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Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi

Enviado por YuriVicio, , 9 visualizações, 0 comentários
"Dragon Ball Z" é um dos desenhos japoneses de maior sucesso no mundo todo, tendo vendido mais de 300 milhões de publicações pelo globo. Foram mais de 10 anos de sucesso nos quadrinhos, iniciada em 1986 na Shonen Jump, a maior compilação de quadrinhos do Japão, publicada semanalmente. O autor Akira Toriyama não pretendia prolongar a história da série, mas seu sucesso foi tão arrebatador que, mesmo depois do fim nos quadrinhos, uma versão exclusiva para a TV chegou a ser produzida em 1997, o "Dragon Ball GT".

Quase oito anos depois, a série continua sendo uma das mais populares e isso se reflete nos diversos jogos da baseados nos guerreiros mais poderosos do universo. A franquia "Budokai", nascida em dezembro de 2003, é uma das mais tradicionais para o PlayStation 2. Agora, em nova produtora - a Spike está no lugar da Dimps -, a série consegue se reciclar, ao mesmo tempo em que tenta implementar uma mecânica de jogo equilibrada.

à um pássaro? Um avião?

"Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi" mudou um pouco o foco dos combates. Se antes - até "Budokai 3" - tentava ser um clone de jogos como "Street Fighter EX3", parecendo um jogo de luta tradicional, porém com super-raios, o novo jogo da produtora Spike investe num aspecto tão importante quando os socos e chutes, pelo menos no mundo de "Dragon Ball": os deslocamentos.

Ao que indica, a Spike tentou reproduzir com a máxima fidelidade os combates insanos do desenho, que incluem não apenas golpes poderosíssimos e raios devastadores, mas também uma supervelocidade de dar inveja ao Super-Homem. Para os guerreiros de "Dragon Ball Z" não importa o local dos combates: é natural lutar em pleno ar ou dentro d'água, como se lutassem em terra firme.

Sendo assim, até chegar perto dos inimigos, "Dragon Ball Z: Budokai Teikaichi" mais parece com os jogos de combate entre robôs "Virtual-On" ou "Armored Core", isto é, a visão aponta para o fundo, quase em primeira pessoa. Nesse estado, o jogador pode se aproximar, afastar ou tentar dar a volta em torno do oponente, seja por terra ou pelo ar. Os raios podem pegar os oponentes de longe.

O campo de batalha tem diversos obstáculos, que podem tapar a visão do oponente. Caso perca o adversário de vista, existe um comando que procura o "ki" dos adversários, mas isso demanda um tempo e ficará vulnerável enquanto estiver concentrado. Claro que o movimento pode ser interrompido a qualquer hora. Como no desenho, a capacidade de procura é maior nos Saiyajins, pois eles são treinados para identificar a energia espiritual, mas há guerreiros equipados com a Scouter, que faz esse trabalho automaticamente.

O vôo pode ser feito com gasto de "ki", no caso dos humanos, e nesse estado, os guerreiros ganham uma aura durante o movimento, permitindo se proteger dos raios comuns. Isso também pode ser feito mesmo sem gastar energia, bastando apertar o botão de defesa no momento da chegada dos raios. Essas são cenas comuns no desenho, que quase nunca foram reproduzidas nos videogames.

Apesar de conferir algum grau de liberdade nos vôos, para conseguir se locomover com precisão será necessário um tempo de treino, pois os comandos não são muito intuitivos, fazendo uso do direcional, dois botões de ombro e também do botão para deslocamento rápido. Como dito, a movimentação é um fator importante nos combates, pois pode fazer com que o oponente perca-o de vista.

Choque de energia explosiva

Na hora do combate corpo-a-corpo, o sistema foi simplificado, ao mesmo tempo em que ganhou novas funções, sempre com o intuito de reproduzir fielmente o estilo de luta exagerado da série. Existe apenas um botão para socos e chutes, que permite fazer seqüências de ataques rápidos (chamados de Rush) e/ou acionar golpes mais fortes, porém lentos, carregando o botão (ataques Smash).

O nível de carregamento é determinado pelo tamanho da seqüência que tiver feito anteriormente, podendo, nos últimos níveis, fazer golpes bastante fortes. Caso acerte, o oponente será jogado para a direção para a qual indicar, permitindo persegui-lo com o vôo e bater mais em seguida. Se houver um obstáculo no meio do caminho, como uma montanha, serão despedaçados pela força do ataque. Ou seja, mais uma típica cena do desenho animado. Alguns golpes não podem ser defendidos, mas existe um movimento que permite sumir da frente do oponente quando este estiver para acertar seu golpe, e reaparecer por trás.

Durante os golpes Rush, é possível ligar diversos outros tipos de ataque, como os golpes pesados, raios, desvio rápido ou movimentos Atemi, que consistem em pegar o golpe do oponente e contra-atacar automaticamente. Depois desses ataques é possível retornar para as seqüências Rush e começar tudo de novo. Naturalmente entre os diversos golpes o oponente terá a chance de se defender ou desviar, e, caso dê certo, poderá retomar a iniciativa da ofensiva. Então, o segredo é misturar bastante os tipos de ataque, a fim de dificultar a defesa.

E claro que não poderiam faltar os super-raios num jogo de "Dragon Ball Z". Existem as ondas de energia comuns, mas o show fica por conta dos especiais capazes de devastar a barra dos oponentes. Quase sempre, a única solução é desviar desses ataques. Existem três tipos de especiais: os Blast 1, 2 e a Ultimate. O primeiro faz uso de uma energia especial que se enche com o tempo e fica acumulada como esferas azuis no medidor. Eles têm mais função de suporte, como o Kaiô-ken de Goku, que faz melhorar a força do personagem.

