Crítica | Um Lugar Silencioso: Parte II

Crítica | Um Lugar Silencioso: Parte II

Filme de John Krasinski mantém qualidade e suspense ensurdecedor do primeiro
#Notícias Publicado por Alencar.F10, em

Um Lugar Silencioso: Parte II (A Quiet Place Part II) é a continuação direta do primeiro filme, lançado em 2018. Aqui continuamos a acompanhar a família Abbott em sua saga para sobreviver em um mundo “pós-apocalíptico”, onde a maioria da população foi dizimada por monstros sensíveis ao som.

A direção e o roteiro novamente ficam por conta de John Krasinski, que também reprisa o seu papel no elenco, como patriarca da família. E por falar em elenco, temos de volta a sempre competente Emily Blunt (como a matriarca da família), Millicent Simmonds e Noah Jupe como os filhos.

E como novidade, em termos de elenco, temos Cillian Murphy (Peaky Blinders). Por sempre ter interpretado personagens dúbios ou com tendências maldosas, o ator entra como um ingrediente para adicionar ainda mais tensão à trama do filme.

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Mesmo nível de qualidade

Um Lugar Silencioso 2 tem, essencialmente, os mesmos pontos positivos do primeiro filme. As duas obras estão tão interligadas que dá até pra assistir os dois de uma vez, como se fosse um filme só com mais de 3 horas de duração. Manter a inegável qualidade do primeiro filme é um ponto super positivo. Mas, em contrapartida, nós perdemos o fator novidade, que foi muito forte na obra original de 2018. Mas isso não diminui em nada esse longa-metragem.

Interessante notar que o primeiro filme foi uma aposta da Paramount. Portanto, não se sabia se ele faria sucesso e muito menos se teria uma continuação. Por isso o enredo do primeiro filme não dá muita brecha para uma sequência. Sendo assim, o roteiro do segundo filme precisou buscar um fator novo para dar continuidade à história, mas sem perder a essência do primeiro filme.

E o fator novo de Um Lugar Silencioso 2 é como a nova geração, ou seja, os filhos, vão se adaptar a esse mundo inóspito e cruel. No primeiro filme nós temos os pais fazendo o possível e o impossível (inclusive dando a própria vida) para proteger os filhos. Já neste filme são os filhos que precisam amadurecer e tomar as rédeas da situação para proteger os mais velhos.

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Curto e direto ao ponto

Esse fator novo traz muita dinâmica para uma história que é bem curtinha. O filme tem, basicamente, 2 atos, já que ele começa na metade da história. Portanto, não há muita enrolação aqui e o roteiro vai direto ao ponto. A filha mais velha não demora muito para decidir continuar com o legado do pai, que é o de se dedicar ao máximo para proteger os seus e continuar sobrevivendo.

Com isso, ela entra em sua própria jornada com muita independência e força, sendo alçada ao patamar de grande protagonista da obra. Por outro lado, o irmão mais novo começa como uma figura mais acuada, medrosa e conformada em estar numa posição de submissão e mediocridade. Mas, aos poucos, ele vai se dando conta de que precisa tomar à frente da família. E ele começa essa transformação resolvendo micro-conflitos que o ambiente lhe impõe. E é aqui que o clímax de Um Lugar Silencioso 2 começa a ser construído, culminando em um final muito forte.

Roteiro e Fotografia

A criatividade do roteiro se nota também em como o filme constrói as suas tensões. Ele primeiramente fragmenta os núcleos para ficarmos absorvidos neles. De um lado temos uma protagonista que vive em “campo aberto” e enfrenta os problemas de frente. Já do outro lado temos um protagonista que vive em um “campo fechado” dessa realidade, sempre escondido. E a fotografia ajuda a denotar isso muito bem.

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Quando estamos acompanhando o núcleo da garota, a fotografia opta por usar planos mais abertos, planos gerais. Mostrando com clareza o ambiente, os monstros e todas as ameaças ali presentes. Por outro lado, ao entrarmos no núcleo protagonizado pelo garoto, temos uma câmera mais fechada, eu diria até claustrofóbica. Não nos é permitido ver todo o ambiente. A fotografia é tão claustrofóbica que até o oxigênio se torna um problema. De fato, nas cenas mais tensas, o plano é tão fechado que nos sentimos amassados e prendendo a respiração.

Montagem executada com maestria

Apesar da história ser fragmentada em vários núcleos, eu achei muito interessante ver como o roteiro e a montagem interligou tudo com maestria. Os personagens estão fisicamente distantes uns dos outros, mas todas as ações estão interligadas.

A forma como a montagem faz todos esses fragmentos virarem uma coisa só é o verdadeiro ouro do filme. A tensão sobe, as amarras da história se soltam, de um lado a menina sofre para resolver um conflito, de outro o irmão e a mãe dela tentam ao máximo proteger o bebê recém-nascido para todos saírem vivos ao final. A solução de um lado reverbera do outro lado e a vitória de um influencia na vitória do outro.

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A montagem também respeita a escalada de tensão do roteiro. E no terço final do filme fica quase impossível respirar de tão frenético e intenso que o filme está. Você fica com receio até de se mexer na cadeira para não fazer barulho e atrapalhar os personagens. Isso mostra que nem sempre uma continuação caça-níquel pensa apenas em dinheiro. Há muito coração envolvido aqui também.

O Som

Como não podia deixar de ser, o som mais uma vez é quase que um personagem do filme. Afinal de contas, ele é o catalisador de todos os problemas. O próprio título da franquia já denota isso. Por isso, recomendo que se você puder, assista a Um Lugar Silencioso 2 nos cinemas. Se preferir assistir em casa, use um bom fone de ouvido e deixe o volume perto do máximo para usufruir de todo o trabalho do design de som.

Conclusão

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Diferentemente do primeiro filme, em Um Lugar Silencioso 2 o roteiro torna bem claro a necessidade de uma sequência. E é até bom que haja a necessidade, pois essa é uma história muito boa de se acompanhar.

John Krasinski acerta mais uma vez neste filme, tanto na direção quanto no roteiro. Apesar de não existir mais o fator novidade, o saldo é muito positivo. É um belíssimo filme! Claro, não é gigante como a primeira parte, mas é muito acima da média de outros filmes do mesmo gênero. Vale muito a pena assistir Um Lugar Silencioso 2 nos cinemas.

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