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8.9

Análise do jogo "Brutal Legend" para PS3 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Jack Black, você conhece aquela figura. Se não conhece, podemos quebrar o seu galho. Thomas Jacob Black, seu nome real, é um artista multimídia. Vez comediante, vez ator de grandes filmes de Hollywood e até mesmo músico, nas horas vagas ou não. Entretanto, há uma característica de Black que é pertinente em boa parte das produções que participa. Não, não estamos falando da sua forma de interpretar, única e repetida, fazendo com que todos os seus personagens pareçam a mesma pessoa (e adoramos isso). Estamos fazendo referência ao estilo musical favorito do ator, que, sempre que pode, se envolve em um projeto contendo duas palavrinhas mágicas: puro rock. Black adora rock, isso é um fato. Temos como perfeito exemplo disso a sua banda meio-fictícia-meio-de-verdade Tenacious D, formada com seu amigo Kyle Gass. A Tenacious D começou nos anos 90 e logo ganhou a telinha da TV, com um micro-seriado exibido na HBO. Hoje, a banda conta com dois álbuns e até mesmo um filme, chamado de ''Tenacious D: Uma Dupla Infernal'' por aqui. Além da banda, some o fato de Black ter participado de filmes como ''Escola do Rock'', e ser amigo próximo de astros da música como Ronie James Dio (Black Sabbath, Heaven and Hell) e Dave Grohl (Foo Fighters), tendo até mesmo participado de diversos videoclipes. Pronto, temos um legítimo fã do heavy metal e tudo o que for parecido. Mas ainda faltava algo para Black, ele ainda não tinha no curriculum a participação em um game. Faltava, pois com Brütal Legend isso foi remediado. Este é o novo game de Tim Schafer. O que? Não conhece? Ok, explicamos também, mas é sua última chance. Schafer é outra lenda da popsfera, mas desta vez dos games. Ele é co-criador de jogos como The Secret of Monkey Island, Day of Tentacle, e autor de clássicos como Full Throttle, Grim Fandango e, mais recentemente, Psychonauts. O novo título é diferente de quase tudo o que ele já fez, com exceção, talvez, de Full Throttle. Como tudo na vida muda, Brütal Legend é uma nova guinada de ideias de Schafer, que sempre se envolveu em jogos no estilo adventure e games diferenciados (Psychonauts). Segundo o autor, o mote que gira em torno deste novo jogo é a mistura de tudo o que o metal apresentou até hoje. ''Sempre vi a mistura entre batalhas medievais e o metal pesado. Você vê astros do metal cantando sobre orcs. Então vamos fazer um mundo onde tudo isso acontece. Está tudo unido, o metal, o rock e as batalhas'', comentou ele em um programa de webTV. E não é que ele estava certo? Brütal Legend, de acordo com seu conceito, é tudo o que o autor disse e cumpre bem este papel. Como jogo, ele agrada bastante, mas peca em alguns pequenos pontos. Tenha em mente que o game não tem um estilo próprio. Claro, a aventura é o gênero que domina a grande saga headbanger, mas espere por encontrar diversos tipos de jogo misturados por todo o caminho. Brütal Legend narra a história de Eddie Riggs, dublado e inspirado por Jack Black, um típico roadie. Para quem não sabe, roadie (do Inglês, Road, estrada, mais a terminação diminutiva ''ie'') seria o ''estradinha'', num neologismo popular e carinhoso. Seu apelido originou-se da sua função principal que era estar sempre nas estradas, durante as grandes turnês de músicos, que viajam grandes distâncias em caravanas de ônibus leito. Atualmente, os roadies são indispensáveis em concertos e turnês pelo mundo inteiro e são quem executam toda parte pré-produção de um show, preparando inclusive o palco para o concerto. Como o próprio personagem define na abertura do jogo, ''a função de um roadie é fazer as pessoas parecerem bem''. Mas, o grande problema é que Riggs, um grande fã do heavy metal clássico, faz seu trabalho para uma banda que pode ser considerada 'new metal', o estilo que mistura guitarras pesadas com DJs e vocais distorcidos, com gritinhos, e letras com ritmo voltado para uma mistura entre hip-hop, funk e rap. A partir daí, imagine como Riggs é um rapaz "super