagens com os quais você ainda não tem nenhuma afinidade. [t2]A bateria[/t2] Os impacientes infelizmente não irão jogar até onde se percebe que Final Fantasy X tem um sistema de batalha bem mais agradável que nos três últimos jogos da série. O sistema ATB foi abolido, agora a batalha acontece realmente em turnos e você tem até sete personagens para usar no confronto, o que torna o processo bem mais estratégico, inteligente e divertido. São três personagens na tela simultaneamente, os outros ficam no "banco de reservas" e podem ser chamados para a batalha num simples toque de botão. E cada especialidade faz a diferença, finalmente, neste RPG. Na maioria dos RPGs modernos você tem zilhões de recursos de ataque e defesa que, na hora da batalha, não fazem a menor diferença (afinal pra que serve por exemplo um feitiço de fogo se você pode jogar uma pedra do tamanho de um caminhão em cima do bicho e leva-lo à morte da mesma maneira?). Pois é, desta vez houve a atenção de valorizar cada especialidade, então há batalhas onde você terá realmente que entender onde está o ponto fraco do inimigo e qual dos seus personagens tem o poder para supera-lo. E as batalhas agora têm mais vida, com os personagens falando, às vezes sugerindo o que fazer e dando seus gritinhos de guerra. ?? bem legal. Você pode ver cada detalhe da arma que eles estão usando, e nem precisa falar que os feitiços e monstros são sempre impressionantes. Outra novidade que serve mais para prender o interesse dos fanáticos que propriamente para adicionar estratégia ao jogo é o sistema de progresso chamado Sphere Grid. Acessando o Sphere Grid pelo menu você evolui seu grupo como quem joga banco imobiliário. Você só vai entender jogando, mas basicamente trata-se de um grande tabuleiro onde você pode movimentar cada personagem e elevar suas habilidades manualmente. Sem a mamata de ganhar níveis e habilidades novas automaticamente, agora você recebe esferas e o direito de andar algumas casas no Sphere Grid após cada batalha. O novo recurso mais uma vez pode ser bom pra quem tem paciência sobrando, e dispensável pra quem procura apenas uma aventura. O que falta para a Square testar a sua paciência? Te fazer descascar mil batatas? Ajoelhar no milho? Não, falta Blitzball. Uma dose cavalar de paciência será necessária também para curtir o tal de Blitzball que Tidus e Wakka acham tanta graça. Tal como o jogo de cartas de Final Fantasy VIII e IX, este é o mini-jogo principal aqui. E, pela madrugada, é o mini-jogo mais chato de todos os tempos. Graças a Deus, ninguém é obrigado a joga-lo para finalizar Final Fantasy X, embora ajude pacas. Para os habitantes de Spira o Blitzball é um esporte, mas para você o jogo é de matemática. Dá pra imaginar jogar handebol fazendo contas? Blitzball é mais ou menos isso. Não queira saber mais detalhes, saiba apenas que é algo tolo, para distrair quem não agüenta largar o osso mesmo depois de roê-lo até o fim. [t2]Apoteose[/t2] Fora isso, Final Fantasy X é uma maravilha, e suas virtudes todo mundo provavelmente já conhece. O visual, por exemplo, é espetacular (apesar de às vezes eu ter desejado ser daltônico). Os cenários agora são poligonais, mas com um nível de detalhe superior a um cenário estático do PSOne. Você passa por florestas onde as árvores balançam o tronco com o vento, rios refletem as nuvens no céu, etc. Pura arte digital. E o visual só vai melhorando conforme se progride na jornada. Só é uma pena que não haja liberdade total para andar e observar esses cenários; Você progride como se estivesse num trilho (a la Crash Bandicoot), com zoom e mudanças de ângulo sempre automáticos. Os CGs, pelas barbas do profeta, são de babar, ainda mais agora com a qualidade do DVD. A trilha sonora também é excelente, e bem mais eclética que a dos antecessores. As vozes, que são a grande novidade desta vez, não chegam a impressionar pela capacidade dramática dos dubladores, muito menos pela dos bonecos virtuais que quase sempre não conseguem ter gestos muito naturais, muito menos manter o sincronismo labial - chega a parecer uma novela mexicana dublada em árabe tamanha é a falta de lip-synch dessas peças-raras. A dublagem é um aspecto que ainda pode evoluir bastante em Final Fantasy, com certeza, mas para um RPG até que é bem legal. [t2]O Veredicto:[/t2] Final Fantasy X é mais um RPG com a qualidade e superprodução que você poderia esperar da Square. Visualmente incrível e com um sistema de batalhas bem mais divertido e estratégico, ele está bem acima do que é oferecido no mercado pela concorrência. Aproveite o Carnaval, compre um Playstation 2, fantasie-se de Tidus e não deixe de jogar FFX com seus amigos. [t2]Prós:[/t2] [list]Belo espetáculo visual; Batalhas mais inteligentes; ?? um jogo longo, cheio de segredos e extras; Lulu é boa; Rikku é gente boa.[/list] [t2]Contras:[/t2] [list]?? meio brega; Sincronismo labial fraquíssimo; Falta ritmo nas primeiras 10 horas de jogo; Os personagens, com algumas raras exceções, são tolos; Tidus.[/list]
Fonte: Outer Space
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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