As GPUs atualmente estão longe de serem acessíveis, mas isso não parece estar freando ninguém. Um novo relatório da John Peddie Research mostra que o mercado global de placas de vídeo dedicadas para PCs registrou o envio de 12,5 milhões de unidades no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 10% em relação ao trimestre anterior.
O próprio Dr. Jon Peddie, fundador da John Peddie Research, classificou o fenômeno de alta de vendas de GPUs de ponta em plena escalada de preços como algo que simplesmente vai “contra o senso comum”.
Apesar de toda a atenção da NVIDIA estar voltada para o segmento de data centers, que rendeu à empresa impressionantes US$ 89 bilhões no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 93% de toda a receita da companhia naquele período, a fabricante ainda segura com folga o topo do mercado de GPUs para consumidor. Segundo o relatório da JPR, a NVIDIA detém 90% do mercado, com uma queda marginal de apenas 0,01% em relação ao trimestre anterior. A AMD aparece em segundo lugar com 8%, enquanto a Intel fica com os 2% restantes.
Outro dado que chama atenção no estudo: a probabilidade de um consumidor adquirir uma placa de vídeo dedicada junto com um PC desktop chegou a 89%, um salto de 23% na comparação trimestral. Ou seja, quem está montando uma máquina nova está, cada vez mais, optando por incluir uma GPU no setup.
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Para o Dr. Peddie, a explicação mais plausível para a corrida às compras está no medo de um aumento ainda maior: “Nossa teoria é que os consumidores correram para comprar placas antes que os preços subissem ainda mais, já que a guerra no Irã está elevando os preços em todos os segmentos”, disse ele. O conflito de 2026 e a crise no Estreito de Ormuz, em andamento desde fevereiro, têm dificultado o acesso a componentes essenciais para a indústria de hardware. A lógica é simples: oferta restrita empurra preços para cima, e parte dos compradores prefere agir antes que a situação piore.
O relatório não detalha quais modelos específicos estão sendo mais comprados, o que abre espaço para uma interpretação alternativa: parte dos consumidores pode estar optando por placas mais antigas e com preço mais razoável, deixando as séries mais recentes de lado. Por outro lado, uma enquete realizada pelo PC Gamer em agosto revelou que 56% dos leitores estavam dispostos a desembolsar mais de US$ 600 por uma GPU, e 19% topariam gastar acima de US$ 1.000.
O contraste com o mercado de processadores desktop é bastante revelador. Enquanto as GPUs vivem um momento de alta, os envios de CPUs para PCs desktop caíram para 14 milhões de unidades no período, uma retração de 10,5% em relação ao trimestre anterior e de expressivos 33% na comparação anual. O consumidor, ao que tudo indica, está priorizando a atualização da placa gráfica em detrimento de outros componentes.
Com rumores de que os preços das placas mães também devem subir, com aumento de custo de componentes que pode chegar a 50%, a tendência de compras antecipadas pode se repetir em outros segmentos do hardware.
Fonte: PC Gamer
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