contente" com seu trabalho e com as pessoas da banda. Para ele o metal está morto, sem retorno. Mas seus problemas estão para acabar. Logo de cara, Riggs morre ao tentar salvar um dos integrantes de cometer um ato de total burrice no palco. Não, isso não é spoiler, e também não é o fim. Magicamente, nosso destemido roadie é transportado para um estranho local, que logo se revela ser a lendária Terra do Metal (Massacration chora de emoção), populada por headbangers, roadies, tietes e outras típicas figuras encontradas em um show de rock. O papel de Riggs neste mundo é incerto. Alguns dizem que ele está lá para libertar os humanos do domínio de opressores demônios, outros acreditam que ele irá, na verdade, destruir a humanidade, com a ajuda do exército demoníaco. A verdade é que o personagem está pouco preocupado com tais profecias, e quer fazer a diferença na Terra do Metal. Quem jogou a versão demonstrativa sabe que, a princípio, o jogo mostra ser um tipo de ''God of War'' do rock, mas esse conceito cai logo após o primeiro chefe de fase. O estilo de jogabilidade predominante em Brütal Legend é o chamado sandbox, ou mundo aberto, popularizado por Grand Theft Auto. Digamos que isso seja melhor que um conceito puramente hack'n slash neste tipo de jogo, já que ele acaba durando mais, por conta da quantidade de coisas a se fazer em um mapa aberto. Com o ''The Deuce'', carinhoso apelido para a caranga envenenada de Riggs, você poderá percorrer todo o mapa da Terra do Metal em alta velocidade, completando missões paralelas e principais. As missões paralelas não são de grande destaque, já que só existem três tipos: caçar animais em equipe, corrida e caça contra o tempo - e isso pode desagradar alguns. As missões principais dão continuidade à história, onde Riggs vai encontrando novos personagens e reunindo mais pessoas para seu exército. Sim, exército de metaleiros, e aí chegamos no segundo estilo do jogo, o de estratégia em tempo real (ou ETR). Esta parte do game é apresentada durante as batalhas principais do game. Com o personagem principal, você irá comandar hordas de headbangers e derivados contra seus inimigos. Há uma base principal, o seu palco, e locais para que sejam construídas suas torres de comando, de onde sairão os fãs, que nada mais são do que o combustível para que você crie mais unidades em sua equipe durante as batalhas. Assim, você pode comandar esquadrões, dar ordens de ataque, defesa, manter posição ou seguir. A parte de ETR pode estranhar quem joga pela primeira vez, pois destoa bastante do resto do game, mas com o tempo fica agradável. Além disso, é bom se acostumar ao gênero dentro do game, pois a parte multiplayer de Brütal Legend é toda em ETR, seja online ou local. Uma espécie de DotA do metal. A jogabilidade, em qualquer local do mapa, com exceção das partes em ETR, é a mesma. Riggs ataca, defende, utiliza ataques especiais com sua guitarra (Clementine) e seu machado (The Separator), mas não pula. ??, o personagem não pula, sabemos que isso é quase que um sacrilégio, mas acostuma-se. Entretanto, é um defeito inegável, o que custava reservar um botãozinho para o pulo? Já nas batalhas individuais, os comandos são eficientes, com direito a lock-on nos inimigos. Mas existem ainda mais estilos em Brütal Legend. Claro, não podia faltar o gênero musical, ainda mais em um jogo como este. Mas não espere algo tipo ''Guitar Hero'', o musical aqui se resume a rápidos solos que servem para bonificar você e seus companheiros nas batalhas. Existem diversos tipos de solos, que vão sendo destrancados ao longo do jogo, que são rapidamente executados através de uma combinação de botões pré-programados, quase um quick-time event. Por fim, graças às missões paralelas e ao ''The Deuce'', o game apresenta ainda um quê de jogos de corrida. Como um jogo de mundo aberto, Brütal Legend esconde muitas surpresas pelo mapa além de missões a serem completadas. Através de objetos encontrados pelo mapa, vistas de cenários, além de músicas, o personagem adquire ''Fire Tributes'', que é a moeda corrente neste mundo. Com os FT você compra novos