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Famicom foi criado para que os consoles deixassem de ser vistos como “apenas um brinquedo”, revela Miyamoto

O Nintendo Famicom, lançado no Japão em 1983 e conhecido no Ocidente como NES (Nintendo Entertainment System), não foi criado apenas para ser mais um videogame doméstico. Segundo Shigeru Miyamoto, criador de Mario, o console nasceu com um propósito claro: superar o estigma de que videogames eram “apenas brinquedos” e se posicionar em um patamar mais próximo dos computadores pessoais da época.

Em entrevista à Famitsu, Miyamoto conta que a origem do Famicom está diretamente ligada à experiência dos fliperamas. “Nos arcades, as pessoas não podem gastar dinheiro sem parar, então a ideia do Famicom veio do pensamento de que ‘elas poderiam jogar quantas vezes quisessem se tivessem o jogo em casa'”, explica ele.

Consoles eram “apenas brinquedos” e os PCs reinavam

Quando o Famicom chegou ao mercado, ele não entrou num vácuo. Hardware como o Magnavox Odyssey e o Atari 2600 já existiam, mas eram vistos como produtos de entretenimento simples. Ao mesmo tempo, computadores pessoais como o NEC PC-6001 e os modelos MSX começavam a ganhar espaço, e com eles, uma reputação de seriedade que os consoles domésticos simplesmente não tinham.

“Já existiam coisas chamadas ‘consoles domésticos’, e PCs como o NEC PC-6001 ou o MSX surgiram aproximadamente na mesma época que o Famicom”, recorda Miyamoto. “No entanto, os PCs eram tidos em maior consideração do que os consoles, que eram ‘apenas brinquedos’.”

Foi justamente contra essa percepção que a Nintendo decidiu trabalhar. A estratégia não era competir diretamente com os PCs em termos de capacidade técnica, mas sim usar a qualidade dos jogos, especialmente a fidelidade em relação às versões de arcade, como argumento para elevar o status do console.

A ponte entre arcade, console e PC

Para Miyamoto, o Famicom ocupou um espaço único na indústria por transitar entre categorias que, até então, eram tratadas de forma separada. “Acho que o Famicom fez a ponte entre console e PC, pois era um brinquedo, mas também não era apenas um brinquedo”, afirma ele. “Se você consegue portar jogos que são quase tão bons quanto as versões de arcade, então acho que não é apenas um brinquedo.”

O console integrou a terceira geração de hardware doméstico e se destacou dos concorrentes justamente pela qualidade e variedade dos títulos disponíveis, muitos deles ports ou jogos originais com padrão próximo ao das máquinas de fliperama da época.

Fonte: GamesRadar+

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias
Tags: Nintendo

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