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Análise do jogo "Luigi's Mansion 2" para 3DS escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
Quase uma década depois da sua estreia numa alucinante mansão pejada de espectros, Luigi volta a ser convocado para o lugar de protagonista numa nova aventura recheada de momentos divertidos, puzzles engenhosos e uma luta constante contra os diabólicos fantasmas que voltaram a ganhar rédea solta. Luigi's Mansion 2 é um jogo aguardado por muitos, especialmente por aqueles que ficaram fãs das mecânicas de captura dos fantasmas estabelecidas no primeiro jogo e dos imensos apontamentos de comédia, permanentes ao longo da aventura fantasmagórica, especialmente quando vemos o protagonista a entrar quase em estado de choque depois de abrir a porta de mais uma escura divisão da mansão. Como exclusivo portátil da Nintendo 3DS, este jogo assinala um envolvimento maior de Shigeru Miyamoto, o produtor lendário da Nintendo e autor de Luigi, ainda que numa posição de supervisão. O acompanhamento de Miyamoto deve-se à produção de uma versão em 3D do título original. Sem sistema capaz de materializar o jogo em termos comerciais, o projecto ficou-se pela gaveta. Só após o lançamento da 3DS em 2011 foi possível voltar a pensar no jogo, cuja versão final que aqui analisamos corresponde a essa visão inicial de Miyamoto. Aliás, Luigi's Mansion 2 chega-nos com algum atraso, já que inicialmente fora apontada uma data mais recuada, mas se esse atraso se motivou por força de critérios de qualidade, vale a pena salientar que a espera compensou, especialmente porque estamos aqui perante um jogo que oferece um conteúdo bem mais vasto e renovado em mecânicas, quando comparado ao original. Luigi's Mansion 2 - Trailer de apresentação 2013 está a revelar-se um ano em cheio para os titulares de uma Nintendo 3DS. Ainda Castlevania: Mirror of Fate e Monster Hunter 3 Ultimate não saíram da projecção provocada pelo lançamento, os fãs do irmão de Mario terão à sua disposição uma nova aventura que mesmo em termos gráficos nada fica a dever ao original. Mais uma vez, a Nintendo volta a concretizar toda a sua classe e capacidade de produção, extraindo o máximo da 3DS. Mais sobre Luigi's Mansion: Dark Moon Hands On: Luigi's Mansion 2 Escrito nos fantasmas. Notícias: Luigi's Mansion 2 em Portugal a 27 de março Primeiras unidades virão com uma capa que brilha no escuro. Notícias: Luigi's Mansion 2 já tem data de lançamento Nintendo anunciou novos jogos da personagem no Nintendo Direct. Vídeo: Luigi's Mansion: Dark Moon - Spot TV Quase a chegar à 3DS. Screenshots: Luigi's Mansion 2 - Novas imagens À medida que avançamos pelo jogo vamos descobrindo pormenores deliciosos e confrontos de grande escala, o que diz bem do empenhamento da Nintendo em dar corpo ao mínimo detalhe para criar um sistema de jogo eficaz. Luigi's Mansion 2 revela uma incrível dedicação e um esforço para criar não só uma sequela marcante, mas também uma aventura que se posicione como uma sequela. Cada divisão das diversas mansões ilustra um quadro de possibilidades e são poucos os objectos com os quais não possamos interagir. Mas é a permanente oposição entre Luigi e os fantasmas, tão deliciosamente representada no receio do primeiro, manifestado pelo andar pé ante pé, sob um intenso ambiente de tensão e nas travessuras mais cómicas ou mais assustadiças dos segundos, que se promove um justo desafio, alicerçado em puzzles, naquele que parece ter sido o maior desenvolvimento dado ao jogo. Nesta sequela vemos o excêntrico e algo delirante professor Anacleto Luado manter contacto com os espectros do jogo original. Os seus progressos científicos deram resultados e o que antes eram fantasmas diabólicos, são agora projecções pacíficas e brincalhonas. Infelizmente, não por muito tempo. Numa noite de luar, o rei Boo causa a destruição da Lua Negra, fazendo com que vários pedaços dela caiam sobre o vale das sombras, espalhando uma névoa púrpura cujo efeito implica uma transformação do estado dos fantasmas para o seu estado travesso. Rapidamente as mansões do vale das sombras voltam a ficar assoladas de fantasmas que se alojam nos seus recantos. Ciente da desgraça instalada, o professor Anacleto Luado recorre mais uma vez aos préstimos do pouco corajoso Luigi para levar a cabo mais uma ingrata tarefa; capturar todos os fantasmas das mansões e recuperar todos os bocados da Lua Negra. "Mais uma vez, a Nintendo volta a concretizar toda a sua classe e capacidade de produção, extraindo o máximo da 3DS" O professor Anacleto Luado é o cientista louco que comanda as operações à distancia. Entrando em contacto com Luigi através do novo sistema de comunicação, o duplo susto (referência à DS da Nintendo, que tem a mesma forma do objecto que Luigi usa para receber as chamadas do professor), ele vai-lhe dando dicas sobre localizações relevantes assim que Luigi for telepixelizado para a entrada da mansão. Enquanto que em Luigi's Mansion havia uma só mansão, embora fosse de grandes dimensões, para a sequela os produtores