Graças aos jogos cross-gen, levará um tempo até que os desenvolvedores utilizem todo o potencial dos novos consoles.
Publicado por Vinicius, em .
A Microsoft divulgou recentemente imagens de vários títulos do Xbox Series X atualmente em produção. Para aqueles de nós que esperam ansiosamente por um grande salto de geração em recursos visuais e técnicos, os vídeos e as cenas de jogo foram bem decepcionantes. Um exemplo é o The Medium, o mais recente jogo de terror da Bloober Team, orgulhosamente apresentado como um exclusivo do Xbox Series X, o qual não era possível em um hardware menor.

Nos momentos iniciais da revelação do The Medium, ficamos impressionados com a qualidade dos visuais mostrados: materiais de qualidade incrivelmente alta, malhas ambientais com detalhes poligonais até mesmo nos menores pedaços de detritos no chão, personagens cujas emoções eram surpreendentemente reais. Depois, houve as partes com gameplay, e nossas esperanças foram esmagadas.

A maioria dos gameplay mostrados - como foi o caso de outros títulos da próxima geração, como Assassin's Creed: Valhalla - eram em grande parte CGI pré-renderizadas, com um pouco de jogabilidade envolvida. O que vimos na jogabilidade do The Medium estava longe de ser impressionante. Resident Evil 7 e até títulos AA recentes como Someday You Return possuem uma qualidade visual semelhante. A escala de interações possíveis, as possibilidades de gameplay - nada era realmente "próxima geração". Outros títulos de "próxima geração" mostrados, incluindo o Dirt 5, foram igualmente decepcionantes.

Há uma clara diferença entre a qualidade visual dos títulos exibidos pela Microsoft e a enorme melhoria que as especificações do Xbox Series X proporcionam. Lembre-se de que o Series X fornece quase 10 vezes a potência de GPU e mais de 4 vezes a capacidade de processamento do Xbox One S, sem mencionar o armazenamento e o I/O muito mais rápidos. O que está acontecendo aqui? Por que os títulos da próxima geração, ou pelo menos os que vimos até agora, não parecem da próxima geração?

Clique para ver a imagem em tamanho original

A mudança para 4K/60 FPS faz parte do problema: estamos falando de um aumento de 8x em potência gráfica apenas para rodar os títulos de 1080p/30 FPS do Xbox One com uma resolução e taxa de quadros muito maior (uma pequena nota - o O Xbox One nem mesmo roda a maioria dos títulos AAA em 1080p). Mas, considerando a recente declaração da Ubisoft de que Assassin's Creed Valhalla deve ser um título 4K/30 FPS no Series X, isso é apenas parte do problema. Uma questão maior é o fato de que a Microsoft e a Sony, ao longo dos anos, assumiram um compromisso muito forte com a retrocompatibilidade.

Isso era perfeitamente aceitável com os consoles atualizados no meio da geração: o objetivo do Xbox One X e do Playstation 4 Pro era poder rodar jogos existentes em resoluções e/ou taxas de quadros mais altas. Mas agora, com o Xbox Series X e o Playstation 5, estamos analisando uma situação muito diferente. Esses consoles são uma geração à frente do hardware de oitava geração e têm a capacidade de fazer coisas, em termos de recursos visuais e jogabilidade, que não são possíveis na geração passada. Apresentar verdadeiras experiências de nova geração, jogos impossíveis no PS4 ou Xbox One, seria uma ótima forma de convencer os possíveis compradores do Xbox Series X sobre o valor do próximo console.

Em vez disso, o foco da Microsoft na compatibilidade parece ter prejudicado os esforços das desenvolvedoras. Embora a própria Microsoft tenha declarado recentemente que a manter a compatibilidade entre as gerações do Xbox depende das desenvolvedoras, grande parte de suas mensagens anteriores e a própria ideia de o Xbox ser uma "família" está em desacordo com isso. O resultado? As próprias desenvolvedoras parecem ter construído títulos prontos para a "oitava geração" com recursos do Series X, como resolução 4K e ray tracing.

