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Análise do jogo "Yakuza 2" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 86 de 100, enviado por Anônimo,
Se forem para a rua auscultar a opinião das pessoas, a maioria dir-vos-á que adorava prestar visita a um país oriental. Está na massa sanguínea dos ocidentais viverem fascinados com tudo (ou quase) aquilo que vem do Oriente. Talvez esse estado de admiração constante ajude a explicar o porquê dos videojogos que têm como pano de fundo cidades japonesas serem tão queridos por esta facção de jogadores. Foi assim com as duas entregas de Shenmue e mais recentemente com Yakuza, a aventura da SEGA que retrata os meandros da máfia japonesa. Yakuza 2 demorou quase dois anos até chegar à Europa, mas o resultado recompensa os pacientes. Começando a esmiuçar o miolo da obra que os estúdios Amusement Vision prepararam para a SEGA, facilmente percebemos que a escrita cuidada será a força impulsionadora de todo o jogo. Praticamente um ano após o culminar da aventura original, Kazuma, protagonista da série, está prestes a colocar para trás das costas o mundo do crime organizado quando um dos mentores de um clã rival é raptado. Fazendo jus à Lei de Murphy, um acontecimento mau nunca vem só, portanto, uma espiral de tristes coincidências puxam Kazuma para aquilo que vem a ser uma aventura carregada de reviravoltas e, sobretudo, uma narrativa dramática, escrita sempre com temas como a lealdade, amor e família em mente. Aqueles que não jogaram o primeiro Yakuza não têm que temer perder o fio à meada, dado que há uma transição suave de personagens entre os dois títulos e, logo no início da aventura, Kazuma Kiryu pode, através de flashbacks, recapitular os momentos que definiram a narrativa original. Para além das duas dezenas de horas gastas a resolver a trama de Kazuma, podem gastar outro tanto tempo a vaguear por Tóquio e Osaka, as duas cidades que servem de cenário ao jogo, participando em actividades extra. Bem ao estilo do seu primo afastado, Shenmue, Yakuza 2 deixa-nos jogar golfe, entrar em salões de arcada e experimentar vários jogos e até Mahjong podem experimentar. Para além de actividades lúdicas, os bares estão à vossa espera para servirem de testemunha a engates de nipónicas. São actividades que ajudam a espairecer do esquema de missões e mesmo sem trazerem nada de relevante à narrativa, são uma adição bem-vinda e que certamente vão prolongar a estadia de Yakuza 2 na vossa PlayStation 2. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9JbWFnZXMvSW1hZ2VMb3QvMDAwMDQxNjcvWWFrdXphMlBTMjI2MDMyMDA4LTAwMDItMjAwODAzMjYwMjA3NTg3NzAuanBn[/img] Ora, se Kazuma tem que sobreviver no mundo da máfia, é óbvio que terão que dar uso aos punhos para alcançarem esse objectivo. Aliás, no cerne de Yakuza 2 temos um potente jogo de acção. Atentos às queixas que os fãs teceram ao jogo original, agora é possível controlar a câmara livremente em quase todas as áreas de jogo e o sistema de bloqueio aos golpes adversários foi revisto e tornado mais útil. De resto temos combinações de movimentos que podem ser aprendidas no início do jogo ou compradas à posteriori. Para além dos inimigos a enfrentar para prosseguirmos, vamos ter inúmeros encontros com cidadãos indefesos à espera da nossa ajuda. Não só servem para provarmos que somos bons samaritanos, como são o treino necessário para dominarmos as técnicas aprendidas. Há a mencionar que mesmo antes do jogo começar é-vos dado a escolher o grau de dificuldade em que querem jogar Yakuza 2. Entre fácil e normal, este último é aquele que oferece um desafio minimamente capaz, uma vez que no nível mais baixo de dificuldade os inimigos parecem saídos de um mau filme de zombies, tal é a sua passividade às nossas investidas. Tal como já dissemos, Yakuza 2 passa-se em duas cidades com um traço fortemente japonês: Osaka e Tóquio. Toda a apresentação do jogo está muito bem conseguida, espremendo a 128 bits da Sony a troco de ruas movimentadas, transeuntes infinitos e outras tantas interpelações à nossa passagem, e ainda muita luz. O clima de metrópole nunca deixa de estar presente, carimbado à força de néones que anunciam tudo e mais alguma coisa. As personagens tiveram o trabalho necessário para as fazerem parecer saídas Oldboy, filme de Park Chan-wook que deixa quem o vê com uma visão sobre o carisma asiático (e polvos crus). A palavra-chave para definir o ambiente de Yakuza 2 é precisamente essa: carisma. Infelizmente, o tratamento dado aos cenários interiores não foi alvo de tão cuidado aprumo. Parece que quase todos lares japoneses utilizam o mesmo papel de parede, independentemente da cidade em que estamos ou, através de um olho mais clínico, em que divisão nos encontrámos. Apostada em cobrir Yakuza 2 com um capote cinematográfico, a produtora quis completar o ramalhete técnico com uma boa componente sonora. Ouvem-se os pormenores, ouvem-se os movimentos das personagens, ouve-se tudo para transmitir ao jogador a ideia que realmente está lá, para nos convencer que a nossa pele é a pele de Kazuma Kiryu. Obviamente, tudo isto embalado ao som de Jazz, de música electrónica, de falas auxiliadas pelas legendas de tão japonesas ou coreanas (Oldboy dá o ar da sua graça novamente) que são. O pior defeito de Yakuza 2 é ser demasiado idêntico ao Yakuza original. Porém, quem experimentou a obra debutante da série saberá certamente o quão marcante a mesma foi, o que faz desta falta de inovação algo menos mau. Quem tem uma PlayStation 2 (ou mesmo uma PlayStation 3 com retrocompatibilidade) e gosta de uma boa aventura com boas cenas de luta, ou um jogo de luta com um enredo denso, não há como se enganar com Yakuza 2.
Fonte: E-Zine/MyGames
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