Roteiristas de The Talos Principle detonam IA: “É uma máquina de plágio”

Jonas e Verena Kyratzes criticam as promessas em torno da inteligência artificial e afirmam que a perda de empregos causada pela tecnologia é, acima de tudo, uma questão trabalhista.

Os roteiristas de The Talos Principle 3 entraram no debate sobre o uso de inteligência artificial na indústria de games e não pouparam críticas. Em entrevista à Game Informer, Jonas Kyratzes e Verena Kyratzes, ambos na função de designers narrativos do projeto, deram declarações contundentes sobre o que enxergam como uma série de promessas infundadas em torno da tecnologia e sobre os danos reais que ela já causa no mercado de trabalho criativo.

“Uma máquina de plágio”

A fala mais direta veio de Verena Kyratzes. “Eu estou com Jonas no sentido de que os LLMs com os quais lidamos atualmente são, basicamente, versões incrivelmente inteligentes do autocorretor do meu celular”, disse ela. “E chamá-los de IA real, é simplesmente ridículo. Acho que, no sistema atual que temos, é apenas uma máquina de plágio que faz as pessoas perderem seus empregos. Mas quero ter esperança de que seja algo bom. É algo muito perturbador para mim.”

Jonas Kyratzes, por sua vez, foi cuidadoso em separar a tecnologia em si das narrativas que orbitam ao redor dela. “Acho que é amplamente ridículo. Acho que a tecnologia em si é muito impressionante, e acho que o aprendizado de máquina tem aplicações tremendas, a maioria das quais não estamos vendo ou obtendo atualmente”, afirmou. Segundo ele, o problema está na lógica do lucro imediato: “Porque em um sistema orientado ao lucro, muitas das coisas para as quais precisaríamos usar isso, simplesmente não vamos usar, porque vamos usá-lo para coisas estúpidas, para pessoas tentarem ganhar quantias enormes de dinheiro antes que suas empresas entrem em colapso.”

Inflação da IA

Um dos pontos centrais levantados por Jonas é a imprecisão deliberada com que o termo “inteligência artificial” é aplicado hoje. Ele aponta que parte das promessas grandiosas, como as do CEO da DeepMind, que afirmou que a humanidade verá uma mudança “dez vezes maior do que a Revolução Industrial“, ou as de Altman, que já declarou que a singularidade da IA está sobre nós, não tem “nenhum tipo de base na realidade“. Para ele, essas declarações têm outro objetivo: “Acho que muitas delas são principalmente destinadas a inflar o mercado de ações.”

Ele também problematizou o costume de tratar tudo dentro do guarda-chuva de “IA” como se fosse a mesma coisa: “Algumas vezes estamos falando de algo que chamamos de IA, mas não é inteligência artificial geral. São LLMs ou aprendizado de máquina em várias formas, que não são necessariamente a mesma coisa que inteligência artificial no sentido de um ser consciente.”

A questão dos empregos é trabalhista, não tecnológica

Quando o assunto chegou à perda de empregos causada pela adoção de IA, Jonas Kyratzes trouxe uma perspectiva que vai além da tecnologia em si. “Não sou contra nenhuma tecnologia em si“, disse ele. “Para mim, muitas das questões não são questões de tecnologia. Por exemplo, quando muitos empregos estão sendo perdidos por causa da IA, não acho que isso seja um problema de IA. Acho que isso é um problema trabalhista. Ou seja, por que o poder do trabalho em relação ao capital é tão fraco? Tão baixo que não conseguimos nos defender dos donos simplesmente eliminando todo mundo? O que aconteceu com o movimento trabalhista? Onde está isso?”

Os Kyratzes não estão sozinhos no ceticismo. O chefe de narrativa da Larian já descreveu textos gerados por IA como “um 3/10 na melhor das hipóteses”. O fundador do PUBG, Brendan Greene, comparou o fenômeno a “uma corrida para o meio do lixo”. O CEO da Take-Two, Zelnick, resumiu de forma seca que “clones não vendem”. Até Peter Molyneux, historicamente conhecido por prometer mais do que entrega, demonstrou cautela sobre o uso da tecnologia em desenvolvimento de games.

Fonte: PC Gamer

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Membro antigo da GameVicio, atuo atualmente como editor no site. Adoro todo tipo de jogo, especialmente com um profundo apreço por jogos com narrativas imersivas. Meu email de contato: [email protected]
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