seguiram um conceito diferente; levar Luigi até cinco mansões. Sendo que cada uma possui menos divisões por comparação com mansão assombrada do original, certo é que a soma das cinco produz um acréscimo grande de desafios e conteúdo, precisamente pelas fortes temáticas associadas às mansões. Isso permite não só mais variedade, ligação de segmentos, diferentes momentos de captura e sobretudo mais diversão para o jogador. Enquanto que Luigi's Mansion era possível completar o jogo com pouco mais de cinco horas e não havia mais por onde jogar, a sequela chega-nos bem mais reforçada. Quando assumirem o controlo de Luigi na primeira missão, o objectivo é encontrar o Sugospectro 5000, uma engenhoca de captura de fantasmas desenvolvida pelo professor Anacleto que mais parece um aspirador. Esta máquina possui uma lanterna e um tubo capaz de sugar não só fantasmas mas muitos objectos que podem ser deslocados, desde teias de aranha, moedas, notas, cortinados, toalhas de mesa, baldes de água, balões e muito mais. Mas é na interacção com os fantasmas que o aparelho começa por ganhar utilidade. Desta vez o procedimento de captura sofreu ligeiras alterações de modo a se adequar melhor à falta de um segundo analógico da 3DS que permitiria rodar o tubo, enquanto que o analógico esquerdo movimentaria a personagem. Agora, cada vez que pressionarem o botão de aspiração só podem movimentar o tubo para cima e para baixo. Podem fazê-lo através dos botões X e B, respectivamente, ou então movimentando a consola no mesmo sentido, agora através do giroscópio. Existindo o Pro Circle Pad obtém-se mais comodidade. No entanto, o sistema escolhido embora não sendo perfeito, também não causa problemas. Para tornar os fantasmas vulneráveis, Luigi deve disparar um flash de luminosidade na direcção dos fantasmas, cuja intensidade os deixa mais ou menos atordoados e prontos para serem aspirados. Assim começa uma autêntica batalha na qual vemos os fantasmas perderem a sua resistência, debatendo-se até à última nesga de energia contra a força sugadora do Sugospectro. Mas alguns fantasmas são inteligentes e usam óculos para se protegerem dos flashes, implicando que Luigi tenha de os remover em primeiro lugar para depois lançar novo ataque. Outras vezes os fantasmas atiram líquidos na direcção do protagonista, impedindo-o de executar a tarefa ou tapam a cabeça com panelas ou pás. A resistência oferecida pelos fantasmas nalguns casos é forte, ao ponto de Luigi ser arrastado e chocar contra objectos da divisão, num ressalto que pode implicar a perda do fantasma. Luigi's Mansion 2 - Shigeru Miyamoto apresenta a sua criação Nalgumas lutas Luigi terá de combater não só um fantasma mas três ou quatro em simultâneo. Para tentar a captura de vários fantasmas ao mesmo tempo, será necessário manter pressionado o botão de disparo da luz por alguns segundos, conseguindo dessa forma abranger uma área maior de luminosidade. Contudo e exercida uma certa pressão aspiradora por alguns segundos, será possível puxar os fantasmas, desde que pressionem o botão A durante alguns segundos. Estas lutas constituem uma boa parte dos desafios e serão batalhas decisivas para que possam limpar as divisões, sendo que se descobre a relevância de certas batalhas quando as entradas e saídas ficam trancadas. Quase todos os espaços habitados pelos espectros encontram-se escuros, sendo que apenas conseguimos ouvir as suas gargalhadas maquiavélicas e ver certos objectos em suspenso. Pelo meio há armários que tombam e outros estrondos que colhem Luigi de surpresa e medo. O ecrã tátil possui um mapa da mansão sobre o qual podemos aumentar ou diminuir zoom, descobrir quais os acessos que estão desbloqueados (encontrar as chaves é outro dos desafios) e as divisões assinaladas com ponto de exclamação, que significa presença de espectros. No ecrã inferior permanecem dados como ouro obtido, indicador de saúde e objectos raros encontrados. Isto deixa o ecrã superior livre para focar o jogador na acção. "Nalgumas lutas Luigi terá de combater não só um fantasma mas três ou quatro em simultâneo." AnteriorPróximaVer todos 1/27 As primeiras unidades de Luigi's Mansion 2 virão com uma capa brilhante. Superadas as batalhas e vencido o boss final da mansão, as luzes acendem-se num claro sinal de missão cumprida. No final de cada nível os fantasmas são enviados para o laboratório do professor Anacleto, repousando num depósito que permite vê-los em 3D e saber qual a massa espectral. Para cada mansão existe um número mais ou menos certo de missões, entre seis a oito, sendo que cada uma pode ser cumprida entre vinte a quarenta minutos. O tempo para completar uma missão pode variar em função da procura por objectos valiosos, pesquisa de acessos a locais secretos que garantem alguns bónus como moedas e notas, pequenas fortunas que periodicamente e em função do total acumulado permitem melhorar o equipamento, nomeadamente as resistências dos feixes de luz clara e escura. O acesso a zonas secretas é conseguido nalguns casos através da utilização de uma luz escura que