Um entre os vários games do Playstation 2 que não tiveram o merecido reconhecimento
Publicado por Gabr1elKK, em .
Atenção
Alguns aqui já devem saber um pouco da historia de God Hand, mas mesmo assim vou avisar que talvez tenha alguns spoilers, porquê não sou muito bom em evitar essas coisas.
(E eu andei lendo Stephen King esses dias, então no começo eu enrolei bastante, se quiser pode pular)



Quem aí nunca ficou sem nada pra fazer algum dia, estava deitado pensando sobre nada, ouvindo, talvez, nosso querido Dire Straits pra acalmar os nervos depois de um longo dia de trabalho (ou estudo, claro), e de repente você sente que já ouviu o riff de Sultans Of Swing mas... em outro lugar.

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Foi exatamente o que me aconteceu hoje. Eu sabia que tinha ouvido aquilo em outro lugar, mas a memória era meio vaga e eu só lembrava que foi no PS2 onde ouvi algo tão familiar. Então, procurei em cima do meu guarda roupa, depois embaixo (não me julguem, faz tempo que não arrumo muito bem esse lugar) e quando olhei no porta sapatos, achei. Minha caixa com os jogos de PS2 comprados a 3 por 10 na loja do Dito. Comecei a lembrar dos muitos games que eu jogava o dia todo após chegar da escola quando tinha meus 8 anos - na verdade até os 14 pois só então ganhei outro console - e ali estavam todos os clássicos: GTA San Andreas, GTA Vice City, Ghost Recon, God Of War, Gun, Bomba Patch, Super Bomba Patch, Bomba Patch Brasileirão, Bomba Pat... me desculpem, me perdi.
Então, olhando entre eles passei por ele, o glorioso, o único (infelizmente), o icônico: God Hand, a Mão Divina.
Sim era nele que eu tinha ouvido aquela música tão boa, eletrizante que me fazia querer espancar todos que eu visse pela frente além da garota que salvei a muito tempo. E é sobre ele que quero falar nessa publicação, um clássico que muitos do site devem conhecer mas infelizmente pelo resto do mundo, nem tanto. Enfim, vou lhes falar sobre a mão direita de Deus.

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Se falar que a música não lembra Dire Straits, tá mentindo.


Primeiramente, o básico sobre o game

Lançado em 14 de Setembro de 2006, God Hand é um game do gênero beat 'em up desenvolvido pela Clover Studio - que não está mais entre nós - e distribuído pela nossa querida Capcom. O game foi dirigido pelo renomado Shinji Mikami, criador de jogos famosos como Resident Evil, Dino Crisis, e Devil May Cry.

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Enquanto criava God Hand, seu objetivo era que esse fosse um game destinado para os "gamers mais hardcores", usando uma combinação de ação frenética com um exagero de alívios cômicos. A resposta do público gamer foi no geral muito positiva, mas infelizmente o game só teve vendas consideradas "levemente boas" no Japão. No geral, ele vendeu a mísera quantia de 48.280 unidades. A Capcom tentou arrastar um pouco mais esse número, com o lançamento do game na Europa em 2007, mas ainda assim ele ficou apenas com 60.000 unidades vendidas no total.

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Enredo

A historia de God Hand revela que a muito tempo atrás, um anjo caído se tornou o Rei Demônio Angra e tentou destruir o mundo dos humanos usando seu exército de demônios e espectros. Um homem com o poder de Deus em seus braços derrotou Angra, e o mandou de volta para seu exílio. Este homem então, ficou conhecido como "A Mão de Deus" pelas pessoas que salvou. Um clã de humanos foi estabelecido para proteger as Mãos de Deus. Era dito que qualquer um que as possuía "seria capaz de tornar-se tanto homem como demônio". É aí que entra nosso querido Gene, um velho lutador de 23 anos que possui uma das duas Mãos de Deus, procurado por um grupo de demônios.

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Embora várias vezes ele pareça muito franco e machista, na verdade ele tem um absurdo senso de justiça.
Gene é acompanhado por Olivia, uma garota de 19 anos um tanto quanto, digamos, saborosa; descendente de um clã que já protegeu as Mãos de Deus.

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Com a maior parte de sua família morta pelos Quatro Devas, ela fugiu com uma das Mãos de Deus, confiando-a a Gene ao conhecê-lo.
Os principais antagonistas no game são Os Quatro Devas, uma sociedade que se empenha em ressuscitar Angra e ter o controle do mundo. O grupo consiste em quatro membros: o orgulhoso líder demônio Belze; o grande e violento demônio Elvis; a extrovertida e hedonista "demônia" Shannon; e Azel, este chamado de "Mão do Diabo", um humano com a posse da outra Mão de Deus que se juntou aos Devas para alcançar seus próprios objetivos.

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God Hand também nos apresenta a uma série de mini bosses que Gene encontra durante sua jornada. Incluindo um par de fisiculturistas homossexuais gêmeos extremamente extravagantes; o trio responsável por cortar o braço direito original de Gene; um gorila usando uma máscara e roupa de "lucha libre" (e tem um zíper suspeito nas costas); um par de braços robóticos gigantes;
e um grupo de anões vestidos com roupas estilo Super Sentai. Quase todas as batalhas baseadas na historia do game são marcadas por alívios cômicos e diálogos duvidosos.

