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Análise do jogo "Yakuza: Dead Souls" para PS3 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy95YWt1emFfZGVhZF9zb3Vsc180X2d1eXMuanBn[/img] Pense no conceito de uma invasão zumbi na cultura pop em geral. Afinal, estamos na era dos mortos vivos e qualquer desculpa serve para uma infestação de cadáveres dentro de uma obra. Yakuza Dead Souls chega como uma espécie de paródia a todo esse climão de desolação e tumulto, só que coloca como sobreviventes quatro personagens tão ou mais temidos que os zumbis. E para eles não há distinção entre seres humanos ou monstros: olhou feio, levou na cara. Não há surpresas em relação à trama. Decidiram que Kamurocho era um excelente local para testar uma nova arma biológica, então, procuraram por alguém que pudesse financiar tal operação. Some isso a uma pequena rivalidade pessoal e um desejo de vingança sem precedentes contra o lendário Yakuza, Kiryu Kazuma, e comece uma guerra. Não só Kamurocho está infestada de zumbis, como Haruka, protegida de Kiryu, foi sequestrada pelo mesmo homem que parece ser o mandante de todo o caos. Com o orfanato Sunflower em boas mãos, ele segue rumo à Tóquio, para resolver esse probleminha. Ele só não contava com o estado atual da praga zumbi que assolava seu bairro preferido. E a real é que ele estava pouco se lixando, só quer saber de Haruka. Dividido em quatro grandes arcos, logo de cara você vai notar que esse não é só mais um jogo de zumbis. Você está dentro do mundo já habitual de Yakuza - mesmos gráficos, funcionalidade semelhante e muitos mini games - e essa parte de zumbis vai parecer muito mais uma sidequest do que qualquer outra coisa. Mas não leve isso para o lado negativo, já que a trama bem amarrada provavelmente vai lhe prender por longas horas. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy95YWt1emEtZGVhZC1zb3Vscy1lZ2FtZXItMTEuanBn[/img] Assim como em Yakuza 4, a história é dividida sob a perspectiva de quatro personagens, que vão se encontrando no decorrer do jogo: Shun Akiyama, Goro Majima, Ryuuji Goda e, claro, Kiryu Kazuma. Cada um deles possui uma trama principal e algumas histórias paralelas exclusivas, que não podem ser feitas caso você avance para o capítulo seguinte. Aliás, um dos grandes méritos de Dead Souls é exatamente esse, a exploração emocional dos heróis de uma forma individual e bem balanceada, sem desmerecer nenhum deles, seguindo o mesmo molde da série oficial. Como um jogo de ação propriamente dito, talvez ele deixe a desejar. Dead Souls não prima por uma mecânica excelente, tampouco inovadora. Assim como a maioria dos jogos que seguem uma linha mais survivor, a câmera é ancorada no personagem, e isso faz com que você precise direcionar o herói para a ação propriamente dita, gerando uma maior sensação de pavor em certos momentos. O travamento de mira no inimigo também foge à regra padrão. Ele só funciona quando os zumbis estão bem próximos, fazendo com que o tiro seja sempre na cabeça - essa na verdade é uma habilidade especial que pode ser evoluída com o passar do jogo. É lógico que o terror logo passa, afinal, quem vai temer uma hordazinha de mortos-vivos munido de uma gatling no lugar do seu braço esquerdo? A ideia de que essa infestação zumbi é "apenas mais um problema a ser resolvido" é uma constante. No começo do jogo, é você até pode compartilhar esse sentimento, já que a área infectada é mínima. Mas de acordo com o avanço da história, com o exército invadindo o local com tanques de guerra, portões de isolamento e monstros gigantes destruindo tudo ao seu redor, esse pensamento conflitante acaba tornado-se a veia humorística e o maior trunfo de Dead Souls. Existe uma mentalidade japonesa de tratar as coisas, não pelo que elas são, mas pelo que elas representam, que é ilustrada com perfeição (mas de forma caricata) em Dead Souls. Quando Kazuma chega em Kamurocho, ele está tão sério e bravo que nem se dá conta do que realmente está acontecendo. Ele não quer saber de nada, a não ser o bem estar de Haruka. Logo de cara, tromba com um zumbi de ombro, mas sua reação é inesperada: "Ahn, você tá louco?", e dá uma surra no morto-vivo, sem se importar com a aberração que é alguém que já morreu partindo para o canibalismo louco . O mesmo vale para todos os outros, em situações semelhantes ou piores, mas que vêem apenas uma mera questão a ser resolvida, não o pesadelo de qualquer