Returnal e a história de sucesso da Housemarque

Returnal e a história de sucesso da Housemarque

Conheça mais sobre esse estúdio, de sua fusão até o casamento com o Playstation
#Artigos Publicado por Alves_GV, em

Sucesso nascido de uma fusão da vida real.

No final de abril, a PlayStation 5 vai receber mais um jogo exclusivo, não podemos dizer que as ofertas têm sido abundantes, a verdade é que o mercado de videojogos parece algo estagnado neste princípio de ano, consequência de todas as incertezas em que o mundo se viu mergulhado com a pandemia, mas ainda vemos um tesouro surgir aqui e ali.

O próximo é Returnal, o novo e mais ambicioso projeto do estúdio finlandês Housemarque, que podem reconhecer de jogos como Dead Nation, Matterfall ou Alienation, e que tem no exclusivo PS5 o seu grande teste, um jogo com maior orçamento e um conceito deveras ambicioso, de que falaremos mais à frente.

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Mas antes de recordar a história e de tentar explicar o voto de confiança que mereceu da Sony, permitam-me explicar porque respeito, simpatizo até, com o Housemarque. Não sou do tempo do Super Stardust original, que até recebeu uma versão HD na PS3, mas quando em 2012 fui a convite da Sony a Londres ver a nova portátil que estavam a promover em grande força, uma tal de Vita, houve um dos jogos em exposição que se destacou dos demais no grupo, Super Stardust Delta. Passamos bem mais tempo com ele do que com supostos nomes mais importantes, como Gravity Rush, UNCHARTED: Golden Abyss ou EA SPORTS FIFA Soccer.

Cerca de dois anos depois, não fiquei surpreso com o sucesso de Resogun na PS4, estava a consola a dar os primeiros passos. Quando no início de 2016, durante um evento dedicado a apresentar os principais jogos independentes financiados pela Sony a caminho da PS4, conheci os produtores responsáveis pelo desenvolvimento de Alienation, que tal como eu na altura, jogavam demasiado Diablo para a sua saúde. Foi mais um dia desequilibrado de trabalho, não faltavam jogos para explorar e dar a conhecer, mas acabei por dedicar grande parte do tempo a jogar Alienation com eles. Curiosamente só muito mais tarde voltei a pegar no jogo, mas esse tornou-se, durante muito tempo, numa das mais frequentes febres de sexta-feira à noite com os amigos.

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[Blood] House [Terra] Marque - Origem

A Finlândia é um país pequeno do Norte da Europa, ainda mais pequeno do que Portugal embora nestas comparações de mercado entram sempre discussões sobre a riqueza dos países, e nesse campo estamos claramente atrás. O Housemarque é basicamente o resultado da união entre o Bloodhouse, que foi o primeiro estúdio de videojogos com ambições comerciais na Finlândia, e o Terramarque, que em 1994 lançou Elfmania no Amiga.

Em 1995, Bloodhouse e Terramarque, que eram liderados por Harri Tikkanen e Ilari Kuittinen, decidiram unir esforços e criar aquilo que é hoje conhecido como Housemarque, mantendo-se ainda assim num terreno familiar às equipas que com eles trabalhavam, os jogos de ação rápida. Super Stardust (1996), Alien Incident (1996 e o shooter The Reap (1997) ainda foram lançados no PC, antes da Housemarque dar o definitivo salto para as consolas, estreando-se, curiosamente, na Xbox com Transworld Snowboarding (2002).

A Ligação com o PlayStation

O estúdio viria a trabalhar novamente numa máquina de jogos da Microsoft, mas a sua história ficaria intimamente ligada à PlayStation a partir de Super Stardust Portable (2008) para a PSP, sendo que a partir de 2013 (sim, de Resogun), o estúdio passaria a desenvolver quase em exclusivo para as consolas da Sony. A exceção foi Nex Machina, o shoot 'em up que além da PlayStation 4, também foi disponibilizado no PC, em 2017.

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É a feliz relação iniciada com Resogun em 2013 que pode ajudar-nos a compreender o casamento. O jogo foi financiado pela Sony e disponibilizado no serviço PS Plus, ajudando a alavancar o sucesso da consola e do serviço no início da Gen-8. Seguiu-se claro Alienation (2016), Super Stardust Ultra VR (2016), Nex Machina (2017) e Matterfall (2017), antes da encomenda de um projeto especial, que vai fugir aos tradicionais cânones arcade do Housemarque, Returnal.

Relação iniciada com Resogun em 2013 pode ajudar-nos a compreender o casamento.

O que é então Returnal? Desde que foi apresentado que levanta mais dúvidas do que as respostas que oferece. Do que sabemos trata-se de um thriller com um ambiente de terror e uma estrutura de constante repetição, ao estilo do filme Edge of Tomorrow (Com Tom Cruise, adaptado do All You Need Is Kill), onde tentamos constantemente quebrar um ciclo em que vivemos o mesmo dia ou momento vezes sem conta, imunes à morte.

O objetivo passa por contar uma história misteriosa e com diferentes camadas, onde existe uma descoberta constante que nos faz repensar a abordagem a cada problema e se os trailers e vídeos mostrados até ao momento cumprirem a sua promessa, convidar a fazermos uma autoanálise durante o processo de revelação da história.

"A nossa filosofia de storytelling e direção narrativa com Returnal tem como base o pressuposto de que a história não deve comprometer o gameplay. Deve antes racionalizá-lo, aprofundá-lo e integrar-se nele." - Greg Louden, diretor narrativo no Housemarque.

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A história vai seguir a viagem de Selene, membro da corporação espacial ASTRA, até ao planeta Atropos, em busca do sinal conhecido como “White Shadow”. Ao chegar, Selene descobre as ruínas de uma antiga civilização alienígena, repleta de estátuas, portais, tecnologia, cadáveres, mas também criaturas espetaculares mas hostis, que a atacam sem pestanejar.

A inspiração da equipa nos roguelike vai ficar evidente assim que Selene perecer pela primeira vez, depois de defender-se de tudo o que aquele ambiente hostil lhe atirar para cima. A morte é inevitável ("é apenas o começo") e faz parte do ciclo do gameplay, Selene não vai ser recebida por um ecrã negro de Game Over, vai antes acordar no cockpit da sua nave, momentos antes de embater no chão daquele mundo alienígena.

Mas as coisas não estarão exatamente iguais, cada localização de Atropos muda depois do renascimento da protagonista, a estrutura do nível não será a mesma, e os perigos também não, desafiando-nos com constantes novos desafios onde a memória muscular não será suficiente para progredir. A tecnologia avançada que vai recolhendo permitirá a Selene descobrir atalhos e formas mais simples de avançar mais a cada tentativa, além da capacidade para bater-se e sobreviver mais tempo contra as criaturas de Atropos, graças às novas armas e upgrades a que vai tendo acesso.

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Returnal promete imenso aos fãs de ambientes de tensão e ficção científica. O tom sombrio contrasta com a ação dos combates, como se os demónios de DOOM tivessem acasalado com os xenomorph em galáxias muito distantes. Tentamos, sem sucesso, retirar algum sentido daquele mundo, mas justamente quando nos começávamos a sentir à vontade e familiarizados com os trailers, o Housemarque colocou a casa de infância de Selene no meio de Atropos, sugerindo que tudo aquilo não passava de um sonho. O estúdio finlandês tem-nos surpreendido ao longo dos anos, se deram um passo maior do que a perna com Returnal? Isso é algo que vamos ficar a saber em breve, quando o jogo chegar em exclusivo à PS5 no próximo dia 30 de abril de 2021.

Fonte: Ign
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