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Desenvolvimento

God Hand foi desenvolvido pela Clover Studio como eu havia dito, o estúdio responsável pelo desenvolvimento de Resident Evil 4. Foi supervisionado por Shinji Mikami e produzido por Atsushi Inaba. A ideia original de God Hand surgiu sobre os dois durante uma conversa sobre como andava o atual estado dos game de ação, onde ambos chegaram a conclusão de que na época a maioria dos games desse gênero eram baseados em pegar uma arma e sair atirando por aí, deixando de lado o combate corpo-a-corpo. Mikami um tempo depois chegou com um pôster retratando dois punhos estilizados, significando o tipo de game onde os dois gostariam de trabalhar. Originalmente, God Hand seria um game de "ação hardcore" com pouco humor em sua campanha, porém após seu trailer divulgado na E3 2006, que continha um certo alívio cômico, a equipe decidiu adicionar uma grande quantidade de comédia no jogo com base nas reações dos espectadores.

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Sua trilha sonora (e que trilha sonora meus amigos) foi composta por Masafumi Takada e Jun Fukuda. A OST nos lembra muito a músicas de games mais antigos, e contém fortes inspirações em músicas tema dos anos 60 e 70, e também alguns outros gêneros, incluindo techno, rave, rock e funk (não o nosso carioca, claro, mas sim aqueles que surgiram do Jazz e Blues nos anos 60). Mikami disse a Takada que devido à natureza hardcore do jogo, a trilha sonora deveria ser composta para "relaxar um pouco as coisas". Como alguns chefes seriam enfrentados mais de uma vez no game, Takada esperava que o uso de diferentes arranjos e orquestrações lembrasse os jogadores de encontros anteriores com cada chefe. A trilha sonora propriamente dita, God Tracks, é composta por 23 faixas e acompanha a versão japonesa do jogo.

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Um guia do jogador de 128 páginas intitulado God Hand Official Guide Book foi publicado pela Capcom no Japão em 7 de outubro de 2006.
Futuramente, God Hand foi lançado também para o Playstation 3 em 2011 como um título transferível pela PSN.


Gameplay

God Hand é um game de ação 3D que deixa movimentar em todas as direções (dãã) atacando cara-a-cara com os inimigos e usando habilidades especiais, afinal, temos uma das Mãos de Deus. Usando o botão de ação podemos pular escadas, pegar itens e usar ataques especiais que só podem ser usado quando o inimigo está atordoado ou cansado (e esses ataques são a melhor coisa do combate). Usando o analógico podemos esquivar para quatro direções, e esquivar de vários ataques pode deixar o inimigo irritado. O game também permite ao jogador mapear algum golpe (seja soco, chute, etc.) para qualquer botão que ele deseje para deixar um pouco mais fácil de combar. Existem mais de 100 ataques para o jogador escolher, desde golpes fracos como socos e chutes, até o estilo bêbado e capoeira - isso mesmo, mais de 100 ataques únicos.
Habilidades mais poderosas em God Hand podem ser utilizadas na "Roulette Wheel" (ou "God Reel") do jogador, uma roleta que contém os ataques que o jogador pode escolher para executar. Esses movimentos são limitados a um número de "Orbes de Roleta" que o jogador pode aumentar coletando algumas "Cartas de Caveira" encontradas em cada fase. As técnicas do God Reel requerem entre um e três orbes de roleta para serem executadas.
Alguns movimentos enviam os oponentes para a estratosfera, enquanto outros são simples socos ou chutes em partes específicas do corpo (inclusive, não tente chutar a virilha de uma mulher inimiga, você vai apenas desperdiçar o ataque).

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E claro, as execuções finais, que não podia faltar aqui.

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Outra mecânica de jogo é a própria Mão de Deus. Conforme o jogador ataca e derrota os inimigos, seu "medidor de tensão" sobe. O jogador pode desviar de ataques, provocar, usar ataques que aumentam a tensão ou encontrar cartas dentro de um estágio para aumentar esta barra. Quando atinge um determinado valor, o jogador pode remover a pulseira do braço de Gene para liberar temporariamente a Mão de Deus - e é aí que a cobra fuma meu amigo. Nesse estado, Gene é completamente invencível e todos os seus ataques aumentam em potência e velocidade. Usando vários itens de aumento de estatísticas, o jogador pode aumentar o tamanho de seu medidor de tensão para manter mais poder.

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Conclusão

Acho que já ficou grande demais essa publicação, mas o ponto que eu queria fazer aqui é: convencer a todos que ainda não jogaram ou não ouviram falar sobre o game, a dar uma chance e emular aí - ou jogar no próprio PS2 pra ter uma sensação mais nostálgica.
God Hand é um game que marcou muito minha infância e gostaria muito que ele tivesse o reconhecimento que merece. Talvez algum dia resolvam fazer um remaster ou remake, já que a Capcom anda mestre nisso.
God Hand por parte dos "críticos especializados" teve uma recepção boa do público japonês, mas bem razoável na américa, atualmente tendo sua nota no Metacritic como 7.3 porém com as notas de usuários a 9.2.
Suas críticas da época se deram mais ao fato de ter um gráfico não tão bom, e alguns críticos chegaram a reclamar que alguns momentos eram difíceis demais (pra gente ver a extrema habilidade dessa galera que faz review).

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Espero muito que tenham gostado e que eu tenha conseguido fazer pelo menos alguns de vocês desenvolverem um interesse por essa magnitude de jogo.
"So from all of us here I'd like to wish you happy painting gaming, and God bless, my friend..." - Bob Ross
ZigEvil
Gabr1elKK #ZigEvil
Fã de games em geral, mas meu estilo favorito é sempre o bom RPG. Meus jogos favoritos são The Witcher 3, Red Dead Redemption 2 e The Last Of Us.
Crente de Tarantino e devoto de From Software.
Usuário do Site, 17 anos, Maria Da Fé - MG
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