Os Blast 2 são os famosos raios característicos dos lutadores como o Kamahame-Há, da família de Goku ou a Galick Gunfire, de Vegeta. Normalmente, os lutadores têm dois ataques para cada tipo de Blast. O terceiro especial, as Ultimate Blasts, só pode ser feito no Full Mode, que consiste em se concentrar e conseguir alcançar 200% de "ki". Nesse modo, os golpes ficam mais fortes e poderá usar ataques que usem a energia espiritual à vontade, menos as Blast 2 e as Ultimates, que fazem voltar ao estado "normal". Naturalmente, as Ultimates são devastadoras, quase dez vezes mais fortes que um Blast 2. E um ataque tão espetacular como esse merece até uma introdução especial, no melhor estilo dos jogos de luta baseado em heróis.

Eu, eu mesmo e minhas cópias

"Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi" é quase uma enciclopédia sobre o universo da turma de Goku. São mais de 50 personagens, de todas as eras e até de filmes de longa-metragem, como Cooler, irmão de Frieza, e Janenba. Lutadores como Frieza, Cell e Majin Boo aparecem com todas as suas transformações, já que há um modo de história bastante completo. A gama de lutadores é realmente extensa, contando até mesmo com o Super Vegeta, autodenominação que o orgulhoso personagem usou para enfrentar o Andróide 19 e a segunda forma de Cell.

Essa modalidade, a Z Battle Gate, acompanha desde a vinda de Raditz, irmão de Goku, até o final da era GT. Naturalmente, os guerreiros Z também aparecem em todas as suas formas, como as transformações Super Saiyajin, até o nível 4, e nas fusões, resultando em guerreiros como Gotenks. Nas lutas do modo de história, o jogador controla um lutador determinado pelo enredo e deverá seguir as instruções para cumprir os objetivos. Não basta simplesmente vencer os combates.

Em caso de sucesso, itens e até mesmo novos personagens podem ser liberados. Os itens servem para modificar os lutadores no modo Evolution Z. Depois de cada missão bem-sucedida, novas lutas aparecerão até algumas de um universo paralelo, que não aconteceram no desenho. Roteiros de um período de dez anos do desenho animado e dos filmes de longa-metragem estão embutidos nessa modalidade, o que quer dizer que há centenas combates. Nesse modo também é possível pegar as esferas do dragão, que estão escondidas nos cenários, em locais que, geralmente, precisam ser quebrados para revelar o item. Com sete delas - mesmo que sejam iguais - é possível destravar duas opções especiais.

Além da opção de história, há modalidades como as de treinamento, torneio ou as Ultimate Battles, que consistem em vencer cem oponentes. Mesmo no treino dessa opção há itens para pegar. Também existe um modo de versus para até dois jogadores. Como a visão é quase em primeira pessoa, a tela será dividida. Esse é o tipo de jogo em que uma partida em rede ou online seria necessária.

Um modo interessante é o Evolution Z, que possibilita ao jogador "customizar" os personagens, equipando-os com itens e modificando sua força. Os itens vêm dos diversos modos de jogo. Também é possível fundir os diversos objetos, juntando suas qualidades num único equipamento. Esses guerreiros "montados" podem ser usados em diversas partes do game.

Celulóide digital

O trabalho visual de "Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi" não melhorou muito em relação aos anteriores, mas reproduzem com fidelidade o estilo do desenho animado, ainda que alguns lutadores pareçam simples demais. Mas a maioria dos Saiyajins está bem representada, com aqueles típicos cabelos espetados que mais parecem pirâmides. Os efeitos gráficos ajudam a dar mais dramaticidade aos combates, como a aura dos guerreiros e as bolhas que são geradas dentro d'água.

A taxa de quadros é bastante estável e alta, proporcionando batalhas fluidas e boas respostas de controle. Os cenários também não são especialmente bem detalhados, mas estão condizentes com a obra original. Mas pelo menos há um monte de partes destrutíveis, além de haver uma variedade de ambientes em diversos planetas, seja na Terra, em Namekku ou até no mundo do Supremo Senhor Kaiô. As batalhas podem ocorrer na terra, no ar ou na água.

Outro aspecto positivo é a apresentação. Assim como foi feito em "Budokai 3" ou "Saint Seiya: Chapter Sanctuary", a introdução foi refeita com computação gráfica, usando a mesma música da série original. O vídeo mantém o clima da apresentação para TV, com boas modelagens, animação e trabalho de câmera. As cores estão muito vivas e toda essa qualidade contribui para diminuir um pouco o impacto dos gráficos em si.

A parte sonora também é fiel à série de TV, para o bem ou para o mal. O game usou os mesmos dubladores do desenho animado, tanto para as falas em japonês ou em inglês, mas também mantém a trilha musical pouco inspirada. Os efeitos sonoros ajudam a aumentar a tensão dos combates, como o barulho devastador dos raios, acompanhados pelo nome do golpe.

Super Saiyajin nível 1

"Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi" simplificou alguns dos sistemas usados em "Budokai 3" e melhorou os recursos de deslocamento, tudo para reproduzir as exageradas batalhas da turma de Goku. Teve sucesso nesse campo, mas ainda continua distante de ser encarado como um game de combate competitivo como os clássicos "Tekken" ou um "Virtual-On". Os fãs da série talvez nem liguem para isso, mas para os jogadores comuns o sistema do novo "Dragon Ball" ainda não é profundo o suficiente, apesar de ter melhorado em relação à maioria dos títulos de luta baseado em heróis.
YuriVicio
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