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Análise do jogo "Code of Princess" para 3DS escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 7 de 10, enviado por LusoGamer,
Dou um parágrafo ao jogo da Treasure lançado em 1996 para a SEGA Saturn para terem tempo de o relembrar. Numa mistura de qualidade com nostalgia, Heroes é sinónimo de Saturn e vice-versa. É certo que em 2011 foi lançada uma versão do jogo através do Xbox LIVE Arcade, mas a relação principal do público com o jogo tem raízes na sua versão original. Mas porquê abrir a análise de Code of Princess com uma referência tão explicita a outro jogo? Talvez não saibam, mas parte da equipa que trabalhou em Guardian Heroes é responsável pelo jogo que há poucas semanas chegou às Nintendo 3DS europeias. Isto levantou imensa expetativa em relação ao jogo e em uníssono os fãs queriam ter aqui uma sequela espiritual para o clássico da sua infância/adolescência. Porém, Code of Princess dificilmente será recordado como um clássico, muito menos atingir o estatuto de culto de que goza Guardian of Heroes. Reza a história que o reino da herdeira Princesa Solange caiu. Com a Deluxcalibur, a espada sagrada da família, Solange parte atrás de uma rainha maléfica, que tem como objetivo habitar o mundo dos vivos com demónios. A Agatsuma Entertainment, produtora do jogo, não parece ter perdido muito tempo a delinear uma história complexa ou com muitas variáveis. Contudo, apesar de ser impermeável a grandes reviravoltas, não demora muito a que a Princesa partilhe o enredo com um elenco de personagens assinalável. Desde a ladra Ali Baba, Lady Zozo, uma necromante, a Allegro ou a Marco Neco, passando por Sister Helga, uma freira. Porém, apesar de se cruzar com um elenco capaz de fazer corar algumas peliculas Hollywoodescas, apenas quatro dessas figuras de proa podem ser jogadas na campanha principal. A história sensaborona é alimentada por algo especial. Não tivemos oportunidade de experimentar a versão japonesa do jogo, mas a verdade é que os trocadilhos em inglês proporcionam diálogos completamente alucinados. Se os diálogos de Code of Princess fossem um livro, Michiko Kakutani provavelmente esboçava um sorriso a criticá-lo. Quem escreveu aquelas linhas de texto tinha consciência do que o jogo iria ser como um todo. Em vez de se levarem demasiado a sério, os argumentistas aproveitaram o que seria gozado pelos jogadores quando o jogo chegasse às prateleiras e antecipam-se a eles. Sim, estou a falar da indumentária da Princesa Solange. Manuel António Pina, famoso jornalista e magnífico poeta, disse uma vez à filha: "estás toda nua debaixo dessa roupa." Adaptando essa tirada a este jogo, o problema é que Solange não tem praticamente roupa para lhe esconder a nudez. O ponto onde Code of Princess se aproxima mais de Guardian Heroes é na sua jogabilidade. O conceito de jogos como este, que misturam elementos dos Role Playing Games com elementos de jogos de luta, é serem acessíveis a todos os jogadores e posteriormente profundos apenas para alguns, aqueles mais persistentes. A progressão pelos níveis faz-se sempre da esquerda para a direita e pelo caminho vão derrotando hordas de inimigos e bosses, o que vos garante experiência. Tal como em qualquer Role Playing Game, entre missões podem evoluir os parâmetros da vossa personagem e, consequentemente subir de nível. Se já experimentaram algum jogo do género, provavelmente saberão de cor e salteado quais são esses parâmetros, mas ainda assim convém relembrar: energia, ataque, defesa, rapidez, resistência, ou seja, podem personalizar os pontos fortes e os fracos de acordo com aquilo que acharem mais importante, aquilo que melhor satisfaz o vosso estilo de jogo. Também entremeada entre as missões está a possibilidade de comprarem equipamento para melhor dinamizar a vossa personagem. Até aqui, tudo bem. Esta fórmula já foi testada diversas vezes e funciona. O problema de Code of Princess está no combate propriamente dito. A jogabilidade é divertida até ser monótona – eu explico. Quando começam a jogar Code of Princess, a diversão que retiram da jogabilidade é tangencial ao factor novidade. Descobrir o que cada botão faz e combinar isso tudo em golpes consecutivos é interessante. O problema é quando a jogabilidade devia dar o salto para manter o jogador agarrado pelos colarinhos, as mecânicas começam a patinar e pouco avançam. Com o acumular das horas empreendidas no jogo, não conseguimos manter a motivação e a paixão para continuarmos empenhados na nossa cruzada. Impera fazer uma referência ao aspeto 3D do jogo. Tal como foi dito, o jogo desenrola-se da esquerda para a direita, porém, têm ao vosso dispor três níveis de profundidade. Mais uma vez, não é uma novidade, mas enaltece a perspetiva quando jogado com o 3D ligado. Aliás, tecnicamente o jogo está interessante. O grafismo é detalhado e fértil em mostrar as suas raízes japonesas. Muito interessante é também o que o som proporciona. É certo que a música ambiente faz o que lhe compete, todavia, o destaque é merecido pela vocalização. Em muitos jogos deste género, apenas algumas partes do jogo são vocalizadas, recorrendo a balões de texto para as restantes falas. Code of Princess está praticamente todo vocalizado, o que é um feito. Mas ainda porque é esta vocalização que dá vida ao humor dos diálogos já referido. E quando não estiverem a jogar a campanha principal, o que podem fazer com o jogo? A solo podem jogar novamente as missões concluídas para obterem dinheiro extra e experiência ou podem jogar missões bónus desbloqueadas durante a vossa progressão pelo jogo. Apesar de serem adereços capazes de prolongar a vida útil do jogo, os jogadores menos persistentes dificilmente se deixarão embrenhar nestas missões, ideais para quem gosta de fazer "grinding". Se tiverem um amigo perto ou uma ligação à internet ativa, Code of Princess oferece vários modos multijogador. Localmente, podem jogar até quatro jogadores em simultâneo, desde que cada um deles tenha uma cópia do jogo. O jogo oferece dois modos distintos: cooperativo ou competitivo. Na eventualidade de não terem nenhum amigo por perto, podem jogar online através da Nintendo Network. Além de tornar o jogo mais divertido, é um bom local para exibirem o equipamento e as personagens que forem desbloqueando ao solo. Se conseguirem encontrar alguém online, poderão partilhar a aventura em vários formatos: cooperativo, Versus (Ranked), Versus (Free Play) e Versus (Ultimate), além de poderem consultar as tabelas de liderança. Aqui estamos nós, aproximadamente dezassete anos depois de Guardian Heroes ter chegado à Saturn, a discutir Code Princess, o jogo que um dia quis ser a sua sequela espiritual. Compreendemos de onde chega essa vontade, porém, um jogo deste género tem que ser dotado de uma jogabilidade estelar, o que não acontece. Tal como dissemos, a repetição barra a propensão ao vício. Esperamos, sinceramente, que o multijogador ganhe popularidade, pois conseguimos vê-lo como um escape ao jogo a solo. Code of Princess não é um mau jogo e consegue proporcionar alguns pontos interessantes. Como nota de rodapé, convém avisar que no mercado europeu, o jogo da Agatsuma não será colocado à venda em formato físico, portanto, terão que aceder à eShop.
Fonte: Lusogamer
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