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7.5

Análise do jogo "inFAMOUS: Second Son" para PS4 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 7.5 de 10, enviado por inuyasha302,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy8xMzk0ODYzMTU2LTUuanBn[/img] É muito estranho ver acontecer esse ritual de passagem entre a "antiga" e a "nova" geração dos videogames. Ficamos com a impressão de que tudo vai ser melhor e grandioso, quando na verdade somos "agraciados" com um marco zero, um novo começo sem continuidade com o trabalho já realizado pelas equipes responsáveis. Pelo menos foi essa a sensação que tive ao jogar inFamous: Second Son. Um novo herói Delsin Rowe, 24 anos, é um cara descolado. Artista de rua por rebeldia, pratica a sagrada arte do stencil com spray e seus desenhos são incríveis. Aliás, o minigame em que utilizamos o spray é uma das coisas mais fantásticas já criada para um jogo. É estúpido, eu sei, mas quando você vira o DualShock 4 verticalmente, e o mesmo encaixa com perfeição na sua mão, daí você o chacoalha e escuta, através da caixa de som do joystick, a bolinha de dentro da lata de spray é ridículo de divertido. E aí você pinta, e a luz do controle acende correspondente à cor que você usa no jogo. Bacanudo mesmo. Mas voltando, Delsin é um Conduit, mas só descobre essa sua "deficiência" após um acidente envolvendo um carro do Departamento de Proteção Unificada (D.U.P., em inglês) e três fugitivos superpoderosos. Aí eu te pergunto: você lembra de Heroes? Pois bem, nosso colega Delsin é exatamente como nosso estimado chorão Peter Petrelli, da série Heroes, uma esponja superpoderosa. Ele pega para si qualquer poder com o qual tem contato físico. Apesar do susto inicial, logo ele começa a se acostumar com a situação e até passa a tirar proveito dela. É lógico que as coisas não vão como o esperado (nunca vão) e sem querer, ele se envolve com o pessoal da D.U.P. e uma megera chamada Brooke Augustine, cuja habilidade consiste em manipular a rocha. Tretas, mais tretas, e no final estamos correndo para Seattle em busca da bruxa má para absorvermos seu poder e salvarmos o povo da nossa aldeia, que sofreu bullying e precisa de cuidados médicos específicos, no caso, a tal habilidade especial de manipulação da rocha. Durante o caminho, é óbvio que vamos encontrando pessoas que nos ajudam e cedem seus poderes, como é o caso do "Neon" visto em diversos trailers do jogo. De volta aos primórdios Sejamos justos, uma nova plataforma no mercado requer um novo estudo das ferramentas de criação, da forma como os devs pensam os jogos e outras tecnicalidades do seu desenvolvimento. O que a Sucker Punch realizou em Second Son merece elogios sim, mas também alguns puxões de orelha bem dados. Visualmente o jogo está incrível. Acho que foi a primeira vez que tive a sensação de estar jogando algo impossível de ser reproduzido no PlayStation 3. A iluminação natural da cidade, o concreto das ruas, as fachadas dos prédios super detalhadas, a fumaça que sobe dos esgotos, as partículas chamuscadas da fumaça e a chuva, que bela chuva. E quando anoitece, os outdoors contornados pelas lâmpadas de neon impressionam você até o final da aventura. Na parte técnica, a cidade totalmente renderizada, sem aqueles desaparecimentos esporádicos, é de se notar. Mas deslizes aqui e ali são mais recorrentes do que deveriam, principalmente em relação ao peso do personagem. Parece que Delsin é feito de isopor em praticamente todos os momentos em que o colocamos para escalar alguma coisa. Aliás, erro brutal deixá-lo com as mesmas animações que Cole McGrath, protagonista dos jogos anteriores. Não faz sentido algum dentro do contexto do personagem ele manjar de Parkour, por exemplo. No chão, e ainda com as mesmas animações do jogo anterior, o novo Conduit se sai muito bem. O combate à distância continua fluindo de forma excelente, com explosões pelo cenário, inimigos cheios de poderes e nenhuma queda de framerate. Além dos veículos, é possível destruirmos certas instalações da D.U.P. como parte da estratégia de combate. E mesmo com sua energia regenerativa, é muito importante pensar bem antes de uma investida a uma das inúmeras bases de comando da D.U.P., porque o bicho pega forte. Uma das artimanhas mais bacanas de Second Son é como ele se utiliza do touchpad do controle. Com o arrastar do dedo você pode abrir portas, colocar sua impressão digital em scanners de identidade e sugar a energia residual dos neons da cidade e das chaminés de fumaça, entre outros. Ele gera uma certa imersão ao jogador quando o força a "se movimentar" como Delsin dentro do game. Um bom exemplo disso acontece durante a destruição dos veículos de controle das estações D.U.P. espalhados pela cidade. Arrastamos o dedo