O que o encerramento do Team 1 da Blizzard Entertainment pode influenciar em futuros jogos de RTS

O que o encerramento do Team 1 da Blizzard Entertainment pode influenciar em futuros jogos de RTS

Depois de existir por quase 30 anos, o lendário estúdio de StarCraft e Warcraft 3 teve seu fim em 2021
#Artigos Publicado por Evil E., em .

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2021 começou com ótimas notícias como o retorno da Lucasfilm Games e de Indiana Jones no jogos, além de um Star Wars pela Ubisoft, e as Novas IPs da SIE Santa Monica e Compulsion Games começarem a receber alguns novos vislumbres, mas nesse primeiro mês de janeiro também tivemos 2 notícias tristes, e que podem impactar seriamente o futuro dos jogos de Real-Time Strategy.

Um dos estúdios que foram pioneiros do gênero, e principais responsáveis pela sua evolução e estruturação no mercado moderno de jogo para PC até a inclusão no e-Sports, a Blizzard-Team 1, mais conhecida por ter criado e desenvolvido títulos como StarCraft, Warcraft 3, Heroes of the Storm, StarCraft: Brood War, StarCraft II, SC 2: Heart of the Swarm e SC 2: Legacy of the Void, foi oficialmente encerrada, colocando seus mais de 300 funcionários e um grande leque de IPs em destino indeciso.

Muitos dizem que isso acabaria vindo mais cedo ou mais tarde, seja pelo foco da Blizzard ter mudado para os Team 2 (World of Warcraft), Team 4 (Overwatch) e Team 5 (Hearthstyone) nos últimos anos, seja pela dificuldade de emplacar novos RTSs de sucesso na indústria, com o CEO da Activision Blizzard, empresa-mãe da Blizzard, dizendo que ''jogos de RTS não vendem mais como antes'', ou seja pela forma que empresa agora opera com suas franquias.

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O principal problema disso na indústria atual, que em 2020 chegou na sua nona geração, é que cada vez mais temos menos jogos RTS e estúdios que produzem obras nesse gênero ou segmento, especialmente jogos como StarCraft, na qual exigem muito cuidado e trabalho na hora de se projetar.

Durante os restantes anos de existência da Team 1, vimos o estúdio ter sido drasticamente ramificado em outras vertentes, com uma parte criando StarCraft: Remastered e Warcraft 3: Reforged, enquanto a segunda parte do estúdio ficou desenvolvendo um projeto que foi cancelado em 2018.

Este segundo seria um StarCraft em FPS com foco na estratégia, na época, Dustin Browder, diretor e grande mente da série StarCraft e da Team 1, denominou o projeto como um sucessor do anterior cancelado StarCraft: Ghost, e diferente de Overwatch, que tinha mais foco no Multi-Player, esse projeto seria centrado numa aventura Co-Op narrativa, mas que possuiria módulos para torná-lo uma espécie de ''FTS'' (First-Tactical Shooter).

Porém, devido a já fragmentação da Team 1, e principalmente por estarem próximos do anúncio de Overwatch 2, a Activision Blizzard preferiu por cancelar o jogo, com medo de o novo StarCraft ser um rival no mercado de Overwatch, e para evitar problemas de orçamento, numa época que lembramos, a Activision Blizzard demitiu mais de +800 funcionários.

Após o cancelamento do projeto, vimos saídas de figuras chaves da Team 1 e da Blizzard como um todo, como Mike Morhaime, CEO da empresa em seu tempo dourado, o próprio Dustin Browder, Chris Sigaty, Ben Thompson e Eric Dodds, tudo isso entre 2018-2019. Eis que muitos se perguntaram: a Team 1 conseguiria sobreviver sem essas mentes que fizeram do estúdio ser o grande pilar da Blizzard outrora?

Quando eles lançaram Warcraft 3: Reforged em 2020 descobrimos que não, pois como lembramos, esse ''remake'' recebeu duras críticas dos jogadores e da mídia, sendo até hoje o jogo com a pior nota da história de um produto Blizzard Entertainment, contendo um 59/100 da crítica, e um tenebroso 0.6/10 dos jogadores.

Por outro lado, o fim da Team 1 pode dar um novo ar ao cenário de RTS, mesmo que isso doa e coloque uma ferida muito grande nos fãs e jogadores fieis das franquias StarCraft e Warcraft. Em 2020, Mike Morhaime, o ex-CEO da Blizzard, anunciou a Dreamhaven, uma 'holding' estilo o que era a Blizzard, que controlará 2 estúdios diferentes do 0, criados justamente pelas antigas mentes da Blizzard Entertainment, com foco em jogos de RTS e RPG.

Na época da revelação da Dreamhaven, Morhaime disse que o foco da empresa é criar obras de alta qualidade, pensando nisso como o pilar, e não pensando no fator de quanto lucro ele irá gerar. Também vemos a Microsoft no cenário de RTS, onde nos últimos anos relançou toda a saga Age of Empires em Definitive Edition's, jogos recebidos de forma excelente pelos jogadores e crítica, além de também já ter anunciado o futuro Age of Empires IV.

