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Análise do jogo "Metal Gear Rising: Revengeance" para PS3 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 9 de 10, enviado por friderino,
Metal Gear Solid, série criada por Hideo Kojima, é uma das séries mais aclamadas na indústria dos videojogos, e como tal quando um novo jogo é anunciado há sempre a sensação de êxtase. No entanto quando Metal Gear Rising foi revelado na E3 2010, apesar de ter estado a cargo pela produtora usual, Kojima Productions, houve grande polémica porque o protagonista seria o Jack, mais conhecido como Raiden, uma personagem pouco amada pela maioria dos fãs da série, em vez das personagens mais simbólicas da série como Big Boss ou Solid Snake. Outro dos motivos deo polémica é que o novo jogo seria de ação ao contrário dos anteriores jogos da série, que são de infiltração. No entanto, durante cerca de um ano não houve informações nada do jogo, pensando-se que tinha sido cancelado; algo que esteve perto de acontecer. Hideo Kojima chegou à conclusão que o estúdio Kojima Productions não estava a lidar bem com a produção de Metal Gear Rising, decidindo entregar o jogo à Platinum Games, produtora que trouxe nesta geração de consolas jogos como Vanquish e Bayonetta. Quando a Platinum Games ficou encarregue do jogo decidiu que o mesmo não se iria passar entre os eventos de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty e Metal Gear Solid 4: Guns of Patritos, decidindo centrar o enredo depois de Metal Gear Solid 4: Guns of Patriots. A Platinum Games resolveu também mudar o nome do jogo para Metal Gear Rising: Revengeance. Antes de avançar, quero desde já esclarecer uma coisa: Metal Gear Rising: Revengeance é um spinoff. O jogo é acusado de não ser um verdadeiro Metal Gear por ser um jogo de ação em vez de infiltração, mas essa afirmação em si é errada. Realmente não é um Metal Gear Solid, pois não é protagonizado por Big Boss ou por Solid Snake, mas Metal Gear Rising: Revengeance tem personagens da série Metal Gear, como Jack/Raiden e Sunny e no jogo fala-se de eventos que passaram em jogos anteriores, havendo portanto uma ligação com Metal Gear. Além disso continua a ser um jogo rico e com muito para explorar, assim como cinemáticas de cortar a respiração, tal como a série nos habituou ao longo dos anos. Não irei alongar-me muito sobre a história por causa dos spoilers, mas tudo começa quando Raiden está a trabalhar numa empresa militar privada onde o objetivo é certificar a segurança, sendo a empresa liderada por Maverick. Raiden realiza várias tarefas, incluindo a formação de exércitos e proteção VIP em África, estando o País a recuperar de uma guerra civil. Raiden vai numa limousine com o Primeiro-Ministro N'Mani quando o pior acontece. É a partir daí que a história se desenrola. O lema de Raiden é que tirar a vida de algumas pessoas salva muitas outras, e que a sua espada é para proteger os fracos, equiparando-se a um justiceiro. No entanto a meio do jogo vão-se deparar com o lado negro de Raiden, pois os acontecimentos irão afetar Raiden a nível pessoal devido ao seu passado conturbado, e daí em diante torna-se mais frio e mais forte, mas mantendo sempre a postura de justiceiro. Em relação à jogabilidade, que é o maior ponto diferencial quando comparado com os anteriores jogos da série, é um hack-and-slash puro, rápido e fluído, sendo que a Platinum Games mostra mais uma vez o quão brilhante é, oferecendo aos jogadores inúmeros combos de forma a tornar os combates brutais, e a banda sonora também ajuda muito nisso, pois é perfeita para o tipo de jogo que é, limando o tipo de ambiente que se está a experienciar e motivando ainda mais os jogadores a continuarem a jogar. O sistema de combate permite, com a espada de Raiden, cortar simplesmente praticamente tudo, e isso é tão violento como divertido, pois cortar os inimigos em mil pedaços ou simplesmente cortar melancias, árvores, carros, etc, é algo único nos videojogos. Apesar da ação desenfreada que o jogo oferece, também podem optar, por vezes, em passar pelos inimigos de forma furtiva ou simplesmente apanharem os adversários desprevenidos a acabarem com ele por trás. É importante referir que a espada não é a única arma de Raiden, sendo