Opinião: As exclusividades prejudicam o acesso dos jogadores

Opinião: As exclusividades prejudicam o acesso dos jogadores

Várias empresas já se adaptaram e talvez outras mudem para focar em lançamentos multiplataforma
#Artigos Publicado por Sr Ori, em

Hoje em dia a indústria de jogos já não é tão parecida quanto a que vimos ou experimentamos muitos anos atrás, pois hoje existem várias formas de consumir este tipo de entretenimento além de ter mudado a perspectiva das pessoas em vários pontos ao longo dos anos.

Podemos ver essa mudança gradativa quando pensamos em perca de exclusividade em alguns jogos, vários jogos grandes chegando ao PC simultaneamente, serviços de assinatura sendo difundidos, crossplay (jogadores podem jogar com jogadores de outras plataformas) e cross-progression (o progresso do jogador fica salvo independente da plataforma em que jogar). Ainda existem bastante jogos que não chegaram a utilizar algumas dessas formas de distribuir conteúdo, mas já estamos em uma constante mudança e que muitos pensavam que seria impossível muitos anos atrás.

Exclusividades

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Em relação as exclusividades de jogos para cada console, faz sentido comercialmente falando as criadoras desses dispositivos quererem priorizar essa "limitação", pois isso faz com que as pessoas adquiram seu dispositivo e consumam conteúdo nele. Porém hoje em dia elas já estão bem mais abertas em relação a isso, porque chegam a distribuir seus jogos diretamente no PC, mobile e até na concorrente com exclusividades temporárias.

Apesar de estar se tornando mais comum os jogos serem multiplataforma, mesmo que com um certo atraso, as criadoras de console ainda buscam por exclusividades para serem um chamativo para seu dispositivo. Mas a questão é que hoje, jogos que sempre foram multiplataforma e conquistam um certo tipo de exclusividade para algum dispositivo, são duramente criticados por alguns consumidores. Essa forma de restrição aos jogadores já é bem antiga, mas agora está repercutindo com maior força contra as empresas. Em casos em que a empresa não é criticada, ela é cobrada em suas redes sociais ou outras formas de comunicação.

Claro que existem certas exclusividades que até fazem um pouco mais de sentido, como MOBA somente para PC (por conta do mouse e teclado), jogos com gráficos atuais não estarem em portáteis e jogos de nicho japonês não saírem no Xbox por ele não ter uma fatia de mercado muito forte naquela região. Além disso, acredito que boa parte dos consumidores devem concordar que quando a IP (propriedade intelectual) é da própria dona do videogame ou o jogo foi bancado por ela, a exclusividade acaba se tornando justificável mesmo não sendo a forma ideal de consumo, assim como é feito atualmente na parte de streaming com a Netflix, HBO, Disney+ etc.

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Hoje em dia é bem complicado e quase nula a possibilidade das grandes publicadoras (EA, Sega, Square Enix, Capcom, Take Two, Activision, Bandai Namco etc) ao redor do mundo distribuírem seus jogos de forma exclusiva. Como geralmente elas bancam o desenvolvimento e até mesmo o marketing, não existem motivos para não publicar o jogo onde for possível de conseguir um renda a mais. Uma exclusividade alternativa que podemos ver é na questão do marketing que alguma criadora de console pode comprar, o que por consequência mostrará o jogo sendo executado e "bem falado" exclusivamente nessa plataforma mesmo ainda sendo multiplataforma, como é o caso de Call of Duty por exemplo.

Citei acima algumas exclusividades que "fazem sentido", já que a empresa de qualquer forma está buscando lucro. Mas ainda assim, algumas publicadoras como Square, Bandai, NIS, Capcom e Atlus ainda realizam algumas exclusividades que limitam o alcance dos seus jogos e que na maior parte das vezes não fazem sentido. Supondo por exemplo que algumas dessas excluam o Xbox em alguns de seus jogos por conta de que estes mesmos jogos são focados no mercado japonês, pode ser considerada uma estratégia de mercado, mas elas vão um pouco além. O PC, PlayStation e principalmente o Nintendo Switch são as principais plataformas do mercado japonês, e mesmo assim essas publicadoras ainda dividem público entre essas três, como Soul Hackers 2 não sendo lançado no Nintendo Switch e Monster Hunter Rise não chegando ao PlayStation. Algumas vão um pouco além, onde uma mesma franquia tem seus jogos distribuídos de forma aleatória entre as plataformas, fazendo com que os jogadores tenham que comprar basicamente todas elas para usufruir por completo ou fiquem sem jogar determinada parte deles.

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Nos dias atuais, até mesmo o Xbox vem recebendo bons jogos japoneses e boa parte dos principais das grandes publicadoras. Então mesmo que ainda exista certa limitação imposta por essas publicadoras, de certa forma já houve uma melhora geral em relação ao passado.

As publicadoras ocidentais também já tiveram a mesma atitude como o próprio Mass Effect (EA) que ficou um bom período exclusivo do Xbox e Crash Bandicoot N. Sane Trilogy por um tempo apenas no PlayStation 4. Porém atualmente é bem difícil ver algumas delas publicando jogos que saem apenas em uma plataforma, com exceção do Nintendo Switch que as vezes não querem portar por conta da otimização que tenha que ser feita (supondo que seja isso).

