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Análise do jogo "Fallout 4" para PC escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL2ltYWdlczguYWxwaGFjb2RlcnMuY29tLzU5OS81OTkxNjMuanBn[/img] Temos um fascínio inexplicável com o que vai acontecer conosco depois que o mundo acabar. Gostamos de imaginar como será o declínio da humanidade, mas gostamos mais ainda de ter esperanças sobre o que vai restar após esse inevitável fim. A maior qualidade da série Fallout sempre foi a de capturar esse fascínio, distorcê-lo até que se torne irreconhecível e aproveitar o resultado -- bastante agridoce -- em uma ambientação única e cativante. O grande protagonista de qualquer game Fallout é o mundo devastado pela guerra nuclear que nos é oferecido para explorar e, como resultado de nossas ações, impactar. Fallout 4 não muda essa fórmula, apenas a melhora e a atualiza para uma nova geração de jogadores. O novo game é uma evolução natural do que a Bethesda criou em 2008, quando assumiu a franquia em definitivo (antes os jogos da série eram desenvolvidos pela Interplay). Em diversos aspectos essa evolução é bastante conservadora, a ponto de sentirmos em alguns momentos que estamos jogando uma versão 2.0 de Fallout 3. É uma prova da qualidade da ambientação da série e da experiência da Bethesda com mundos abertos podermos dizer que, mesmo com medo de inovar, essa é uma das melhores e mais cativantes experiências de RPG em mundo aberto de 2015. Um minuto para o fim do mundo O mundo acabou diante de seus olhos e, após passar mais de 200 anos congelado em um abrigo subterrâneo, você desperta para uma versão muito mais desolada, insana e sarcástica da realidade que estava habituado. Como o único sobrevivente do abrigo em que hibernou por todo esse tempo, você volta para a superfície pronto para deixar sua marca no pós-apocalipse e na vida de seus sobreviventes. [img]hide:aHR0cDovL2ltYWdlczUuYWxwaGFjb2RlcnMuY29tLzYwNS82MDUzNjQucG5n[/img] A coluna vertebral da narrativa é semelhante a de qualquer outro game da série, mas a história funciona de maneira mais coesa do que em Fallout 3 ou New Vegas. A trama é envolvente e exige comprometimento do jogador com suas escolhas, mesmo que essa maior ênfase no aspecto autoral da história remova um bocado da liberdade nos diálogos e na interpretação do protagonista. O novo sistema de diálogos, que dá voz ao nosso herói, é mais restritivo e linear do que em qualquer outro game da franquia, mas esse é um sacrifício necessário para permitir que Fallout 4 nos conte histórias mais emocionantes. A comparação mais válida é a de que o novo Fallout, em termos de trama, é mais Mass Effect e menos The Elder Scrolls V: Skyrim. Mas Fallout sempre foi mais interessante em suas missões secundárias, que revelam diversas facetas desse pós-apocalipse louco, do que em sua campanha. Essa variedade de histórias e aventuras que vão além da trama principal continua sendo um ponto muito forte no novo game. Explorar as ruínas de Boston nos coloca diante de situações trágicas, cômicas e muitas vezes absurdas vividas por personagens complexos, profundos e algumas vezes simplesmente ridículos. Através deles é que realmente descobrimos as nuances do apocalipse nuclear e percebemos que essa realidade distópica não está assim tão distante da nossa. Toda missão que nos comprometemos a conquistar guarda uma surpresa, um momento divertido ou uma batalha emocionante. Seja uma e-mail pré-guerra sobre burocracias de escritórios, um gravação em voz entre amantes que foram desintegrados na explosão das bombas ou um tesouro perdido em forma de uma caixa de fitas adesivas (acredite, isso é muito preciso), o mundo de Fallout ganha vida através de detalhes e minúcias espalhadas por todos os cantos de seu gigantesco mapa. Brincando de casinha O inesperado e o surpreendente fazem parte do processo natural de se explorar em Fallout 4. Você pode descobrir, em um terminal de computador, que todo o caminho que fez para chegar até certo ponto poderia ter sido evitado caso fosse mais esperto. Você pode estar absorto em passar furtivamente por um bando de bandidos quando, de repente, um ataque de monstros elimina completamente a necessidade de ser sorrateiro. Cada novo pontinho no mapa é uma pequena aventura pronta para ser desbravada, e você nunca sabe exatamente o que vai acontecer a seguir. Não há lugar seguro, ocioso ou sem graça no fim do mundo. O problema de Fallout 3 era que, quando você se cansava de explorar, não havia muito mais o que fazer. A brincadeira se resumia a descobrir, e quando você limpava o mapa, tinha que ficar esperando ansiosamente por um novo DLC