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Análise do jogo "Silent Hill: Origins" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 60 de 100, enviado por Anônimo,
Contando a estória de Travis Grady, um camionista que é guiado pela sua curiosidade até Silent Hill, a adaptação de Origins à PlayStation 2 é um compêndio de várias maneiras de como perder qualidade nesse processo. O camionista que vira herói de serviço, Grady, vive esta aventura antes do primeiro Silent Hill ter chegado à PlayStation original, no ido ano de 1999. Portanto, contem ver nesta obra da Climax uma prequela introdutória à saga. E, nada melhor para colocar os jogadores de sobreaviso, do que começar a narrativa seguindo uma misteriosa até um hospital em chamas, Alchemilla. Daqui para a frente, o exercício proposto é igual ao da PlayStation Portable: um jogo de reencontros com lugares e personagens imortalizadas nas primeiras entregas da Team Silent. Um exercício que nos atinge com a força das tardes e noite passadas de volta da série. A cada porta aberta, a cada encontro com enfermeiras psicóticas, um assalto de nostalgia. Por entre o nevoeiro e salas escuras, o controlo de Grady faz-se sempre na terceira pessoa. Através de inúmeros puzzles e outras tantas recolhas de peças e pistas, progride-se numa estória que se quer deglutida lentamente. Para fazer face às criaturas nefastas que vos falamos no parágrafo anterior, temos um sistema de batalha ligeiramente remodelado. O maior passo em direcção à actualização da saga dá pelo nome de Grapple System. Apesar do nome pimpão, basicamente, o método traduz-se em premir freneticamente os botões do controlador da PlayStation 2 quando as criaturas se atiram a nós como se cães a um naco de carne. A completar estes combates corpo a corpo, a Climax deixa-vos agredir os inimigos com uma variedade generosa de objectos recolhidos do cenário. Torradeiras, televisões, martelos e máquinas de escrever são apenas alguns exemplos que podem ficar cravados na integridade física de quem se cruzar convosco. Convém não esquecer que, dado o pouco espaço de armazenamento de Travis e o desgaste acentuado destas armas, o melhor é guardarem o melhor para os confrontos com os bosses. Não foram poucas as vezes que fomos apanhados desprevenidos, um pouco graças à nossa gestão deficiente de inventário e desgaste precoce dos objectos. Mesmo contando com os vários finais, Silent Hill: Origins é um jogo curto. Já o era na sua versão original e na adaptação nada foi feito para acrescentar algo de novo à sua longevidade. Nem mesmo os vários finais conseguem dissimular o desfecho abrupto que chega quando a aventura começa a crescer em nós. É impossível não deixar de sentir que a "muita parra e pouca uva" deste jogo se deve, maioritariamente, a uma vindima precoce. Se até aqui o jogo não inova nada face à versão entregue na portátil da Sony, entrando no capitulo gráfico é pôr o pé numa espiral de mediocridade. Se em comparação à versão PSP este Origins, quando muito, iguala, quando comparado com as entregas anteriores da série é um jogo feio e obsoleto. Pixeis do tamanho de letras fazem um favor enorme à desgraça deste capítulo técnico. Infelizmente, pior do que analisar cada pormenor individualmente, é constatar que grande parte da sinistralidade que a saga fazia transparecer é morta pelo grafismo. O susto imposto pelas envergaduras imponentes dos bosses é facilmente substituído pela irritação perante a quantidade de erros gráficos de Origins. Salve-se o capítulo sonoro para cair no goto dos fãs e de quem gosta de música em geral. Akira Yamaoka criou uma banda sonora que se quer ouvida assim: num sistema de som generoso, caseiro e que dê espaço aos pormenores auditivos para se espalharem por um espaço mais amplo. Se na PSP Silent Hill: Origins não envergonhava o seu género, na PlayStation 2 é uma vergonha para quem o adaptou. A PlayStation 2 já recebeu melhor e a saga já produziu melhor. Somando o sentimento com que retiramos o disco da 128 bits da Sony, quem perde são os fãs que não têm uma PSP e estavam à espera desta conversão para poder entender melhor a cidade de Silent Hill.
Fonte: E-Zine/MyGames
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