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“Fui ingênuo”: diretor de Resident Evil não esperava que fãs ficariam tão frustrados por não adaptar os jogos

O diretor Zach Cregger admitiu ter sido ‘ingênuo‘ ao acreditar que os fãs de Resident Evil aceitariam de bom grado a sua decisão de não adaptar diretamente nenhum jogo da franquia. Em entrevista ao jornalista Tom Jorgensen, da IGN, Cregger reconheceu a frustração da comunidade com mais clareza do que havia demonstrado em aparições anteriores.

O filme acompanha Bryan (interpretado por Austin Abrams), um motoboy de entregas médicas que se vê envolvido no caos do Incidente de Raccoon City. A trama se passa em paralelo aos eventos de Resident Evil 2, mas não reconstrói a jornada de Leon, Claire ou qualquer outro personagem canônico dos jogos. Essa escolha gerou uma onda de críticas nas redes sociais, com parte dos fãs argumentando que, sem personagens como Leon Kennedy, Ada Wong e Jill Valentine, o filme não seria, de fato, um Resident Evil.

“Eu não entendi o que os fãs queriam”

Ao ser questionado diretamente sobre as reações negativas, Cregger foi surpreendentemente autocrítico:

“Acho que fui ingênuo. Pensei que os fãs desses jogos, como eu mesmo, ficariam empolgados por alguém vir e transformar Resident Evil em um filme de survival horror. Achei que isso seria ótimo. Não entendi de verdade o sentimento de ‘estamos esperando para sempre pela história do Leon’. Entendo isso agora, e me desculpo por não ser essa a história que estou contando. Compreendo a frustração. Entendo tão bem porque eu mesmo não assisti aos filmes anteriores de Resident Evil, porque eles não parecem com o Resident Evil que eu amo. Então como poderia me irritar com fãs que têm essa mesma atitude?”

O diretor completou dizendo que sua esperança é que o público assista ao filme apesar do ceticismo:

“Minha única esperança é que eles vejam o filme independentemente de sua desconfiança ou decepção por eu não contar algumas das histórias que os jogos contam tão bem, e que eles se sintam representados ao assistir ao filme, e reconheçam todo o amor pelos jogos que está nesse filme, porque ele está lá. Não estou apenas contando uma história e colocando Resident Evil no título para conseguir um orçamento. Estou contando uma história de Resident Evil. Entendo a resistência, porque eu mesmo a tenho. Ela vem de um lugar verdadeiro de amor.”

Referências diretas aos jogos

Para embasar o argumento de que o longa não ignora a herança da franquia, Cregger e sua equipe incluíram diversas referências ao material de origem. Nos trailers já divulgados, é possível ver Austin Abrams vasculhando gavetas e armários em busca de munição para uma espingarda, especificamente as Heavy Ammo Shotgun Shells, além de cadeados bloqueando o avanço do personagem e uma máquina de escrever posicionada no que parece ser uma safe room, elemento icônico dos jogos clássicos da série.

Mais recentemente, um pôster promocional confirmou a participação da Umbrella Corp na trama: o material mostra uma guia de entrega referente a um transplante de órgãos endereçado à corporação. Um teaser publicado nas redes sociais também exibiu sequências em primeira pessoa que remetem diretamente a Resident Evil 7 e Resident Evil Village.

A lógica por trás da escolha

Cregger já havia abordado a questão da adaptação durante a San Diego Comic-Con, onde admitiu que “tomou liberdades” com o material e explicou o raciocínio por trás de não recriar os jogos cena por cena. “Os jogos são tão bem executados, e para mim, Leon, Claire e esses personagens existem de forma tão perfeita nos games que qualquer ator que eu escalasse e qualquer diferença que eu fizesse provavelmente prejudicaria o que eu estava tentando fazer”, declarou o diretor.

O foco da produção, segundo ele, está em traduzir para a tela a sensação de jogar os games: navegar por corredores infestados de zumbis, se esquivar de Lickers e gerenciar recursos com cuidado, mecânicas e atmosferas que definem a identidade da franquia tanto quanto seus personagens mais famosos.

O que os fãs acham?

As reações dos fãs estão bastante divididas, mas a principal crítica é que o filme parece se afastar demais do universo estabelecido de Resident Evil. Muitos afirmam que não exigem uma adaptação 1:1 dos jogos nem a presença de Leon, Claire ou Jill, mas esperavam ao menos uma história original que respeitasse a cronologia, a ambientação, os monstros e as regras do universo. O fato de a trama aparentemente se passar em Raccoon City, mas em uma época moderna e durante o inverno, é citado repetidamente como um dos maiores problemas.

Por outro lado, uma parcela dos fãs defende a liberdade criativa de Zach Cregger e prefere uma história inédita a mais uma tentativa de adaptar os mesmos acontecimentos. Alguns acreditam que Resident Evil sempre teve tons e histórias que não funcionam muito bem como filme, e que um novo protagonista pode funcionar, desde que o filme preserve a atmosfera de horror, sobrevivência e ação da franquia. O bom histórico do diretor em Barbarian e Weapons também ajuda a dar mais credibilidade ao projeto.

Ainda assim, mesmo entre os mais otimistas, existe uma sensação recorrente de que a comunicação inicial criou expectativas erradas. Muitos usuários lembram que o filme havia sido apresentado como uma história paralela aos acontecimentos dos jogos, enquanto os materiais recentes indicam uma espécie de universo alternativo. 

Resident Evil chega aos cinemas em 18 de setembro de 2026.

Fonte: IGN

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias

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