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Análise do jogo "Army of Two: The Devil's Cartel" para PS3 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 4 de 10, enviado por friderino,
E ao terceiro jogo da série, um jogo praticamente diferente dos dois títulos anteriores. Army of Two: The Devil's Cartel é um título que promete montes de ação e, se preferirem em modo cooperativo, com mais uma pessoa. A premissa do jogo é muito simples, disparar contra tudo, especialmente o que se mexe. Salem e Rio, os dois protagonistas dos jogos anteriores, também se retiraram do estrelato e do papel de protagonistas num jogo que quer ser um novo começo para a série e mostrar que tem potencial para algo mais que os jogos anteriores não tinham. Será que conseguem? Recomendamos a leitura desta análise para perceberem bem a nossa opinião. Como já foi referido, Salem e Rios não são mais os nossos protagonistas na série, ou se preferirem neste jogo. Mas marcam presença no jogo como personagens não jogáveis. Os papéis de estrelas pertencem agora a Alpha e Bravo (ao que parece quem escreveu o argumento achou os nomes originais), e a missão destes é muito simples, matar toda a gente que aparece pela frente, e são muitos, até chegarem ao grande chefe. Podem não acreditar mas podem contar com algumas surpresas no decorrer da nossa aventura em termos de argumento, isto se forem resistentes o suficiente para chegarem até essas surpresas. Apesar destas surpresas interessantes, que podem ou não achar na vossa aventura, a história de jogo e especialmente os diálogos não são muito cativantes, é verdade que estamos a falar de um título em que o principal foco, para o bem e para o mal, é a ação pura e dura. Claro que é sempre engraçado assistir às inúmeras trocas de insultos entre as personagens, mas com o passar do tempo, pensamos para nós, "se isto fosse na vida real já lhe tinha estoirado a cabeça com uma carrada de balas". Sim, é verdade que nada neste jogo se aproxima ligeiramente da realidade, é um título carregado de tiroteios e explosões nada realistas. Mas são essas situações que deveriam garantir a diversão em The Devil's Cartel, infelizmente ao início parece ser um jogo cheio de problemas técnicos, e não assistimos a nenhuma melhoria ao longo da nossa (des)aventura. Os tiroteios só não são absolutamente ridículos porque o sistema de cobertura oferece momentos de pura adrenalina quando estamos debaixo de fogo inimigo cerrado, ainda assim não é um sistema de cobertura sem as suas falhas, mas é eventualmente a mecânica de jogo mais interessante e o facto de grande parte das coberturas escolhidas serem passíveis de destruição, o que não nos garante cobertura infinita. Mas voltando aos tiroteios propriamente ditos, estamos perante algo que é difícil explicar. A diversão associada a um atirador envolve vários parâmetros como dificuldade, variedade de movimento dos nossos inimigos, inteligência artificial, utilização de armas e respetivas características. Ora em The Devil's Cartel nada disto praticamente importa. A dificuldade é praticamente inexistente, os momentos de maior dificuldade estão apenas associados à péssima inteligência artificial do nosso companheiro, que nos obriga a revivê-lo constantemente. Os nossos inimigos também não devem nada à inteligência e por vezes estão de fila à espera de receber uma salva de tiros. e claro a procura de cobertura por parte destes consegue oferecer momentos hilariantes. e depois temos a utilização das armas e respetivas opções de fazermos melhoramentos e adições que simplesmente não acrescentam nada à experiência de jogo. Enfim, uma lástima. Ao longo da nossa aventura iremos sentir sempre aquela sensação de Dejá Vu. Os inimigos são sempre semelhantes visualmente, como já foi referido não oferecem desafios em termos de dificuldade e depois para além das diferenças visuais de um nível para o outro e algumas sequências ocasionais em que cada um dos protagonistas segue caminhos diferentes, tudo o resto é um copiar, colar descarado. Por exemplo, mesmo escolhendo o nível de dificuldade difícil o jogo raramente oferece momentos de dificuldade acrescidas especialmente se estiverem habituados a jogos do género. O que é uma enorme pena porque não conseguimos aproveitar um dos aspetos mais apetecíveis deste título que é o modo cooperativo. Jogado a solo o jogo não oferece dificuldade nenhuma e se jogarem com mais alguém, bem a competição será semelhante àquela para ver quem é que consegue a melhor pontuação na carreira de tiro. Ou na pior das hipóteses ver quem é que consegue abandonar o jogo primeiro derrotado pelo tédio. Os títulos anteriores também tinham momentos de absoluto anarquismo e irrealismo, mas The Devil's Cartel bate tudo e todos com o modo overkill. Engraçado que esta funcionalidade deveria ser como uma bandeira azul é para as praias. Algo para ser aproveitado. Bem, na realidade é das coisas mais estúpidas que alguma vez foi implementada num Army of Two. O modo overkill consiste em ficarmos invencíveis durante breves momentos, onde disparamos sem parar, sem recarregar as armas, sem gastar munições, sem apontar, sem diversão nenhuma. É completamente ridículo. E ainda se os dois protagonistas tiverem o modo overkill podem utilizá-lo ao mesmo tempo. O pior disto tudo é que não encontramos nenhuma razão para o fazer para além de ganharmos pontos extra, para depois comprarmos armas, máscaras e melhoramentos. Estamos habituados a visuais de topo nos jogos produzidos pelos estúdios da EA, pelo menos nos franchises principais, na verdade não entendemos como é que praticamente no final desta geração é ainda possível ver jogos tão feios. As personagens são horrorosas, os vídeos não têm qualidade praticamente nenhuma, as explosões não deixam saudades e o único aspeto visual que merece destaque pela positiva é o motor de destruição. Conclusão The Devil's Cartel deveria ser uma experiência nova no universo Army of Two, e na verdade é mesmo uma experiência nova, mas é uma experiência péssima, um jogo que não apresenta nenhum aspeto que se destaque pela positiva. É verdade que os dois jogos anteriores nunca foram grandes jogos, mas conseguiam criar experiências próprias, The Devil's Cartel não tem nenhum momento memorável, é uma experiência dolorosa e que dificilmente muitas pessoas irão chegar ao fim, apesar de dar para acabar o jogo em praticamente sete horas. Se estavam à espera que Army of Two: The Devil's Cartel fosse aquele título que vos iria oferecer uma experiência diferente no mundo dos atiradores, podem continuar à espera.
Fonte: Lusogamer
friderino
Enviado por friderino
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