Claro que a eliminação de até certo ponto da exclusividade pode demorar ou nunca acontecer, já que faça sentido economicamente para algumas empresas se manterem da forma como está hoje, apesar de que outras podem mudar assim como a Sega mudou em alguns aspectos. Mas como experiência própria, a ausência da exclusividade permite que jogadores aproveitem determinados tipos de conteúdo sem limitação, além de poderem receber indicações de amigos, discutir sobre o jogo com outras pessoas e até mesmo jogar em conjunto em alguns casos.

Crossplay e Cross-Progression

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E continuando o assunto de jogar com outras pessoas, essa foi uma mudança que foi crescendo ao longo do tempo, focando em interação entre jogadores, cooperação e competitividade. Mas ainda assim por um bom tempo as pessoas podiam apenas jogar com os jogadores da própria plataformas, e por conta disso era até recomendado comprar a plataforma que os amigos tinham.

Claro que ainda hoje grande parte é assim, mas a mudança em relação ao passado já foi muito grande. Jogos como Call of Duty, Minecraft, Fortnite, Minecraft Dungeons e Overwatch já possuem crossplay e os jogadores podem jogar com as pessoas que quiserem, independente da plataforma.

O crossplay não apenas contribui para jogar com os amigos mas também ajuda a ter uma maior quantidade de pessoas para se jogar. Um exemplo da ausência disso e que impactou diretamente na minha experiência foi o Monster Hunter Rise, onde jogadores de PC não podem jogar com jogadores de Nintendo Switch. Eu fui impactado na parte de não poder jogar com meus amigos que compraram o jogo na Steam. Já meus amigos que compraram o jogo na Steam foram impactados negativamente com a quantidade muito baixa de pessoas que jogam o online, dificultando encontrar pessoas para cumprir missões de grupo. Então essa decisão da Capcom acabou prejudicando ambos os lados, até mesmo os donos de Xbox e PlayStation que sequer tem o jogo disponível na plataforma até o momento.

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E sobre o cross-progression, ela acaba sendo uma abordagem mais complexa para ser aderida por todos os estúdios de jogos. A limitação que cada plataforma impõem não permite que a mesma instância do jogo seja transferida para outro dispositivo, já que cada empresa possui uma infraestrutura diferente e que também envolve a segurança da mesma. A solução mais comum é o próprio estúdio que publicou o jogo ter sua infraestrutura, fazendo com que os jogadores criem uma conta própria para acessar o jogo. Assim, toda vez que entrarem em um dispositivo diferente, basta acessar a conta criada e todo o progresso é carregado para o dispositivo.

Como esse recurso é complicado de se implementar e geralmente é utilizada em apenas jogos multiplayer e mobile, não tivemos um avanço tão grande se comparado aos pontos citados anteriormente. De qualquer forma, quando vemos esse recurso ativo em um jogo, chega a ser bem interessante quando conseguimos jogar em um dispositivo diferente e todo o progresso ainda está lá.

Serviços de assinatura

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A assinatura para jogar um catálogo de jogos chegou há pouco tempo e muitas pessoas já abraçaram a ideia, por ter um catálogo diversificado e pagar pouco por isso. No meu caso, o impacto principal foi poder jogar com os amigos do PC e Xbox sempre que achávamos um jogo interessante.

O Game Pass no caso sempre colaborou muito para que todos pudessem jogar juntos um jogo sem que cada um tivesse que desembolsar uma fortuna para isso, além de podermos recomendar com maior facilidade os jogos que estavam disponíveis no catálogo para as outras pessoas. Recentemente a PlayStation Plus seguiu o mesmo caminho e trouxe vários jogos interessantes para os jogadores durante vários meses.

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No entanto, ainda assim é um pouco restrito a forma com que os serviços são comercializados hoje em dia, pois o jogador terá que possuir um dispositivo compatível e que consiga executar aqueles jogos de forma satisfatória. No caso do Xbox eles começaram a investir em acesso pela infraestrutura nuvem, onde as pessoas precisam pagar apenas o valor da assinatura e podem jogar mesmo que não tenham um hardware compatível. Apesar dessa iniciativa, ele ainda não funciona tão bem quanto deveria, perdendo em qualidade ou até mesmo sequer funcionando em algumas localidades. De qualquer forma, já é uma boa iniciativa e que deve ir melhorando com o passar dos anos.

Quem sabe futuramente as pessoas se comportarão com os jogos igual quando lançam algum filme ou série chamativo na Netflix ou HBO, onde todos reservam seu tempo para assistirem e comentarem com os outros em seguida, já que seu acesso é bem mais facilitado.

Finalizando...

Apesar das exclusividades limitarem o acesso dos jogadores aos jogos, algumas delas acabam sendo necessárias para que o jogo e a própria empresa exista. Então é sempre bom avaliar caso a caso para que nem a empresa e nem os jogadores sejam prejudicados no fim.

Mas de qualquer forma, várias dessas exclusividades e falta de recursos inclusivos podem ser contornados caso a empresa de dedique em fazê-lo. E eu ao menos espero mais algumas mudanças daqui alguns anos visando a maior acessibilidade e interação entre os jogadores.

Deem a opinião de vocês sobre o assunto de exclusividades e até sobre o que acham das mudanças que ocorreram de anos atrás até os dias de hoje, independente se forem positivas ou negativas.

Sr Ori
Sr Ori #luhckaz100

Fã de yakuza e jogos que trazem experiências criativas e diferentes das que já tive.

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