Os problemas técnicos que marcaram o lançamento de Cyberpunk 2077 não foram o motivo que levou a CD Projekt Red a abandonar sua própria tecnologia e migrar para a Unreal Engine 5. Recentemente, Michał Nowakowski, co-CEO do estúdio, reafirmou que decisão começou a tomar forma depois que a equipe viu The Matrix Awakens, demonstração técnica criada pela Epic Games.
A explicação ajuda a desfazer uma associação feita desde que a desenvolvedora anunciou que deixaria a REDengine para trabalhar com a tecnologia da Epic. Como Cyberpunk 2077 chegou ao mercado em dezembro de 2020 cercado de problemas, sobretudo nas versões para PlayStation 4 e Xbox One, tornou-se natural relacionar os dois acontecimentos. De acordo com Nowakowski, porém, essa não foi a sequência que levou à mudança. Essa posição também chegou a ser mencionada há dois anos por Charles Tremblay, gerente de tecnologia da CDPR.
“Não foi o lançamento de Cyberpunk 2077 que nos convenceu a abandonar a REDengine e migrar completamente para a Unreal Engine 5 em projetos futuros. Na verdade, foi o momento em que assistimos pela primeira vez à demonstração de Matrix da Epic . Nos perguntamos: ” A UE5 consegue entregar o tipo de jogo que estamos criando?”
A resposta foi: “Não, ainda não, pelo menos não em um nível básico, mas se fizermos uma parceria com a Unreal e trabalharmos em alguns dos elementos necessários para criar jogos dessa escala e escopo, e com os aspectos técnicos específicos de que precisamos para nossos jogos, então isso poderia realmente funcionar .”
E foi nesse momento que nos reunimos com o pessoal da Epic. Foi nesse momento que estabelecemos uma parceria estratégica.
O momento decisivo teria ocorrido quando a CD Projekt conheceu The Matrix Awakens, demo técnica apresentada pela Epic para demonstrar recursos da Unreal Engine 5.
A equipe passou então a avaliar se a tecnologia poderia servir como base para os grandes RPGs de mundo aberto produzidos pelo estúdio. A conclusão inicial não foi exatamente positiva: segundo Nowakowski, a Unreal Engine 5 disponível naquele momento ainda não entregava, por padrão, tudo o que a CD Projekt precisava para desenvolver jogos com sua escala e requisitos técnicos.
A possibilidade de trabalhar diretamente com a Epic mudou essa avaliação. Em vez de construir e manter praticamente toda a infraestrutura tecnológica por conta própria, a CD Projekt poderia usar a Unreal Engine como base e colaborar com seus criadores no desenvolvimento de recursos específicos.
Foi a partir dessas conversas que nasceu a parceria estratégica entre as duas empresas.
A mudança também está ligada à nova estrutura de produção da CD Projekt. Charles Tremblay, responsável por tecnologia no estúdio, já havia explicado anteriormente que a adoção da Unreal Engine estava relacionada à intenção de desenvolver vários projetos simultaneamente. Manter a REDengine exigia adaptar e reconstruir partes importantes da tecnologia conforme as necessidades de cada novo jogo.
Com uma plataforma compartilhada, diferentes equipes podem trabalhar sobre uma base tecnológica comum.
Isso não significa que a CD Projekt simplesmente receberá a Unreal Engine pronta e produzirá seus jogos sem alterações. Nowakowski afirma que a colaboração com a Epic dá ao estúdio acesso profundo à tecnologia e permite solicitar ou desenvolver funções necessárias aos seus projetos.
Na prática, a empresa troca a responsabilidade de criar uma engine inteira por uma posição na qual pode modificar e ampliar uma plataforma já estabelecida.
A nova estratégia será colocada à prova nos próximos projetos da CD Projekt Red, incluindo The Witcher 4, que está sendo desenvolvido com Unreal Engine 5.
A troca de tecnologia, portanto, não deve ser entendida simplesmente como uma reação aos problemas de Cyberpunk 2077. Segundo a versão apresentada pela própria CD Projekt, ela faz parte de uma mudança mais ampla na forma como o estúdio pretende desenvolver vários jogos de grande porte ao mesmo tempo.
O lançamento problemático de Cyberpunk 2077 permanece como um dos episódios mais marcantes da história recente da empresa. Mas, ao menos segundo seus executivos, foi uma demonstração de Matrix que colocou a Unreal Engine 5 no centro de sua estratégia futura.
Você também deve ler!
Strauss Zelnick acredita que o tamanho dos jogos e a dependência de servidores oficiais dificultam… Ver mais
Campanha de merchandising para o N7 Day provoca revolta, enquanto fãs mobilizam petições para tentar… Ver mais
Eiji Aonuma defende a continuidade dos funcionários em meio às recentes ondas de demissões na… Ver mais
A plataforma alcançou 127 milhões de usuários ativos mensais em setembro de 2026. Ver mais
Wendel Bezerra e Alfredo Rollo estão entre os nomes associados à versão nacional, mas o… Ver mais
Splatoon Raiders lidera os novos exclusivos com 2,42 milhões de cópias. Ver mais