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Análise do jogo "Odin Sphere" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 85 de 100, enviado por Anônimo,
Há quem defenda que, em alguns casos, o fim é precedido por uma suave brisa. Um agraciar lento com uma ternura constante, quase a agradecer o percurso feito até ali. Numa altura em que a PlayStation 2 se prepara para ouvir o canto do cisne, Odin Sphere é essa suave brisa, que ajuda a encerrar um inigualável percurso ao serviço dos videojogos. Demorou longos meses até chegar ao mercado europeu, porém, a espera prepara-se para compensar os mais persistentes com um gosto especial por Role-Playing Games. [img]hide:aHR0cDovL2kudGVzdGZyZWFrcy5jb20uYnIvaW1hZ2VzL3Byb2R1Y3RzLzYwMHg0MDAvMjM1L29kaW4tc3BoZXJlLjI5NTYyNjcuanBn[/img] A obra da Vanilla Ware toma lugar no mundo de Erion, um lugar idílico que tem os seus reinos mergulhados em batalhas de ferro e fogo. Os pilares centrais de toda a trama de Odin Sphere são um artefacto mágico e uma profecia que há para cumprir. E é aqui que a estória do jogo se despede do mais convencional, partindo viagem para uma escalada de pontos de viragens dramáticos capazes de nos manterem com o DualShock 2 nas mãos até ao último ponto final. E mesmo quando terminarem a estória com a primeira personagem disponível, uma cândida valquíria que é filha de um rei, o vosso tempo com o jogo não acabou, dado que cada vez que chegarem ao final do jogo desbloqueiam uma nova personagem ou, se preferirem, um novo ponto de vista sobre a narrativa. No total terão à vossa disposição cinco personagens distintas. O método que Odin Sphere utiliza para nos atingir com a sua mecânica é idêntico ao trabalho de uma aranha enquanto animal urdidor. Uma teia resultante da decomposição dos vários reinos visitados em inúmeras salas com vários caminhos. Cada trilho, uma viagem que nos leva até um boss, deixando pelo caminho inúmeros encontros e outras tantas batalhas com as criaturas locais. A escolha do caminho é vossa, assim como a decisão de aderirem ou esquivarem-se às lutas, porém, como em qualquer Role-Playing Game, dos combates advém dinheiro e itens preciosos para a evolução na aventura. [img]hide:aHR0cDovL21lZGlhLmdpYW50Ym9tYi5jb20vdXBsb2Fkcy8wLzM2OTkvNDU3MTkyLTExMTkwOV83XzJfc3VwZXIuanBn[/img] A vossa interacção com os combates é de uma simplicidade atroz. E, mesmo assentando bases num único botão do controlador, caberá ao jogador a tarefa de variar a jogabilidade desbloqueando combinações de movimentos. Para tornar a tarefa mais vivaz foi introduzido um contador de movimentos, ou seja, o jogador não pode movimentar-se e atacar o inimigo a seu bel-prazer. Tratando-se de um RPG com uma veia de acção francamente vincada, a cada inimigo morto são libertados pontos de magia que, quando colhidos o suficiente por vocês para encherem uma barra, poderão atirar feitiços devastadores para cima do adversário. Foi ainda com enorme agrado que, mesmo quando estávamos a vaticinar uma jogabilidade monótona e repetitiva para Odin Sphere, vimos o jogo a sugar inspiração mais táctica de modo a manter-nos concentrados e interessados nos combates posteriores. Alguns dos itens coleccionáveis já mencionados (moedas, artefactos, poções, frutas e até sementes) são passíveis de serem combinados entre si. Curiosamente, ao comerem fruta durante o jogo, para além de recuperarem energia, estão também a ganhar pontos de experiência e, consequentemente, uma subida de nível. Mais uma vez, o jogo pede emprestadas algumas características a géneros mais estratégicos para condicionar o espaço destinado ao transporte de itens, o que torna a selecção dos mesmos um processo exigente, recorrendo sem entraves à nossa sabedoria gestora. Para perceberem melhor a beleza que caracteriza Odin Sphere, temos que vos revelar que o jogo se passa dentro de um livro infantil. Cada cenário é uma tela pintada com aguarelas, cada personagem a materialização do conceito "arte digital". Este embebimento fantasioso apenas é quebrado pelo calcanhar de Aquiles do jogo: a PlayStation 2 não consegue movimentar este espectáculo sem o arrastar pelo cenário. Ou seja, quando estamos a mexer a personagem pelos cenários pejados de detalhe não podemos deixar de ver os abrandamentos na framerate. Infelizmente, Odin Sphere prova na primeira pessoa a velha máxima popular que diz "No melhor pano cai a nódoa". Um outro senão são os tempos de carregamento entre as salas mencionadas previamente, uma característica que, em algumas situações, quebra o ritmo da acção. [url]hide:aHR0cDovL3QxLmdzdGF0aWMuY29tL2ltYWdlcz9xPXRibjpBTmQ5R2NSaUN3WG1Sb2RqYVdjSnR2TmcyVTlwOGdhTHZzWGNZT3A0U2s4aFVoa3VObjdwT2l5VV9qN0VNLVpKeUE=[/url] Felizmente, o capítulo sonoro saiu menos prejudicado pela idade avançada da PlayStation 2. Com a vocalização em inglês a poder facilmente ser trocada pelas vozes nipónicas, os ambientes sonoros são a composição perfeita para vos embalar no mundo de Erion. Parar o jogo, olhar para os pormenores do cenário desenhado com mão de artista e ouvir a banda sonora ao fundo é uma experiência que pensávamos extinta na geração passada de consolas. Mas não! Com mais de 40 horas de jogo pela frente, quem se aventurar pela maravilha cénica de Odin Sphere arrisca-se a fechar com chave de ouro a vida desta consagrada consola. Tal como a maior parte das pessoas merece um final de vida alegre, pacífico e salpicado por dias ternos, também a PlayStation 2 o merecia e, graças a obras como esta, está a tê-lo.
Fonte: E-Zine/MyGames
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