verticalmente e o mantemos lá, e Delsin, dentro do jogo, ergue o núcleo do centro de comando e o mantém firme, enquanto o R2 termina o trabalho, destruindo-o por completo. Grandes poderes, poucas responsabilidades A grande sacada da série inFamous é o seu sistema de carma. Ele funciona da seguinte maneira: durante a história, somos forçados a tomarmos decisões que vão afetar a nossa forma de ver o mundo. Podemos ser bonzinhos ou extremamente ruins, e, dependendo do caso, a vontade de se aproveitar da situação é tão grande q eu recomendo a criação de um save extra para essas ocasiões. Brincadeiras à parte, as escolhas influenciam diretamente o decorrer da história, gerando duas personalidades distintas e novas técnicas, dependendo do caso. Em inFamous 2, foi possível vislumbrar uma evolução desse sistema, que impactava não somente o personagem, mas todas as missões que viríamos a executar, tudo de acordo com o seu caráter. Foi um dos pontos mais bem criticados do segundo game, e com razão. Second Son abandona por completo esse desenvolvimento. O retrocesso é tamanho que parece estarmos jogando um "inFamous HD", somente. Os poucos momentos que somos forçados a tomar uma decisão, estão espalhados no jogo de uma forma bem dispersa, e modificam pequenas partes de um todo. Ainda temos dois finais diferentes e novos diálogos caso o lado negro da força seja mais atrativo. No entanto, o lapso entre essas novas passagens, mais pesadas, e os maneirismos do personagem como ele é de verdade (dá a entender que o lado bom é o final verdadeiro), de vez em quando deixam as coisas meio sem pé nem cabeça. O próprio fato de não podermos mesclar nossos sentimentos em diversas passagens do game deixa tudo muito preto no branco. E uma vida de decisões e consequências nunca deveria ser assim, menos ainda rodando em um PS4. As missões paralelas voltaram a ser tediosas, sem inspiração alguma e se repetem até mesmo depois do final do jogo (caso você não as tenha finalizado antes). Depois de quatro setores varridos com perfeição, e sem distinção alguma uns dos outros, toda e qualquer esperança de que as coisas mudem no futuro é extirpada das suas entranhas, sem dó. Pelo menos o lance de sermos obrigados a seguirmos um só tipo de carma, e com ele, o desenvolvimento completo de nossas habilidades (fogo ou gelo, no caso de inFamous 2), não existe. Isso é bom porque, como Delsin, podemos absorver quantos poderes quisermos (ou que o jogo queira que absorvamos). Por esse escopo, as possibilidades seriam infinitas. Na vida real, nem tanto. Apesar da completa distinção (visual e elemental) entre poderes, todos seguem mais ou menos o mesmo esqueleto padrão. Temos um novo tipo de locomoção a cada poder descoberto, e isso é a parte mais divertida de ganhar uma nova habilidade; tem também o poderio de fogo, parecidos, mas diferentes em certas peculiaridades; os ataques especiais, que apesar de funcionarem mais ou menos da mesma maneira, são mais ou menos eficazes entre si; e por fim, um mega ataque especial que detona tudo que estiver na tela, e varia de animação entre as habilidades. Não existe uma real necessidade de trocarmos os poderes durante o combate. Usamos o que está mais perto - a troca acontece mediante a absorção de um determinado elemento, como fumaça ou luzes neon. Não existem fraquezas a serem exploradas nos inimigos ou estratégias mais complexas nesse sentido. Use o que tiver em mãos, mas algumas peculiaridades dos poderes ajudam mais (ou menos) no combate geral. A ideia de que cada nova habilidade adquirida é mais forte que a anterior pode ser aplicada aqui sem parcimônia. Jogar inFamous: Second Son torna-se uma experiência muito melhor caso seja a sua primeira experiência com a franquia. Sério, o jogo não é ruim, mas aperta o coração ver desperdiçado todo um trabalho corretivo às mesmíssimas críticas do primeiro game. Acho que não precisamos ver as empresas voltarem a engatinhar nessa primeira leva de jogos. À esta altura do campeonato, todos já deveriam saber que somente visual não segura o jogador por muito tempo, por mais bonito que ele venha a ser. *ATUALIZADO: É possível colocar áudio e legendas em português do Brasil, mas é preciso mudar o idioma do console, assim como nos jogos antigos de PS3. Um lapso da minha parte em não avisar isso no texto. Sem opinar profundamente no assunto (joguei pouco mais de 10 minutos), deu para perceber que o áudio em português foi bem mixado com os demais sons do jogo. Muitas vezes acontece de que o áudio em português parece ter sido colocado por cima, sem profundidade ou respeito com os demais sons ambientes do jogo. E não é o caso em Second Son.
Fonte: GameTV
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
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