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4.4

Análise do jogo "Super Mario Galaxy" para Wii escrito por Fliperama

Escrito por Fliperama, nota 4.4 de 5, enviado por Giordano Trabach,
Não se pode falar da Nintendo sem ao menos citar seu principal e mais carismático mascote. Mario, que já chegou a ser mais famoso que Mickey Mouse, estrelou em inúmeros games, em gêneros como plataforma, puzzle, adventure e corrida, sendo figurinha marcada em qualquer plataforma da companhia. Depois de ter aparecido em Super Mario Sunshine no Gamecube, um jogo recebido com críticas bem mistas, o encanador volta no Wii com um novo jogo, completamente original. [img]hide:aHR0cDovL2ZsaXBlcmFtYS50ZXJyYS5jb20uYnIvY2FuYWlzL2dhbWVzZWRpY2FzL21hcmlvZ2FsYXh5L21hcmlvX2dhbGF4eV8xLmpwZw==[/img] Ou devo dizer, nem tanto. A história continua sendo a mesma no geral. Envolve o rapto da pobre princesa Peach, pelas mão do tirano Bowser, que em uma curiosa manobra rapta a garota e todo o seu castelo e os leva para o espaço sideral. Mario, na tentativa de resgatá-la, é também lançado ao espaço e vai parar em uma pequena galáxia, lar dos pequenos Lumas. Sua princesa, Rosalina, embora parecida com Peach, é responsável por injetar uma boa porção de drama no game, já que sua história é uma série de contos com um certo toque melancólico e um pouco destoante do resto do jogo. Por isso, tão agradável quanto ter esta interessante trama como fundo ??? acessada através de uma sala no observatório - é ter a opção de pulá-la completamente e focar apenas na ação do título. E, no que compete à ação e jogabilidade, Super Mario Galaxy acaba remetendo menos à Super Mario Sunshine e mais ao clássico Super Mario 64 - o jogo apresenta a mesma progressão, que objetiva a coleta de um diverso número de estrelas, encontradas ao se completar atividades em mundos cujo design é tão excêntrico quanto o jogo do N64. A comparação ao divisor de águas, que ensinou ao mundo dos games como fazer bons e divertidos jogos 3D, não para por aí, pois os cenários mais parecem grandes puzzles do que áreas com significância ou relevância (como a cidade de Super Mario Sunshine). Isso parece gerar uma sensação de disjunção e fragmentação na experiência do game ??? não há grandes fios condutores no design geral ??? mas, como Mario 64, isso faz com que cada cenário tenha seu próprio peso e que o entretenimento seja naturalmente mais momentâneo, baseado na experiência única que cada um dos variados estágios proporciona. A principal diferença entre os dois, e o que coloca Galaxy como um jogo único na quilométrica franquia, é toda a dinâmica do espaço. Mario agora está imbuído de físicas extremamente complexas e sua movimentação, embora similar ao do encanador de Mario 64, é influenciada pelos campos gravitacionais dos diversos planetas que percorre. Cada estágio é uma galáxia, composta por uma série de pequenos corpos celestes, de formatos e dinâmicas distintas, formando uma rede de desafios e quebra-cabeças. Mario pode viajar por entre eles por meio de estrelas, que lançam o personagem quando o jogador dá um leve balanço com o wiimote. ?? importante citar que o game faz um uso bem inteligente do sensor de movimento: o jogador pode usar o controle como uma mira em um jogo de tiro, para capturar pequenas estrelas coloridas, que servem como a moeda do jogo, e pode ainda atira-las contra os oponentes como o botão B. Fora isso, o game só exige gestos do controle em uma corrida nas costas de uma raia gigante ou controlando uma bola no melhor estilo Super Monkey Ball. Tudo é bem preciso e serão raras as vezes em que o gesto não será corretamente lido pelo jogo. ?? bom ver que a Nintendo decidiu manter os controles baseados no leitor de movimento em um mínimo, focando numa experiência mais confiável do que jogos como Red Steel. [img]hide:aHR0cDovL2ZsaXBlcmFtYS50ZXJyYS5jb20uYnIvY2FuYWlzL2dhbWVzZWRpY2FzL21hcmlvZ2FsYXh5L21hcmlvX2dhbGF4eV8yLmpwZw==[/img] Como em Super Mario Bros. 3, o encanador tem a sua disposição um extenso ???guarda-roupa???, que permite que ele ganhe acesso a novas habilidades. Há desde a adorável roupa de abelha, que Mario utiliza para voar e andar por sobre colméias até clássicos como a roupa que possibilita que Mario lance bolas de fogo ou outra que o torna invencível por um certo período de tempo. Uma mais inusitada permite que Mario se transforme em um Boo e atravesse paredes sólidas. O design de fases encoraja o jogador a fazer uso de cada vestimenta que estiver ao seu alcance, e exige pensamento rápido, em uma dinâmica de jogo ágil e divertida, porém pouco desafiadora. A busca pelas 60 estrelas que liberam o estágio final é bem fácil se comparada a do clássico do N64, ou mesmo de jogos plataforma mais antigos, e os chefes exibem pouco desafio. A dificuldade vai aumentando gradativamente conforme o jogador avança pelas fases, mas veteranos da série só vão achar um desafio à altura nos últimos momentos de jogo. Paralelamente, a procura por todas as estrelas aumenta consideravelmente o desafio e é recomendado, visto que recolher todas libera o final especial do game. Desde as cenas de abertura já dá para perceber que a apresentação visual do game é uma das melhores do console, demonstrando todo o seu potencial gráfico: distorções acompanham o calor de bolas de fogo, partículas voam com o choque de meteoritos, a água apresenta efeitos de reflexão e refração da luz e os próprios personagens respondem realisticamente à iluminação ambiente. Isto sem contar o trabalho de textura que cria espaços que, embora sejam complexos, têm todo um visual clean e leve, com uma palheta de cores extremamente agradável aos olhos. Cada planeta tem um formato único e inusitado que varia desde uma grande casa de brinquedos, maquinárias e mesmo uma cabeça de yoshi gigante. Tudo isto é completado por uma incrível direção de arte e um cuidado muito especial com as animações in-game. Embora o visual infantil possa desanimar alguns, todo o design e o departamento visual criam um pacote que é essencialmente obrigatório a qualquer fã do Wii. A câmera no game, embora sendo fixada em posições estratégicas e tendo que dar conta das complexas manobras que Mario executa em baixa gravidade ??? muitas vezes resultando em uma volta completa ao redor de um planeta ??? é muito competente, focando não só no personagem, mas também em áreas de interesse ou em soluções visuais para certos desafios. A Nintendo prossegue firme com a decisão de colocar o mínimo de dublagem possível em seu game. Embora a decisão tenha ferido games mais envolventes e emocionalmente épicos como The Legend of Zelda: The Twilight Princess, em Mario Galaxy isso se torna apenas um detalhe. A única voz que aparece é da princesa Peach, lendo a carta que envia a Mario, em um estilo similar ao de Super Mario 64, além dos clássicos maneirismos de Mario. O que mais vale para a experiência, no fim das contas, é a trilha sonora que, em Galaxy, é muito forte e competente, dando um tom épico às manobras do italiano pelo espaço. Ela é majoritariamente orquestrada e traz de volta temas musicais de games anteriores de uma forma bem inteligente, levando o jogador através do rico material criado por Shigeru Miyamoto no decorrer das últimas décadas.
Fonte: Fliperama
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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