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8.5

Análise do jogo "Runaway: A Twist of Fate" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Nos dias de hoje, o gênero de adventures aponte-e-clique, que tiveram seu auge nos anos 80 e 90 com clássicos da Sierra e LucasArts (King's Quest, Loom, Laisure Suite Larry, Maniac Mansion, Monkey Island), vem sendo pouco, porém bem revisitado. O retorno de Sam & Max e Monkey Island, e a presença de alguns estreantes como Strong Bad mantiveram fresco o gênero, com a ajuda de um pouco conhecido, porém bastante atraente, Runaway, uma trilogia da produtora espanhola Pendulo Studios, lançado pela Focus Home Interactive. Tivemos o prazer, na ocasião, de avaliar o primeiro, e agora, quatro anos depois, nos deparamos com o terceiro e final capítulo da saga de Brian e Gina, o quase Nerd e a dançarina que se envolvem numa fria. Os dois se conheceram quando Gina, testemunha de um assassinato, foge desesperadamente da boate onde trabalhava, quando esbarra em Brian. Após se apaixonar imediatamente pela exuberante garota, ele passa a ajudá-la incondicionalmente e para fugir da máfia eles até se aventurarão no deserto. No segundo episódio, a dupla, agora oficialmente namorando, viaja de férias para o litoral, mas o velho dito "hora e lugar errados" os coloca diante de uma série de desgraças, incluindo o assassinato de um coronel, cuja culpa recai sobre Brian. Condenado, ele é enviado para um sanatório, por alegar amnésia. Durante os capítulos, os jogadores alternarão entre os dois personagens, com Gina tentando descobrir pistas que inocentem Brian, enquanto, paralelamente, foge de sua prisão. Mas, isso é apenas o início, pois a história ainda reserva muitas surpresas para o casal e seus fiéis fãs. Como de costume, os jogadores provavelmente apreciarão a história não apenas porque ela é bem bolada, mas por conter personagens simpáticos e situações bastante inusitadas e bem humoradas. Seja pela briga entre dois fãs inveterados de Chuck Berry e Elvis Presley, ou pela enfermeira que ameaça pacientes com seu taser ou por Marcelo, uma figura de circo. O elenco pode não superar o trio de Drag Queens do primeiro, mas agrada muito. As dublagens em inglês bem trabalhadas ajudam bastante a fortalecer os personagens ??? talvez não muito por Gina, pois há vezes que suas falas saem um pouco forçadas. Como todo "aponte-e-clique" que se preze, a gameplay de A Twist of Fate é 100% voltada para enigmas lógicos, ou seja, para poder avançar no jogo é preciso resolver quebra-cabeças usando muito raciocínio e bastante imaginação. A maioria dos enigmas realmente segue alguma lógica, e com bastante atenção e certo conhecimento, os jogadores bolarão resoluções insólitas, vasculhando todos os cantos do cenário em busca de objetos que terão, ou não, alguma serventia. Alguns deverão ser usados em conjunto (afinal, uma lousa branca teria mais utilidade se tivéssemos uma caneta hidrográfica, não?) enquanto outros simplesmente estão lá para confundir ainda mais nossa cabeça. Certos enigmas, no entanto, vão acabar sendo resolvido meio que por tentativa e erro, já que nem sempre é fácil compreender o que o personagem tem em mente com os objetos que tem em mãos. O alvo de nossa resenha promete fundir os neurônios de muita gente, e, aliás, essa foi uma mudança sensível com relação ao primeiro game: a dificuldade. Os enigmas de A Twist of Fate estão mais elaborados e complicados dessa vez, e talvez por isso o jogo ofereça duas formas distintas para facilitar a vida do jogador. A primeira delas, já presente nos anteriores, é uma opção que mostra todos os objetos ou pontos interativos do cenário, destacando-os atrás de um símbolo em forma de olho. A segunda é o Hot Line virtual, um sistema de auxílio por telefone onde um suposto empregado da Pendulo Studios dá dicas sobre o que se deve fazer em seguida, sem apresentar a solução de forma direta, mas trazendo alguma luz para a mente do jogador. Essa segunda opção facilita bastante, e só deve ser usada no caso de realmente o jogador estiver completamente truncado, com risco de eliminar parte da graça ??? embora seja uma excelente saída na hora dos puzzles de tentativa e erro. Visualmente, o game mescla cenários em 2D com personagens em 3D, mas desenhados de tal forma que se mesclam com eficiência sem se destacar. A animação é boa na maior parte do tempo, mas vez por outro ela desanda um pouco, mas nada muito gritante. A tecnologia utilizada dá um tom ao jogo de que tudo foi desenhado à mão ??? e na verdade foi, mas o acabamento não esconde por completo esse detalhe. Em razão disso, é perceptível que os modelos possuem um design bem bacana, mas dessa vez ocorrem algumas disparidades ??? às vezes parece que Gina e Brian tiveram alguns desenhistas com estilos próprios e diferentes. A Twist of Fate possui uma trilha sonora padrão, sem pompas. Curioso é que às vezes duas músicas tocam ao mesmo tempo, formando uma estranha cacofonia, mesmo que em baixo volume. As dublagens em inglês, no entanto, são bem bacanas e acrescentam um toque de humor ao jogo, seja pelo sarcasmo dos protagonistas ??? principalmente quando o jogador os manda fazer algo absurdo ??? ou até pelo sotaque ou jeito de falar de outros. Tudo muito bem feito. Nem mesmo uma produção como essa, teoricamente mais simples que títulos AAA, foge de problemas técnicos. Há alguns bugs como frases bruscamente cortadas (impedindo que o jogador as leia), glitch impedindo a interação de certos objetos (felizmente não trava o jogo, mas impede que obtenhamos resposta a uma ou outra tentativa), e outras imperfeições aqui e ali ??? como a cacofonia musical que citamos anteriormente. [t2]A favor:[/t2] [list]Enigmas mais cabeludos do que nunca; Sistema de ajuda hilário, e convidativo para os novatos; História hilária e original, alternando entre Brian e Gina; Personagens simpáticos, protagonistas irônicos e muito humor em alguns diálogos.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]Alguns bugs que não chegam a travar a história, mas às vezes travam o jogo; Certas resoluções de enigmas são um pouco forçadas e precisarão do velho esquema tentativa e erro.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Runaway: A Twist of Fate tem alguns pequenos deslizes, mas nem por isso desagradará aos fãs. Com dezenas de enigmas lógicos e algumas soluções irracionais, o game traz também uma história bem humorada e contada de maneira clara. Novamente o elenco é formado por algumas figuras carismáticas e outras nem tanto, e o visual cartunesco remeter e muito o ar clássico dos jogos de aponte-e-clique de outrora. Se você é fã do gênero, faça-se um favor: procure por "A Twist of Fate" na loja virtual recomendada pela produtora e compre-o. São US$ 40 que valerão o custo.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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