Daniel Vávra, diretor criativo de Kingdom Come: Deliverance 2, saiu em defesa do DLSS 5 após testar uma versão vazada da tecnologia em seu próprio jogo. Para ele, os resultados são muito diferentes daqueles que causaram controvérsia durante a apresentação inicial da NVIDIA, e a tecnologia tem potencial para melhorar significativamente a iluminação dos jogos.
Após as críticas de que o DLSS 5 produziria uma espécie de “AI slop”, Vávra decidiu testar a tecnologia em Kingdom Come: Deliverance 2. Segundo ele, porém, a versão vazada apresenta diferenças importantes em relação às demonstrações que causaram polêmica.
De acordo com o diretor, a tecnologia não modifica a geometria dos personagens nem cria novos modelos. Em vez disso, ela utiliza informações que já estão presentes no jogo para melhorar a iluminação, as texturas de pele, os detalhes faciais, os cabelos e as sombras.
“Isso não altera a geometria dos modelos ou a aparência dos personagens de maneira alguma. Repito: não altera a geometria dos modelos ou a aparência dos personagens de maneira alguma!”, comentou.
After all the controversy about NVIDIA’s DLSS 5 being a terrible AI slop, I played around a bit with the leaked DLSS5 version in KCD2. First off—what was leaked isn’t even remotely what NVIDIA originally presented. It doesn’t alter the geometry of the models or the appearance of… pic.twitter.com/agrmq5heDC
— Daniel Vávra ⚔ (@DanielVavra) August 30, 2026
Vávra afirma que o DLSS 5 utiliza os mapas normais existentes para produzir uma aparência mais detalhada na pele e nos rostos dos personagens. O resultado, segundo ele, se aproxima de técnicas mais avançadas de renderização de pele, como subsurface scattering.
O diretor explica que durante o desenvolvimento de Kingdom Come: Deliverance 2 chegou a criticar o trabalho dos artistas porque alguns rostos pareciam pouco detalhados ou excessivamente artificiais: “Eu frequentemente criticava o trabalho dos artistas de personagens quando certos rostos no jogo pareciam sem detalhes e plasticidade.”
Entretanto, os artistas mostravam que os modelos estavam corretos em seus computadores e que o problema estava relacionado à iluminação utilizada pelo jogo. Para Vávra, o DLSS 5 finalmente permite que esses modelos tenham dentro do jogo a aparência que deveriam ter.
“Bem, agora eles também parecem corretos no jogo! É assim que aqueles rostos deveriam parecer. A IA não está inventando nada”, comentou.
Entre as mudanças que mais impressionaram Vávra está o tratamento das sombras. O diretor conta que ficou extremamente frustrado durante o desenvolvimento de Kingdom Come: Deliverance 2 porque o jogo não conseguia renderizar sombras de chapéus, capuzes e capacetes sobre os rostos dos personagens.
“Você não tem ideia de como fiquei terrivelmente, e digo isso com sinceridade, irritado porque em KCD2 não conseguíamos renderizar sombras de chapéus, capuzes e capacetes nas cabeças dos personagens”, explicou Vávra.
O problema também afetava pequenos elementos dos modelos, como fivelas, cadarços e bolsas. Segundo Vávra, o DLSS 5 consegue solucionar essas limitações de maneira impressionante: “DLSS 5 faz isso, e faz de maneira absolutamente brilhante!”
A tecnologia também melhora as sombras nos cabelos, fazendo com que apresentem uma densidade e escuridão mais naturais. O diretor percebeu ainda algumas melhorias nas sombras de ambientes, grama e vegetação. Por isso, sua avaliação é que o DLSS 5 funciona principalmente como uma evolução significativa do sistema de iluminação dos personagens.
O principal problema, segundo ele, é o impacto no desempenho, já que “corta a taxa de quadros pela metade”, mas Vávra acredita que a tecnologia apresenta um enorme potencial, inclusive para jogos antigos.
Após sua declaração gerar ainda mais discussão entre os jogadores, Vávra voltou ao assunto para rebater aqueles que afirmavam que o DLSS 5 estaria destruindo a visão artística original de Kingdom Come: Deliverance 2. O diretor publicou comparações entre os modelos originais e aqueles renderizados com a tecnologia, destacando que a geometria permanece exatamente a mesma.
“À direita está O MESMO MODELO SEM NENHUMA ALTERAÇÃO NA GEOMETRIA, que parece exatamente como um render do ZBrush — onde um artista 3D o modelou — apenas com iluminação, sombras, textura de pele, cabelo e, portanto, detalhes melhores.”
Vávra também explicou que os rostos de Kingdom Come: Deliverance 2 foram criados utilizando fotogrametria de pessoas reais e posteriormente refinados pelos artistas. Por isso, ele rejeita a ideia de que a aplicação do DLSS 5 estaria contrariando a visão artística da equipe: “Sou o diretor criativo do jogo. Esta é a nossa visão artística original.”
Para ele, o que não fazia parte da visão original era justamente a limitação técnica responsável por deixar determinados elementos sem sombras adequadas. “Não ter sombras de capacetes nos rostos e ter uma renderização problemática dos mapas normais NÃO era nossa visão artística original”, afirmou.
Vávra resumiu sua reação às críticas de maneira bastante direta “Algumas pessoas literalmente ficaram loucas.” Ele também pediu cautela com os vídeos sobre o DLSS 5, já que há muitos “vídeos falsos que estão circulando na internet agora.”
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