alumia entradas, objectos e quadros invisíveis. Mantendo o botão Y pressionado por alguns segundos é possível activar os acessos mas para que o mesmo se transforme em realidade devem aspirar para o Sugospectro 5000 um conjunto de bolas fantasma oriundas dessa zona. Os Boo, que integram uma segunda linha de fantasmas, só podem ser detectados por intermédio deste sistema. Sendo fantasmas que se encontram fechados em zonas aparentemente comuns e vazias, só uma interacção e exploração dedicadas permitem ir ao encontro destas criaturas. O prolongamento de algumas missões e a impossibilidade de gravar a progressão até determinado ponto, implicam que em momentos mais curtos para jogar (numa pausa de almoço ou num intervalo) deixem a consola ligada (em modo descanso) para retomar o jogo mais tarde, caso contrário voltar ao começo da missão. Cremos que a colocação de um save automático para uma fase intermédia facilitaria o acesso ao jogo para períodos curtos. Se muitos objectos podem brilhar no escuro, os efeitos 3D brilham ainda mais. Apresentado numa perspectiva lateral fixa, que discretamente se aproxima ou se afasta do protagonista, podendo apontar para pontos cimeiros, quando Luigi inclina o tubo do Sugospectro, o efeito 3D fica claramente marcado por uma notável sensação de profundidade. Há momentos específicos que realçam o efeito. Numa subida de piso, Luigi usará uma espécie de balão para o puxar até ao piso superior. Contornando obstáculos pelo meio, só conseguirá atingir a plataforma afastando-se do fundo em direcção ao ecrã. Outro exemplo sucede quando Luigi avança ao longo de um corredor Para se atestar o grau de desenvolvimento dos efeitos basta puxar o slider 3D da posição de desligado até ao máximo para se tornar bem perceptível a profundidade da área. Em termos visuais a Nintendo fez mais um trabalho notável. Desde a estável frame rate em cenários repletos de objectos que implicam maior renderização, à excelente animação de Luigi, estupendamente caracterizado, aos efeitos de luzes, contraste, são tantas as subtilezas de modo que se torna impossível não ficar satisfeito e conquistado cada vez que se activa um mecanismo ou se completa um puzzle. Depois há aqueles efeitos como a chuva que passa pelas janelas quebradas e forma pequenas poças, os espelhos que mostram dois Luigi, criando uma sensação altamente cartoon, mas realista e sempre num 3D muito seguro e altamente personalizado. Aos excelentes efeitos visuais, acresce uma sonoridade relevante, repleta de temas marcantes e conhecidos (a música de introdução é o mote perfeito para uma sonoridade única) mas também descobrimos composições adequadas a incrementar a tensão, dando por vezes lugar às sonoridades como as passadas de Luigi. Se usarem o d-pad podem dar voz ao protagonista através de tímidos "Hello?" quando as pernas tremem e Luigi mais parece um pote de pólvora prestes a explodir de tanto medo. Neste alinhamento visual e sonoro a dimensão cómica é outra constante, sendo um dos factores que garante extrema personalidade e exclusividade à obra, especialmente quando Luigi começa a trautear o tema sonoro que passa no momento, talvez para afastar o medo abundante que o invade. "Em termos visuais a Nintendo fez mais um trabalho notável." A Torre dos Sustos é a designação dada ao modo reservado para vários jogadores. Até um máximo de quatro, o multiplayer pode ser partilhado através de rede local ou em partidas online. Ao modo local os produtores acrescentaram uma versão limitada da Torre dos Fantasmas, mesmo que estes não tenham o jogo, através de download. Na plenitude das funções locais ou por via online os jogadores podem organizar-se em torno de três modos de jogo: o modo Caça implica que os jogadores tenham de cooperar entre si para capturar todos os fantasmas durante um tempo limitado. O modo fantacães põe à prova a vossa habilidade para usar a luz negra para sugar um canino fantasmagórico, enquanto que no modo Tempo o objectivo é fugir para o piso superior antes que o tempo se esgote. A ligação online permite que se conectem não só com os amigos da vossa lista, mas também com jogadores de todo o mundo. A solo ou partilhado com amigos, Luigi's Mansion 2 é uma experiência essencial para a portátil da Nintendo. Não só é um dos jogos mais aguardados para a 3DS, como é um dos jogos que a consola mais aguardava. Numa aventura fantasmagórica recheada de desafios, vemos emergir um protagonista inusual que rapidamente nos conquista pela sua postura, tom cómico, mas também pela sua capacidade para resolver puzzles. Sem pontos negativos relevantes, fica mais uma vez patente como a Nintendo é das poucas produtoras que cruza muito bem criatividade com aproveitamento do potencial da consola. Em termos visuais, a sequela de um jogo originário da GameCube pouco ou nada fica a dever ao clássico e ainda se revela mais alargado em termos de conteúdo e modos de jogo. Capturar fantasmas a partir do Sugospectro nunca foi tão divertido. Um must buy. 9 / 10
Fonte: Eurogamer
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