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Análise do jogo "Sniper: Ghost Warrior 2" para PS3 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 5 de 10, enviado por LusoGamer,
Passaram quase três anos desde que Sniper: Ghost Warrior viu a luz do dia. O título desenvolvido pela City Interactive, pretendia oferecer aos jogadores a verdadeira experiência de ser um francoatirador. No entanto, uma escassa longevidade e problemas técnicos tornaram essa missão impossível. Agora, chega-nos Sniper: Ghost Warrior 2, que promete uma renovada e melhorada experiência em todos os sentidos. Será que consegue? Neste novo título estamos na pele de Cole Anderson, um francoatirador que está a fazer uma série de missões pelas Filipinas com o seu companheiro e amigo Díaz. Eles estão a investigar terroristas quando se deparam com uma ameaça global: uma arma biológica terrível. A partir daqui, temos o jogo dividido em três atos. Para começar, somos levados a solucionar o primeiro problema de Anderson, que é o facto do seu companheiro Díaz estar cativo pelos inimigos. Isto, leva-nos depois a um flashback de anos atrás a Sarajevo, onde se narram os acontecimentos do nosso protagonista com outro personagem, Maddox, e posteriormente um terceiro ato que nos leva a várias zonas do Tibete para acabar com a arma biológica em questão. No total, são três atos divididos em dez missões, que constituem algo próximo das cinco horas de jogo, em dificuldade normal. Um dos principais problemas que tem este título é o facto de começar com um tutorial com cerca de vinte minutos que se traduz na totalidade da campanha. Assim, começamos com Díaz a dar-nos ordens sobre a quem disparar primeiro, quando temos que passar despercebidos, onde estão os objetivos chave e quando temos que correr agachados. Aquilo que à primeira vista parece um tutorial básico sobre os controlos de jogo, converte-se em algo comum e habitual ao longo das quase cinco horas de jogo da campanha principal. São poucas as vezes em que nos encontramos num espaço aberto e temos liberdade para decidir quem matar primeiro. O resto do jogo é totalmente guiado e linear, sem margem para as nossas próprias estratégias. Por norma, as missões dizem-nos exatamente a ordem pelo qual devemos atacar os inimigos e perdemos a missão caso não o façamos pela ordem estipulada. Em geral, as missões têm estruturas bastante similares, fazendo em cada momento uso de ações parecidas. Atacar com o francoatirador a tudo o que se move por uma ordem estabelecida, passar despercebido por um bando de inimigos, matar inimigos em sigilo, correr a meio de um tiroteio, etc. O resultado final é algo decepcionante, já que temos paisagens e cenários com grande escala visual que estão totalmente desaproveitados. Os caminhos pelo qual nos movemos estão muito marcados e são lineares até mais não poder. Ao decorrer da campanha lidaremos com meia dúzia de armas, todas elas armas de longo alcance, com as suas particularidades a nível de mira, bem como uma pistola com silenciador. É a única alternativa às armas de francoatirador, e será utilizada para derrubar inimigos de perto, mas poucas vezes. O foco principal é claramente a arma de alta precisão que se encontra com um comportamento verosímil deste o primeiro momento. No ecrã, o nosso personagem conta com duas barras: uma de respiração e outra de pulsações. A primeira é a que devemos controlar para correr e manter a arma firme. A segunda serve para quando mergulharmos na água ou na hora de apontar. A nossa arma de alta precisão conta com três níveis de zoom para nos aproximarmos dos objetivos. Se estamos de pé, é praticamente impossível controlar a mira e efetuar um bom disparo. No entanto, se estamos deitados no chão ou agachados, conseguimos efetuar um disparo bem melhor. O melhor é mesmo quando chegamos a um ponto de francoatirador e temos suporte para disparar com máxima precisão. Para além da barra de respiração e pulsação, temos ainda de considerar quando é que a bala vai cair e a direção do vento. Para além daquilo que já foi referido, um dos principais problemas deste jogo é o facto de ser demasiado simples e estarmos sujeitos a efetuar apenas o pré-estabelecido. Para terem uma ideia do quão limitado e guiado estamos, não podemos, nem sequer, recolher as armas dos nossos inimigos, nem tão pouco lançar granadas explosivas ou de fumo. Podemos apenas implementar algumas C4, em situações pontuais assim que nos for solicitado pelos nossos superiores. A campanha principal é curta, como já foi referido, mas nem é esse o principal problema. Poderia ser uma campanha frenética e cheia de ação, com valor de repetição, mas nem é esse o caso. Acabamos por matar inimigos da mesma forma que no tutorial repetidamente, o que acaba por não dar vontade de repetir o título. O multijogador é muito pobre. As opções que temos disponíveis quando iniciamos uma partida são muito poucas e limitam-se a poder escolher um par de mapas, baseados na campanha, e uma única modalidade de jogo: duelos por equipas. A jogabilidade é simples a este respeito. Somos dois grupos de até seis jogadores e devemos encontrar-nos e matar-nos uns aos outros em partidas de cerca de vinte minutos. No radar, como é lógico, só aparecem os nossos companheiros. E tudo se resume a isto. A verdade é que apenas uma modalidade de jogo e dois mapas sabe a muito pouco. Felizmente, isto deverá ser aumentado com DLCs gratuitos no futuro. A Inteligência Artificial conta com alguns problemas como o facto de os guardas, que estão a fazer as rondas, estarem a apontar para as paredes. Por outro lado, há aspetos positivos como o facto dos inimigos arranjarem cobertura e colocarem-se à procura do francoatirador que eliminou o seu companheiro. A nível visual, a principal novidade está no facto de o jogo correr agora com o motor CryEngine 3, da Crytek. A amplitude dos cenários, algumas construções e as cores e contrastes são dignas de menção. No entanto, depois aparecem texturas planas e sem nenhum relevo. Isto para não falar das folhas e da vegetação, totalmente pixelizadas e sem nenhum trabalho de bastidores. Isso também acontece com algumas explosões, em que vemos partículas planas a saltarem pelo ar. Para além disto, existem por vezes, quebras de framerate, e os nossos companheiros movem-se de forma muito robótica. Também as animações e a física dos inimigos, quando são atingidos pelas nossas balas, não são muito realistas. Mas o jogo não é catastrófico. Tem alguns bons momentos como a câmara lenta que nos acompanha com algumas mortes, que é vistosa e espetacular, embora o CryEngine 3 seja muito mais poderoso do que aquilo que parece ser neste título. Já no que diz respeito ao som, o principal contratempo é que não se distingue em nada. Este acompanha-nos com toques bélicos, mas nunca toma protagonismo nem nos mete mais perto da ação. As vozes, em inglês, estão aceitáveis. Em jeito de conclusão, Sniper: Ghost Warrior 2 é um jogo curto e pouco inovador, que não nos proporciona qualquer momento de estratégia, tendo um guia linear e pouco emocionante. O novo motor de jogo, o CryEngine 3, poderia ter sido melhor aproveitado do que aquilo que foi. Assim, este é um jogo que não se consegue superiorizar muito ao seu antecessor e que não é certamente recomendado a quem procura um bom título de ação.
Fonte: Lusogamer
LusoGamer
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