ou caçar algum mod de conteúdo. Fallout 4 resolve isso nos oferecendo um sistema complexo e profundo de fabricação de itens, claramente inspirado nos acertos de Skyrim, e também com uma maneira de personalizar o mundo a nossa volta construindo, reformando e melhorando as comunidades que você encontra andando pela desolação apocalíptica. [img]hide:aHR0cDovL2ltLnppZmZkYXZpc2ludGVybmF0aW9uYWwuY29tL2lnbl9ici9zY3JlZW5zaG90L2RlZmF1bHQvMjkxMjkxNC1mYWxsb3V0NC1jb25jZXB0LWJsYXN0LTE0MzQzMjM0NTlfcWZyYi5qcGc=[/img] Se você jogou Fallout Shelter, já tem uma noção básica de como a construção de assentamentos funciona em Fallout 4. Você precisa cuidar de recursos como água, alimentação, energia e dormitórios para manter os habitantes da comunidade felizes. Além disso, é possível personalizar todo o vilarejo com decorações, móveis e casas construídas com suas próprias mãos. A liberdade oferecida por esse sistema é impressionante e nos incentiva a angariar recursos durante nossas explorações, já que praticamente qualquer tralha que você encontra pode ser usada para construir coisas bacanas para seu pequeno feudo. É um ciclo natural: saquear os lugares que você explora e usar os espólios para construir coisas novas. Esse processo deixa Fallout 4 mais envolvente e menos enjoativo do que seus antecessores. Déjà vu Fora isso, todas as outras mudanças de Fallout 4 são puramente evolucionais. O game certamente melhora todos os aspectos de sua jogabilidade e mecânicas, mas não revoluciona nenhuma delas. Ainda estamos falando de um RPG de mundo aberto envelopado em um shooter, mas tudo funciona melhor e de maneira menos travada do que em Fallout 3. Atirar é mais divertido, explorar é mais emocionante e criar o personagem com quem você quer jogar é mais simples e intuitivo. Mas mesmo com melhorias claras no tiroteio e mudanças no sistema de evolução de personagens (que fazem todas as nossas escolhas serem mais significativas), ainda há a notável sensação de que Fallout 4 é o que Fallout 3 deveria ter sido desde o princípio. [img]hide:aHR0cDovL2ltLnppZmZkYXZpc2ludGVybmF0aW9uYWwuY29tL2lnbl9ici9zY3JlZW5zaG90L2RlZmF1bHQvZmFsbG91dC00LTQyX2dkaGUuanBn[/img] Isso restringe o público do game a quem já gosta do que a Bethesda faz desde The Elder Scrolls IV: Oblivion. Não há como Fallout 4 seduzir um jogador que não gostou de Fallout 3 ou Skyrim. Até mesmo os característicos bugs (defeitos gráficos aleatórios e travamentos ocasionais, por exemplo) dos jogos da produtora ainda estão presentes, mesmo que menos prevalentes do que poderíamos esperar, provando mais uma vez que a Bethesda não se importa em usar seu público como beta testers de seus produtos já lançados. Nada disso torna Fallout 4 um jogo ruim. Pelo contrário, ele é uma das melhores experiências de mundo abertas já criadas e um dos melhores jogos de 2015. É divertido, emocionante, envolvente e repleto de momentos memoráveis. Mas a concorrência está apertando para o lado da Bethesda. The Witcher 3: Wild Hunt e Metal Gear Solid 5, dois games de franquias já estabelecidas, nos provaram este ano que inovar, renovar e até mesmo revolucionar pode ser bastante positivo mesmo em uma série já reconhecida e adorada pelos fãs. Vamos ver se a criadora de Elder Scrolls saca essa dica para seus lançamentos futuros. Quem deve jogar este game Fallout 4 é para quem não tem preguiça de mundos abertos, imensos e cheios de surpresas. É para quem gosta de uma bela distopia com toques de ironia. É para quem gosta de histórias cativantes ou um tanto bizarras e de ver as consequências de suas escolhas no mundo. Mas não é um jogo para quem não vê graça em bugs, para quem não tem paciência de aprender por conta própria ou para quem não gosta, de modo geral, do que a Bethesda faz de melhor. Ah, e se você não gosta de ler, vai perder um bocado do que há de melhor nesse universo pós-apocalíptico incrível. O VEREDICTO Fallout 4 é exatamente aquilo que os jogadores de Fallout 3 poderiam esperar de uma continuação de qualidade para série. Ele não revoluciona, mas evoluí uma fórmula que funciona muitíssimo bem, obrigado. Pode ser que esse conservadorismo no design de seus jogos se torne o calcanhar de aquiles da Bethesda no futuro, mas enquanto isso não acontecer, vou estar matando muitos supermutantes ao som de Bing Crosby e Ella Fitzgerald no meu pós-apocalipse retrofuturista favorito. Sessenta horas de Fallout 4 já estão na minha conta, e não duvido que ainda estarei encontrando o que fazer nele quando o mundo acabar de verdade. [img]hide:aHR0cDovL2kuaW1ndXIuY29tL1UyNGhxY3UucG5nPzE=[/img]
Fonte: IGN
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