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Análise do jogo "Heavenly Sword" para PS3 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 8 de 10, enviado por friderino,
Corria o ano de 2007 e a PS3 tinha acabado de chegar ao mercado europeu. Com ela, vários exclusivos foram lançados, entre eles, MotorStorm, Uncharted: Drake's Fortune e Heavenly Sword. É sobre este último que vou escrever. Heavenly Sword chegou à PlayStation 3 alguns meses depois do lançamento da nova consola caseira da Sony. Produzido pela Ninja Theory, o jogo captou a atenção da imprensa, pelos seus impressionantes gráficos que encantaram meio mundo. Heavenly Sword conta-nos a história de Nariko, uma bela e jovem mulher, que faz parte de um clã de guerreiros cujo maior objectivo é proteger uma espada, de nome Heavenly Sword. Heavenly Sword foi deixada por um guerreiro vindo dos céus aquando da sua batalha contra um demónio. O clã de Nariko acreditava que um dia iria nascer um filho que iria reclamar a espada para si. A profecia não se confirmou pois em vez de um rapaz, nasceu uma menina de nome Nariko, filha do líder do clã, Mestre Shen. Durante o jogo, Nariko irá assumir o controlo da Heavenly Sword contra a vontade do seu pai e mestre, e do restante clã. Mas com o grande poder adquirido, um problema aparecia. A lenda diz que se um humano assumir o controlo da espada, esta irá, lentamente, retirar-lhe a vida. Assim, ao assumir o controlo da Heavenly Sword, Nariko estava a arriscar a sua vida, mas não havia outra alternativa. Nariko precisava dela para salvar o seu pai e mestre das mãos do rei Bohan que já há muito, atacava o clã para tentar ficar com a espada e todo o seu poder. A história é muito bem concebida, mantendo-nos interessados numa jornada de vingança, provação e de procura por um objectivo maior, de um motivo para viver. Embora não tenha grandes reviravoltas, nem momentos que nos deixem surpresos, a Ninja Theory conseguiu um enredo suficientemente bom para nos sentirmos dentro da história. Algo sempre importante para tornar a história especial, são as personagens. Em Heavenly Sword, a caracterização das personagens é bastante boa, mas nem todas as personagens receberam o mesmo tratamento. Enquanto Nariko, Mestre Shen e o rei Bohan são muito bem exploradas e conseguimos ter uma ligação com elas, seja ela de amor ou ódio, os restantes "bosses" parecem estar lá apenas para isso, para termos mais alguns inimigos. Mas num jogo tão linear e em que a narrativa é um ponto-chave do jogo, fiquei um pouco desapontado. O mesmo se pode dizer com as vozes portuguesas. Umas são excelentes, outras boas e outras simplesmente irritantes. A opção por vozes conhecidas do público português em vez de profissionais não foi a mais feliz, mas existem vozes que entregam interpretações absolutamente fantásticas como é o caso de Nariko (Margarida Vila Nova) e Bohan (Ricardo Carriço). Já outras vozes parecem saídas de um desenho animado em vez de um jogo que é para maiores de 16 anos, mas é sempre positivo quando um jogo se encontra totalmente em português. Um pormenor que nunca tinha visto num jogo, e que não só me surpreendeu, como foi algo que eu achei fantástico, foram os monólogos de Nariko. Entre cada capítulo, Nariko tem um pequeno monólogo, que é de tal forma bem conseguido, que sentimos mesmo que Nariko se está a dirigir a nós, o jogador, com vários referências àquele que a está a controlar e que assumiu o seu controlo. Só é pena que sejam poucos devido à curta duração do jogo. Quando Heavenly Sword foi anunciado, aquilo que saltou logo à vista foram os gráficos espectaculares. Durante todo o jogo, vamos explorar cenários lindíssimos e ricos, com uma vegetação abundante, quedas de água e vários edifícios que se inserem perfeitamente nos cenários do jogo, uma mistura de locais rústicos e antigos mas que ao mesmo tempo são locais imponentes e capazes de deixar qualquer um de queixo caído. Os modelos das personagens são extremamente bonitos e detalhados. A forma como os gigantescos cabelos vermelhos de Nariko esvoaçam ao vento é simplesmente perfeita, parecem ter vontade própria. O combate de Heavenly Sword é fantástico, intuitivo e acima de tudo não é cansativo. É um estilo de combate com várias semelhanças ao da série God Of War, mas faz o suficiente