O problema em questão com o paradigma cross-gen não é que os consoles da próxima geração sejam poderosos: não há dúvida sobre isso. É que as plataformas básicas simplesmente não estão aptas para o mundo de hoje e dificultam os esforços de desenvolvimento.

Clique para ver a imagem em tamanho original

Embora os títulos cross-gen possam parecer decentes nas plataformas de próxima geração, graças a complementos que usam a GPU como o ray-tracing, a maior limitação que esperamos ver é em termos de inovação na jogabilidade. A mudança para os processadores Zen 2 de oito núcleos com clock bem acima de 3 GHz no PS5 e no Xbox Series X significa que essas duas plataformas são capazes de muito mais em termos de IA, construção de mundo, interações no gameplay, física, e muito mais. Os avanços no poder da CPU foram o que tornou possíveis gêneros de jogos: o grande número de NPCs na tela em jogos da sétima geração, como Dead Rising e Assassin's Creed, só foi possível por causa de CPUs muito mais rápidas. A relativa falta de aprimoramento das capacidades da CPU fez com que o gameplay nos títulos da oitava geração fosse praticamente inalterada em relação à sétima geração.

Com suas CPUs mais rápidas, os títulos da nona geração têm a capacidade de inovar. Em títulos de mundo aberto, a IA avançada pode gerar conversas, por exemplo. A física do jogo pode ir além dos efeitos básicos de rag doll para incluir micro-destruição ambiental. As cidades podem ser ampliadas para incluir milhares de personagens com agendas que vão além de "ande aqui ao meio-dia, sente-se aqui mais tarde". Há muito que poderia ser feito, mas evidentemente ainda não fizeram. Mas tem que ser assim? O período entre gerações tem que ser marcado por uma estagnação?

Um bom exemplo para se olhar seria o período entre gerações da sexta e sétima geração, por volta de 2005-2007. Muitos dos primeiros títulos de lançamento no Xbox 360 era na verdade os jogos da geração passada melhorados. Just Cause e Call of Duty 2 são exemplos perfeitos. No entanto, jogos como Condemned: Criminal Origins e Elder Scrolls IV: Oblivion ultrapassaram o que era possível no PS2, GameCube ou Xbox, com iluminação em tempo real, modelos complexos e física.

Os desenvolvedores estavam claramente trabalhando para extrair o máximo do hardware da sétima geração antes mesmo de chegar ao mercado e desenvolvendo títulos e tecnologias que só eram possíveis nele. Isso não quer dizer que os jogadores da sexta geração foram deixados de fora. As grandes franquias, de Call of Duty a Dragon Ball Z e Madden continuaram a oferecer ótimos jogos de sexta geração. Mas, em vez de forçar os títulos de sétima geração para o hardware da sexta geração - e assim atrasar esses jogos em questões técnicas - as equipes de desenvolvimento dividiram seus esforços e entregaram experiências da sexta geração criadas para o hardware da sexta geração. Isso significava que títulos em consoles mais antigos coexistiam com títulos em plataformas mais novas sem as limitar.

Essa não parece ser a abordagem que a Microsoft e a Sony estão tendo com o PS5 e Xbox Series X. A consequência? Provavelmente teremos que esperar mais 2 a 3 anos para que "verdadeiros" jogos de próxima geração cheguem.
VSDias55
Vinicius #VSDias55
Jogando
Persona 5 Royal / Doom

Lendo
Spiral de Kōji Suzuki
Moderador do Site, 27 anos, Florianópolis
Deixe seu comentário para sabermos o que você achou da publicação
Gosta do site e quer ajudar a o manter online? Apoie-nos!.
Não se esqueça que você pode participar do nosso Discord.
E também nos seguir no Facebook, Twitter, Instagram e na nossa curadorida da Steam.