Dona de GTA não quer ser comprada pela Netflix
A Take-Two Interactive, empresa responsável pela Rockstar Games e pela franquia GTA, não está interessada em ser adquirida pela Netflix ou por qualquer outra companhia. Quem deixou isso claro foi Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, ao ser questionado sobre uma possível compra em meio à crescente aproximação entre as duas empresas.
A possibilidade foi levantada durante uma entrevista à CNBC justamente por causa da nova parceria envolvendo GTA 6 e Netflix. O aguardado Grand Theft Auto VI: An Extended Look será exibido primeiro pela plataforma de streaming em 27 de agosto de 2026, chegando somente seis horas depois ao canal da Rockstar Games no YouTube e ao site oficial do jogo.
Mesmo com a aproximação, Zelnick não vê motivos para colocar a Take-Two à venda e quer continuar independente. Durante a entrevista, o apresentador Andrew Ross Sorkin perguntou ao executivo se a Netflix precisaria comprar uma grande companhia para avançar de maneira mais agressiva no mercado de videogames e citou a própria Take-Two como uma possibilidade.
Strauss Zelnick respondeu lembrando que a Netflix historicamente não costuma realizar grandes aquisições e construiu boa parte de seus negócios por meio de crescimento orgânico.
“Acho que estamos muito orgulhosos da forma como construímos esta empresa de forma independente. Agora somos a maior empresa de capital aberto do setor em todo o mundo”. O executivo acrescentou que a empresa continua gerando lucros regularmente e resumiu sua posição dizendo que, “acho que, se alguém merece ser uma empresa independente, somos nós.”
Os números recentes ajudam a explicar a confiança de Zelnick. Para o ano fiscal de 2027, a Take-Two mantém uma previsão de US$ 8 bilhões a US$ 8,2 bilhões em Net Bookings, enquanto somente no primeiro trimestre fiscal registrou US$ 1,39 bilhão.
A companhia ainda está prestes a lançar aquele que provavelmente será seu maior produto dos próximos anos.
GTA 6 está marcado para 19 de novembro de 2026 no PS5 e Xbox Series S|X. O peso comercial do jogo também aparece nas projeções da editora. Ao divulgar seus resultados mais recentes, Zelnick destacou justamente a expectativa em torno do lançamento de GTA 6 ao reafirmar a previsão de até US$ 8,2 bilhões em Net Bookings para o ano fiscal.
Com uma franquia desse tamanho, além de propriedades como Red Dead Redemption, NBA 2K, Borderlands e os diversos jogos da Zynga, uma eventual aquisição da Take-Two certamente envolveria valores gigantescos.
Por enquanto, porém, a parceria com a Netflix não parece indicar nenhum movimento nesse sentido.
E o que a Netflix tem a ver com GTA 6?
A Netflix vem ampliando sua atuação no mercado de jogos e já mantém diferentes acordos com a Take-Two. Segundo Zelnick, a Netflix contratou executivos experientes do setor de videogames e já fechou diversos acordos com a Take-Two, que também distribuiu vários de seus títulos pela plataforma.
O próximo passo dessa relação será particularmente chamativo: GTA 6 terá sua apresentação “An Extended Look” exibida primeiro na Netflix em 27 de agosto, dando à plataforma uma janela de exclusividade de seis horas antes da publicação nos canais da Rockstar.
Apesar de uma parceria tão incomum ter alimentado especulações sobre uma relação ainda maior entre as empresas, as declarações de Zelnick indicam exatamente o contrário: a Take-Two está satisfeita com sua posição atual e pretende continuar independente.
A posição atual da Take-Two também rende uma curiosidade histórica. Embora seja comum dizer que a companhia “comprou a Rockstar”, a história foi um pouco diferente, pois em março de 1998, a Take-Two adquiriu a BMG Interactive, empresa que havia publicado o primeiro Grand Theft Auto. Com o negócio, a Take-Two ficou com ativos e propriedades da BMG, incluindo os direitos relacionados a GTA.
Poucos meses depois, nomes que vieram da BMG Interactive, como Sam Houser, Dan Houser e Jamie King, ajudaram a estabelecer a Rockstar Games como um novo selo da Take-Two. A Rockstar foi formada no fim de 1998 e acabaria se tornando justamente a casa de algumas das propriedades mais valiosas da companhia, incluindo Grand Theft Auto e Red Dead Redemption.
Ou seja, há certa ironia histórica na discussão atual: uma aquisição feita pela Take-Two há quase três décadas ajudou a criar a estrutura que transformaria a empresa no gigante que hoje afirma ter motivos de sobra para permanecer independente.
Fonte: VGC
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