pessoa normal. E claro que não poderia deixar de estar presente, aquela visão bem aventurada do yakuza japonês, que serve como um alicerce aos necessitados mediante toda aquela destruição. São eles que ajudam uma turma presa em um shopping center e arriscam seus pescoços para resgatar o bebê choroso, ficam indignados com algumas decisões militares, sacrificam-se pelo próximo e nunca abandonam ninguém. É claro que essa é uma visão bastante otimista e parcial da atividade yakuza no país, mas nem de toda mentirosa. No terremoto que ocasionou o tsunami no Japão, em 2011, o grupo Inagawa-kai (uma das maiores famílias yakuza do Japão), mobilizou e enviou cerca de 100 toneladas de suprimentos aos necessitados, incluindo as áreas de maior concentração radioativa. A primeira vez que a máfia atuou de forma filantrópica na ajuda aos necessitados foi em 1995, no terremoto de Kobe. Ainda sim, a Yakuza é um tipo de organização criminal secular, mas que possui uma maneira própria de diminuir a criminalidade. Em algum lugar de Kamurocho... Ryuuji Goda, também conhecido como o Dragão de Kansai, decide que a área interditada de Kamurocho é o melhor lugar para fritar takoyakis (um bolinho japonês recheado de polvo) e dar uma lição de moral em alguns jovens rebeldes. Goro Majima, braço direito de Daigo Dojima, sexto líder do clã Tojo, empresta seus serviços a uma dupla de cineastas que pretende usar o 'outbrake' zumbi para filmar o melhor longa metragem de todos os tempos. Shun Akiyama, o maior agiota de Kamurocho, corre para cima e para baixo em busca de um remédio para sua secretária, Hana. E Kiryu precisa invadir a zona restrita para buscar um grupo de ativistas pró-zumbis, uma galerinha do bem que luta pelos direitos dos zumbis: "Vocês não tentam nem uma aproximação menos agressiva, partem logo para o tiroteio! Parem com isso", gritam, dentro da área em quarentena. Essas passagens, em sua maioria extras à história principal, não são uma mera distração à trama principal. Sim, elas carregam o alívio cômico necessário para uma missão paralela, mas também são fundamentais para o destravamento de personagens extras para a aventura. Dead Souls possui uma mecânica de parceria que é apresentada de uma forma automatica no começo da história, mas que pode ser evoluída à medida que você encontra os personagens certos. Quando você está no controle de Kazuma e encontra Ryuuji, e este junta-se ao seu time, é uma escolha do próprio jogo. Mas duplas podem ser feitas sempre que você encontrar algum personagem extra durante o Free Roam do jogo. Aí é possível até evoluir suas habilidades (destreza com armas, energia, força), evitando que ele venha a perecer rapidamente (a inteligência artificial não é um primor). Mini games como os hostess clubs também passam por um processo semelhante. Na aventura de Kazuma Kiryu, temos algumas dessas casas querendo enganar o herói, colocando garotas zumbis para atendê-lo. Um parênteses: ao mesmo tempo que é completamente cômica a situação, é impossível não ficar com aquela sensação de "se isso fosse de verdade (zumbis), é bem capaz desse tipo de situação realmente acontecer". [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy95YWt1emEtMy5qcGc=[/img] No caso das hostess, você vai colecionando seus cartões de visita e aumentando seu carisma sempre que as escolhe para acompanhá-lo. Além dos hostess clubs, ainda temos os karaokês - e uma participação inédita de Goro Majima nos vocais -, jogos de dardos, sinuca, pachinko e até mahjong, que havia sido censurado em Yakuza 3 por algum motivo banal. As lojas, restaurantes, conbinis (lojas de conveniência) estão todas lá, funcionando da mesma maneira. A diferença é que elas devem ser "resgatadas". Devido à infestação, cada uma dessas lojas precisa da sua ajuda para reabrir as portas. No geral, atenda o pedido de socorro, elimine todos os zumbis e tenha a loja à sua disposição. O problema é que o loading para trocar de cenário é um tanto quanto irritante, basicamente o mesmo da série original. Yakuza Dead Souls é um spinoff com cara de continuação. Ele segue de perto os acontecimentos de Yakuza 4, mas provavelmente não será considerado no futuro. Se for, ponto para Toshihiro Nagoshi por ser tão maluco. Feito para você, viciado no mundinho mafioso criado pela Sega, mas que gosta também daquela ação cheia de tiroteios e afins.
Fonte: GameTV
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