Os jogos de RTS ainda podem respirar com novas alternativas e jogos que estarão vindo nos próximos anos, mas sem duvidas a falta da Blizzard Entertainment e seu Team 1 nesse gênero e mercado causará um duro impacto por longos anos, especialmente porque a empresa se solidificou e moldou sua marca por tantos anos graças a esses jogos, Warcraft e StarCraft.

Uma rápida recapitulação da história do Blizzard-Team 1

Fundados em 1994, a Team 1 da Blizzard foi o resultado da Blizzard ter mudado de nome e ter sido adquirida pela Davidson & Associates, onde daí se separou em duas estruturas respectivas, com missões diferentes.

Enquanto a Team 2 iria dar vida ao grande sucesso que viria ser o Warcraft 1 e Warcraft 2, o Blizzard-Team 1 ficou responsável por criar uma nova franquia de RTS que tivesse a temática Militar Especial, com grande foco na Fantasia Sci-Fi, e foi daí que em 1998 nasceu o adorado StarCraft, e alguns meses depois, StarCraft: Brood War, jogos que revolucionaram o gênero, tanto pela sua qualidade quanto complexidade, sendo descrito como o 'Jogo da Velocidade-da-Luz.'

StarCraft moldou o nome do Team 1, tanto que seu logotipo é baseado na franquia de mesmo nome, além de ter criado o atual cenário de videogames em e-Sports, os famosos campeonatos de jogos eletrônicos, sendo uma grande chama para PC Gamers, especialmente em regiões como Coreia do Sul.

Em 2000, a Team 1 ganhou uma nova responsabilidade. Antes de começar o desenvolvimento de StarCraft II: Wings of Liberty, que viria a ser lançado em 2010, o estúdio foi responsável por completar a trilogia Warcraft, sendo os desenvolvedores de Warcraft III.

Isso foi porque a Team 2 ficou encarregada ali de criar um MMORPG da saga, que viu sua explosão de sucesso em 2004, com World of Warcraft, enquanto o Team 1 encerrou a trilogia original, sendo os desenvolvedores do Warcraft III, se provando também que eles sabem fazer não só StarCraft, mas também o Warcraft.

Após esse lançamento, o estúdio concentrou todos os seus esforços para revolucionar a indústria novamente, com a chegada do aclamado StarCraft II, um jogo que vendeu 5 milhões de unidades em apenas 1 mês, isso porque foi um exclusivo de PC. Em 2013 e 2015, a Team 1 lançou suas expansões, Heart of the Swarm e Legacy of the Void, recebidas também com grande aclamação e recepção, com destaque ao Legacy of the Void, que vendeu 1 milhão de unidades em apenas 24 horas ao ser lançado.

Com StarCraft II completo, a Team 1 sentiu que necessitava criar uma Nova IP, indo agora pro cenário de MOBAs, na época dominado por títulos como League of Legends da Riot Games, e DOTA 2 da Valve. Foi ai que eles tiveram a ideia de criar Heroes of the Storm, sua própria entrada no gênero, mas o tiro saiu pela culatra, e como lembramos, o jogo acabou sendo um fracasso, e em 2018 seu desenvolvimento foi encerrado.

Depois desse fracasso, a Activision Blizzard não sentiu que a Team 1 estava mais indo tão bem como era anteriormente, e foi daí que começaram a sair grandes mentes e mudanças internas de grande nível na empresa, na qual fez eles se descaracterizarem-se por completo. O primeiro produto após toda essa mudança na gerência ainda se saiu muito bem, que foi StarCraft: Remastered, de 2017.

O estúdio se concentrou muito para que ele se mantivesse fiel ao original, porém trazendo melhorias claras ao título de mesmo nome de 1998, e a resposta da crítica e jogadores foi excelente a isso. Depois desse alívio, eles foram partir para o remake de sua primeira e única obra feita no mundo de Warcraft, justamente o Wacraft III.

Foi ai que surgiu o Warcraft III: Reforged, que assim como o StarCraft: Remastered, pretendia-se manter fiel ao original, porém evoluindo suas principais características e sendo um produto mais coerente com a oitava geração. Mas o resultado foi drástico, sendo entregue um produto com diversos recursos e mecânicas cortadas, além de um péssima escolha de design que não agradou ninguém. A resposta nos agregadores de média foram duras, com o W3: Reforged se tornando o jogo com a pior nota da história de um produto Blizzard.

E foi assim que em 2020 a empresa demitiu mais de 50% da equipe do Team 1, e em 2021 eles vieram a ser fechados por completo, tendo esse final drástico e que muitos perguntam-se: Porque? A resposta pode não ser clara para muitos, mas a saída das figuras-chave do estúdio, além do foco a jogos progressivos como um todo na Activision Blizzard foram os maiores catalizadores para esse fechamento da Team 1.

É triste? Com toda certeza, mas o que podemos fazer agora é ao menos preservar a memória que esse belo estúdio nos trouxe por quase 3 décadas de puro sucesso.

Evil E.
Evil E. #Evil E.

Um grande fã dos gêneros de Stealth e Ficção-Científica.

Tenho uma paixão imensa pela franquia Metal Gear Solid, na qual considero a minha favorita, porém também sou um grande amante das sagas Halo e StarCraft.

Moderador do Site, Volta Redonda, Rio de Janeiro
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