que terá no seu arsenal outro tipo de armas como lança mísseis e bombas, por exemplo. Isso diversifica a maneira como enfrentamos os inimigos, dando também uma maior espetacularidade. No entanto a espada é mesmo a principal arma de Raiden e é com ela que cortará os inimigos ao meio retirando a medula de forma a recuperar energias, restabelecendo a sua vida, e será assim durante todo o jogo, mas nunca se tornará repetitivo pois a elegância com que se faz os Zan-Datsu dá estilo ao jogo e torna-o não só único como viciante. O sistema de defesa é diferente dos jogos do género pois não há um botão dedicado para esse efeito. O botão de atacar é o mesmo para defender, apenas terão que ter um bom timing, senão não conseguirão defender e como tal sofrerão danos consecutivamente. Se não se adaptarem bem ao sistema de defesa há duas alternativas: a primeira é alterar nas opções o sistema para automático e a segunda alternativa é carregarem no botão X e quadrado (na versão PlayStation 3) ou X e A (versão Xbox 360) ao mesmo tempo, de forma a se desviarem dos ataques de inimigos. Metal Gear Rising: Revengeance tem diversos bosses, todos eles muito detalhados e competitivos. A personalidade de cada um é mais que evidente e isso torna tudo muito dinâmico, tal como a série nos acostumou durante estes anos todos. É importante referir que o jogo torna-se progressivamente mais difícil e vão sentir isso de boss para boss, principalmente. No entanto, para compensar, Raiden vai ficando mais forte com o decorrer do jogo, pois com os pontos obtidos em combates poderão comprar novos combos, trajes com características únicas, bem como melhorar a espada ou comprar uma nova, sendo ainda possível melhorar as armas secundárias que vão adquirindo de bosses derrotados. Tecnicamente, Metal Gear Rising: Revengeance é também impressionante. O jogo corre a 60 fotogramas por segundo e não senti descidas drásticas na fluidez. Tendo em conta que se pode cortar tudo em centenas de pedaços (ou mais) e inúmeros inimigos ao mesmo tempo com um detalhe minucioso é bastante gratificante. Além disso os cenários estão todos muito bem detalhados, apesar de não serem os mais belos desta geração. O maior problema técnico é a câmara, que não responde da melhor maneira, principalmente contra os bosses, tornando-se por vezes frustrante. Isto é um problema quando os bosses saltam para trás de nós e queremos virar a câmara e esta bloqueia, fazendo com que o boss ataque por trás e não tenhamos hipótese de defender. No entanto, apesar de alguns bloqueios na câmara, é interessante ver como o jogo reconhece o erro e faz com que a câmara fique desbloqueada de forma a ser novamente manejável. Em relação à longevidade, a campanha dura entre 8 a 10 horas com as cinemáticas contabilizadas. Para os fãs da série poderá parecer pouco, pois os Metal Gear costumam ser mais longos, mas Metal Gear Rising: Revengeance é um jogo espetacular e desafiante, com uma jogabilidade profunda e viciante, mas que motiva a conversação com a "equipa" de Raiden (Doktor, Kevin, Courtney, Boris, Wolf e Sunny) e exploração de cenários, portanto a duração do jogo dependerá disso e da vossa estratégia, ou seja, se abordarem quando possível por stealth irão acabar o jogo mais rápido, se decidirem enfrentar todos os inimigos do principio ao fim a duração irá aumentar exponencialmente, mas seja como for o jogo motiva o jogador a repetir a campanha várias vezes. Para além da campanha poderão contar com missões VR, que fazem aumentar a longevidade. No total são 20 desafios e dependendo do tempo que levam a terminá-los, poderão obter as classificações bronze, prata ou ouro. Ao completarem as "missões" ganharão pontos que poderão depois gastar em trajes, armas, combos, etc. Metal Gear Rising: Revengeance é um jogo obrigatório para qualquer amante de jogos de ação, mas também para qualquer fã da série. A história é complexa mas bastante interessante e a jogabilidade é o palco de destaque juntamente com outros elementos de jogo, como banda sonora por exemplo. A Platinum Games mostrou mais uma vez a sua qualidade e Metal Gear Rising: Revengeance é realmente um dos melhores jogos do ano até agora.
Fonte: Lusogamer
friderino
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