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Análise do jogo "Saint Seiya: The Hades" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 79 de 100, enviado por Anônimo,
Série de culto dentro da animação japonesa, Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco, entre nós), deve ser uma das franchises mais rentáveis de todos os tempos. Aos 112 episódios da série original, que esteve no ar entre 86 e 89, juntam-se quatro filmes, alguns spin offs e a recente série The Hades, que estreou em 2002 e correu 13 episódios totalmente novos. É no ambiente desta série que Saint Seiya: The Hades, decorre, como o título já deixa adivinhar. Passaram catorze anos desde o final dos acontecimentos da série original e algo não está bem. Quatro dos mais poderosos Saints, antigos defensores de Athena caídos em combate, ressurgem agora como aliados de Hades, empenhados em reclamar a vida da sua antiga deusa. A narrativa de Saint Seiya: The Hades tem um apelo muito maior para aqueles que seguiram os acontecimentos originais da série, sendo que se não for este o caso, podem ver-se algo atrapalhados com a quantidade de personagens e acontecimentos que o jogo nos atira para cima da mesa, sem se preocupar muito em explicar convenientemente o que os precede. Isto pode ser um problema sério se não estiverem a par da estória, principalmente porque The Hades, mesmo recorrendo a grandes sequências animadas, não tem a melhor forma de fazer fluir a narrativa. Há mesmo alturas em que ficamos um pouco baralhados, como quando ganhamos um combate e o efeito no adversário é nulo. Estória à parte, The Hades é uma clara evolução, sobre o seu irmão mais velho, Saint Seiya: Sanctuary, a primeira investida da Dimps Interactive no universo dos Cavaleiros do Zodíaco. A companhia que nos trouxe a da Budokai, parece ter ouvido as críticas dos fãs e remodelado o sistema de combate de forma a entregar embates muito mais intensos. Agora, tal como nos Budokai, temos uma maior liberdade de movimento, sendo possível realizar Dashes para nos aproximarmos ou afastarmos dos nossos inimigos rapidamente. O sistema de golpes continua simples, tal como a Dimps nos habituou, variando muito pouco de Saint para Saint, o que nos permite conseguir golpes brutais sem grande investimento de tempo. Assim, temos um botão para golpes fracos, fortes e médios e um botão de ataque energético. Os gatilhos introduzem variações sempre que os pressionamos em conjunto com o botão correspondente, desencadeando Throws, Saint Smashes ou Big Bang Attacks, o que dá bastante variedade ao jogo. Os Smashes elevam os dois Saint no ar, desenrolando-se como se de um jogo de pedra papel ou tesoura se tratassem. Cada lutador tem três opções dependendo se defendem ou atacam. O atacante pode escolher entre Attack, Blast ou Wait, enquanto que o defensor selecciona as opções Defend, Counter ou Dodge. Estes ataques têm um máximo de três repetições antes de regressarem ao combate em si. O modo 1000 Days War não é mais que um modo versus. Escolhemos um lutador, um oponente, e é ver as faíscas a saltar do embate, quer seja contra o computador ou um amigo. À medida que avançam no modo Hades, podem ainda desbloquear três novos modos: Saint Legend (um modo arcade, simples), Eternal Battle (um modo survival) e Lightning Battle (um modo de contra-relógio). Nada de inovador por estes lados, o que faz com que o factor repetição comece a ser sentido depois de passarmos algum tempo com o jogo. Batalha após batalha, The Hades pouco faz para oferecer mais do que combates aliciantes. É a síndrome do bolo-rei. É bom, mas se só houver bolo-rei na mesa, ao fim de algum tempo ficamos enjoados. No campo técnico, as vertentes sonora e gráfica andam às turras. Se por um lado o som de The Hades é fenomenal, recorrendo às vozes do elenco da série e à banda sonora da mesma, os gráficos são pobres. Cenários simplistas e texturas deslavadas conseguem por vezes ser esquecidos devido às animações das personagens, mas os arrastamentos são inevitáveis quando os efeitos de luz entram em cena. Mesmo assim, todas as personagens são imediatamente reconhecíveis, se bem que os modelos de Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki pareçam ter cabeçorras enormes, desproporcionais aos seus corpos delgados. Pormenores de pouca monta para quem segue a série de anime desde a sua infância. Os fãs da série não encontrarão em The Hades grandes motivos de queixa, mas quem procurar um jogo de luta apenas pelo género fará bem quem esperar que Budokai Tenkaichi 2 chegue às prateleiras, nem que seja para terem algum termo de comparação. Agora, resta esperar pelo terceiro título da série, que se deverá focar na saga Inferno.
Fonte: E-Zine/MyGames
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