upgrades para suas armas e para o carro. Simples, não? A grande sacada de Brütal Legend é justamente funcionar como um tipo de homenagem ao metal. A trilha sonora representa bem isso e apresenta mais de 100 músicas, contendo alguns dos maiores clássicos do rock, como "Children of the Grave", "Symptom of the Universe", "Never Say Die", todas do Black Sabbath, além de "In the Black", "Marching Off to War", "We Are the Road Crew", do Mötorhead. A trilha conta ainda com alguns sons mais modernos, como "Through the Fire and Flames", do Dragonforce, e ''The Metal'', da banda de Jack Black, Tenacious D. Além de servir para vender CDs, a trilha sonora pode ser ouvida dentro do seu carro, mais ou menos no mesmo estilo das rádios de Grand Theft Auto. Além das músicas, temos a participação de algumas figuraças, além do próprio Jack Black. Se nomes como Lemmy Kilmister, Rob Halford, Ozzy Osbourne e Lita Ford não te apetecem, então este jogo não é para você. Todos encarnam diversos personagens próprios da história. Ozzy, por exemplo, é o Guardião do Metal, que serve como o vendedor de upgrades e destrancáveis. Já Lemmy é o Kill Master (não se impressione com o nome, ele só quer assustar!), curandeiro que ajuda as pessoas através das cordas de seu baixo. ?? uma tiração de sarro completa, no bom sentido, com a participação de rockstars tão clássicos e inspirados em suas dublagens. O game conta ainda com outras participações, como o ator Tim Curry, dublando o vilão-mór Lord Doviculus, e Kyle Gass, amigo da banda de Jack Black. Não espere gráficos excelentes em Brütal Legend. Na verdade, esta parte é bem fraquinha, com modelos simples e cenários sem muitas firulas. De longe, o jogo poderia se passar facilmente como um título de PlayStation 2, mas, ainda assim, revela algumas surpresas no quesito gráfico. Por exemplo, ainda que usem modelos simples, os personagens possuem animações excelentes, principalmente faciais, com grande destaque. Felizmente, os gráficos simples não chegam a atrapalhar e estão longe de serem um desastre. [t2]A favor:[/t2] [list]Uma grande homenagem ao verdadeiro 'metal' em tempos que tal estilo se encontra com derivadas misturas; Todo o trabalho de dublagem está de alto nível, dos personagens principais aos figurantes; Mais de 100 músicas com o mais puro metal, de Black Sabbath a Tenacious D, para fã nenhum botar defeito; Uma grande quantidade de missões secundárias te manterão ocupado por algumas boas horas, isso sem falar nas conquistas e troféus; O jogo é ETR, mundo aberto, musical, hack'n slash, corrida, tudo em um só, e com multiplayer![/list] [t2]Contra:[/t2] [list]Justamente por ser tão variado, o jogo às vezes não se decide por um estilo próprio e a jogabilidade pode parecer básica em cada um; Os gráficos não são um grande destaque, apesar de bem trabalhados - são até básicos, comparados a outros títulos de grande porte; Faltou uma participação especial do Massacration. =([/list] [t2]Veredito:[/t2] ''Ninguém pode destruir o metal!'', já dizia a mais popular música do Tenacious D, ''The Metal''. Este mote é elevado ao máximo no jogo, que cumpre sua missão ao entregar uma verdadeira ode ao heavy metal clássico, sem frescuras ou firulas. A produção de Tim Schafer não fez feio e novamente nos brinda com um jogo de qualidade e repleto de conteúdo. Em Brütal Legends, você encontrará um jogo de estratégia, mundo aberto, musical, corrida, ação, de tudo. De certa forma, isso é uma faca de dois gumes, pois assim o título não se especializa em um estilo único. Os gráficos podem não ser a última bolacha do pacote, mas o game apresenta qualidade na animação dos personagens, principalmente facial. Para completar, o trabalho da dublagem é excelente, com astros do cinema (Jack Black e Tim Curry), estrelas do metal (Ozzy Osbourne e Lemmy Kilmister) e o elenco de apoio, com trabalho igualmente bom. Se você é metaleiro(a) de carteirinha e procura um game para se ocupar por algumas boas horas, Brütal Legends é o seu pedido. \,,/,
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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