para se separar deste assumindo o seu próprio estilo com a adição de vários pormenores que o distanciam do outro exclusivo da Sony. O combate é assim, dominado pelos combos, ou seja, um combate que permite aos jogadores eliminar inimigos atrás de inimigos, martelando, simplesmente, os botões. Mas para uma experiência mais rica, foram adicionadas novas funcionalidades para evitar o simples martelar de botões. Em Heavenly Sword temos três posturas de ataque: velocidade, alcance e força. A postura de velocidade oferece menos protecção mas permite ataques rápidos. A postura de alcance oferece maior protecção mas causa menos danos, fazendo lembrar as blade of chaos de Kratos. A postura de força é a mais lenta mas que causa mais danos. Convém estarmos sempre a mudar de postura para evitar a protecção dos inimigos e conseguir combos mais implacáveis, sendo que durante o combate, vão surgindo diferente auras sobre os inimigos de forma a indicar que postura temos de assumir para contra-atacar. O combate possui também ataques especiais que juntamente com os contra-ataques oferecem alguns momentos mais cinemáticos ao combate, que poderiam, perfeitamente, ter saído de um jogo da série Assassin's Creed. Heavenly Sword faz também uso dos agora muito famosos "Quick Time Events" (QTE). Os QTE's não são usados em demasia e estão inseridos em pontos perfeitos do jogo oferecendo algo diferente à jogabilidade para além dos combates. No entanto, os QTE's são demasiado fáceis pois, mesmo que falhem uma ou duas vezes, o jogo regressa automaticamente ao início da sequência e não altera em nada os botões a premir o que facilita a memorização. Para além de Nariko, Heavenly Sword oferece-nos a possibilidade de em alguns pontos do jogo assumir o controlo de outra personagem, Kai, uma jovem rapariga protegida por Nariko que faz das suas setas, armas letais. Ainda assim, jogar com Kai pode ser frustrante por vezes. Eliminar inimigos que se encontrem ao longe com as setas é divertido e funcional mas quando temos 6 ou 7 inimigos em cima de ti é muito difícil e complicado fazer pontaria, acabando muitas vezes por se disparar à sorte e esperar pelo melhor. Em alguns locais o jogo permite que vocês evitem os inimigos e entrem em fugas mas noutras sequências são obrigados a entrar em combate. Tanto a jogar com Kai, como com Nariko, o jogo utiliza em algumas sequências, de forma não obrigatória, o sensor de movimentos do comando SIXAXIS. É uma adição muito interessante e que irá fazer as delícias de vários jogadores, o único problema é a difícil adaptação ao controlo por movimento. Em algumas sequências Nariko e Kai vão ter de disparar objectos e ao manter premidos o botão de disparo irão entrar num modo de perspectiva na primeira pessoa chamado "Aftertouch" onde irão mover o comando de forma a atingir o alvo. As únicas situações em que a utilização do Aftertouch é obrigatória, são os puzzles, que são poucos e em que a única dificuldade consiste em controlar o SIXAXIS da forma correta pois, basicamente, os puzzles consistem em fazer tabelas entre objectos de forma a acertar num alvo que está escondido. Embora bom, o combate tem também algumas falhas. Uma delas diz respeito ao enorme exagero de ondas de inimigos em algumas sequências do jogo, em que parece que o único objectivo é dar ao jogo mais alguns minutos de jogo e de nos impedir de avançar de forma mais rápida. Outra está relacionada com as boss-fights que exceptuando as duas últimas, têm tanto de desinteressantes como de fáceis. A banda sonora do jogo assenta que nem uma luva ao jogo. Criada pelo inglês Nitin Sawhney, a forma como a banda sonora muda consoante estejamos numa boss-fight, em que nota-se que a música assume um ritmo mais acelerado e nos momentos de exploração a assume um tom mais suave, é espetacular. Assim, Heavenly Sword, mesmo após tantos anos continua a ser um jogo muito bom para aqueles que procuram umas horas de diversão, 6 ou 7 para ser exacto. Com uma jogabilidade acessível e com algumas novas funcionalidades, Heavenly Sword é um jogo obrigatório para os fãs deste género. Aproveitem agora para adquirir o jogo a um preço bastante acessível, se ainda não o têm na vossa prateleira.
Fonte: Lusogamer
friderino
Enviado por friderino
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