Análise | Deaths Door

Análise | Death's Door

Um jogo sobre um corvo ceifador de almas
#Análises Publicado por Sr Ori, em

Death's Door é um jogo de ação e aventura criado pelo estúdio Acid Nerve, o qual é composto por um time de duas pessoas e que fazem parceria com outros artistas ao redor do mundo para criarem seus jogos. Esse realmente foi um jogo que subiu o nível de qualidade do estúdio, criando uma jogabilidade divertida, ambientes lindos e várias outras coisas, e nessa análise vou tentar passar por esses pontos.

Iniciando pela história, o jogador assume o controle de um corvo que tem a profissão de ceifador de almas. Através das portas, o personagem consegue acessar o mundo dos vivos e tanto ceifar as almas solicitadas pelo trabalho quanto conversar com algumas criaturas. Conforme o progresso do jogo, a história vai ficando cada vez mais clara para o jogador do porquê existe essa coleta de almas e o porquê do mundo dos vivos estar cada vez mais se tornando perigoso. A compreensão disso só fica mais clara mais perto do final do jogo, mas isso acaba não sendo um problema porque os personagens apresentados são muito cativantes, principalmente suas visões de mundo e interesses próprios.

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E mencionando novamente os personagens, cada um dos principais tem um motivo para ter medo ou concordar com a realidade da morte. Death's Door aborda isso de forma tão interessante e que abre questionamento e reflexões sobre o ciclo da vida e o que seria uma vida eterna. A ambição e medo de cada personagem preenchem o vazio da história no meio do jogo, evitando que ela se torne basicamente sobre coletar almas uma após a outra.

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O jogo conta de uma forma simples mas muito intuitiva sobre o que se passa naquele mundo, não necessitando de várias horas de cinemáticas para isso. A história principal termina de forma bem interessante, porém aquele não é o último final. O jogo após o término possui um pós-jogo que se baseia em vasculhar o mapa por itens e concluir certos desafios e, depois disso tudo, o verdadeiro final é mostrado. Esse pós-jogo pode ser maçante para muitos por não ter nada de diferente de toda a tragetória já feita, além de passar pelos exatos mesmos lugares diversas vezes.

A trilha sonora desse jogo é um show a parte e deixa muitos jogos grandes para trás. Cada ambiente possui um som de fundo diferente, sendo que ainda pode ser mudado nesse mesmo ambiente quando uma batalha com ordas de monstros é iniciada. Tanto os lugares grandes quanto os pequenos possuem uma música específica e que consegue representar o clima daquele lugar em forma de som. Além dos ambientes e batalhas, as músicas dos chefes do jogo e do próprio menu são muito boas de se ouvir.

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Pensando pelo lado da jogabilidade de Death's Door, ele possui algumas mecânicas bem simples mas bem divertidas. Semelhante a por exemplo The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, o jogo possui poucas armas e um combate simples, mas essas armas também servem para desbloquear acessos que não eram possíveis anteriormente e resolver alguns quebra-cabeças. O problema mesmo são as armas encontradas e que são focadas apenas em combate (espada, guarda-chuva etc), pois elas não possuem tanta diferença uma da outra (praticamente só muda o design). A mesma situação acontece com as evoluções de habilidades, basicamente não fazendo tanta diferença ao focar em algum aspecto do combate (força, agilidade etc). Apesar dessas limitações de armas e habilidades, o combate é muito fluido e frenético fazendo com que, quanto mais inimigos apareçam na tela, melhor e mais divertido fique.

Algumas situações possuem um padrão que se repete em todos os cenários no jogo, como alguns monstros repetidos, conseguir 4 almas de corvos e derrotar ordas para conseguir habilidades. Na visão geral essa mecânica é sempre a mesma e bastante utilizada, mas a tragetória com mudanças de puzzle, novos inimigos e a história de personagens sendo contada acaba ofuscando essa repetitividade.

Um grande atrativo, ao menos para mim, foram os chefes do jogo. Cada um possui uma música tema, arena e habilidades diferentes que criam uma luta épica para o jogador. Nem todas são realmente difíceis, mas é perfeitamente possível gostar de todas por causa desses motivos anteriores e seu design de lutas mais artística. Achei bem semelhante ao design que o jogo Ori Will of the Wisps propôs para seus chefes e que provavelmente muitos que gostaram dele irão consequentemente gostar de Death's Door.

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Um ponto importante a se mencionar e que é difícil de ver hoje em dia, tanto para estúdios pequenos quanto grandes, é o capricho aos detalhes dentro do jogo. É muito legal de ver, por exemplo, as placas que o jogo possui mostrando os trajetos e, ao destruílas, a legenda da placa também é destruída. Isso não se limita a apenas as placas, mas também a música que se encaixa com o ritmo dos pistões no covil da bruxa, cada atividade feita muda alguns diálogos, rachaduras no corpo dos inimigos que mostra o quanto falta para matá-los, entre outras situações que podem surpreender o jogador.

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O jogo pode ser fácil para boa parte do público que procura um desafio semelhante a, por exemplo, Hollow Knight. Isso se deve muito ao excesso de pontos de checagem que evitam do jogador percorrer um caminho muito grande, fazendo até mesmo com que a morte do personagem se torne banal. Esses pontos que salvam o jogo também ficam na porta do local onde se enfrenta todos os chefes, assim o jogador pode repetir somente a batalha dele até finalmente conseguir derrotá-lo. O que também colabora para facilitar é que, após percorrer um caminho, o jogo permite abrir um atalho que anteriormente estava bloqueado e, caso o personagem morra, ele volta para o ponto salvo e utiliza o atalho que foi liberado.

No geral, Death's Door é uma experiência incrível de um jogo do gênero ação e aventura e traz elementos muito interessantes e chamativos, como música, chefes e desafios diferenciados. Além disso, o jogo aborda com um certo nível de profundidade questões sobre a morte, ciclo da vida e eternidade em sua história, além de mostrar várias perspectivas sobre isso através dos personagens apresentados. Apesar das limitações e coisas que poderiam melhorar, o estúdio conseguiu entregar um jogo extremamente divertido, frenético e que faz esquecer desses problemas técnicos ao jogá-lo, por isso ele certamente é um dos melhores jogos de menor porte que teremos esse ano e, quem sabe talvez, até o melhor.

9.5
favorite
Nota
Um excelente e divertido jogo que aborda perspectivas da morte e eternidade
Prós
  1. Trilha sonora
  2. Tema da história
  3. Desafios
  4. Chefes criativos
  5. Personagens carismáticos
  6. Ambientes únicos
  7. Combate preciso e frenético
Contras
  1. Falta de dificuldade em alguns lugares
  2. Atividades do pós-jogo
  3. Variação de armas (combate)
  4. Evolução de habilidades
Sr Ori
Sr Ori #luhckaz100
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