Andrew Wilson, CEO da Electronic Arts, encerrou o ano fiscal de 2026 com uma remuneração total de US$ 38,6 milhões, combinando salário-base, bônus e ações, enquanto a empresa demitia funcionários em dois de seus estúdios e acelerava a adoção de inteligência artificial generativa em seus fluxos de produção.
Os números constam em um relatório envado pela EA junto aos reguladores. A cifra representa um salto considerável em relação aos US$ 30,5 milhões que Wilson recebeu no ano fiscal de 2025 e aos US$ 25,6 milhões de 2024. O salário-base do executivo é de US$ 1,3 milhão, mas o pacote foi engordado por US$ 28 milhões em ações e outros US$ 6,5 milhões em bônus de desempenho.
O documento detalha que a EA atingiu ou superou uma série de objetivos estratégicos e operacionais atrelados a franquias importantes. Para Battlefield, o arquivo afirma que a empresa “alcançou todas as metas para um lançamento de alta qualidade do Battlefield 6, com críticas positivas e serviços e gameplay estáveis, com marcos intermediários relacionados a lançamentos futuros sendo cumpridos”. Em relação a EA Sports FC, a empresa teria atingido a meta de retenção especificada, os objetivos de crescimento de audiência para o FC Mobile em uma geografia específica e marcos-chave de execução do produto. Já Skate teria superado a meta de jogadores durante seu early access em múltiplas plataformas.
O contraste, porém, é evidente: apesar dos resultados declarados, a EA realizou demissões tanto na Full Circle, estúdio responsável pelo Skate, quanto na divisão responsável pelo Battlefield ao longo deste ano. As duas ondas de cortes aconteceram mesmo com a empresa registrando o cumprimento das metas que justificaram a remuneração bilionária de seu CEO.
Sob a gestão de Wilson, a EA também consolidou a inteligência artificial generativa como parte de seus processos internos. O relatório indica que a empresa cumpriu seus objetivos de “transformação” ao firmar parcerias estratégicas de IA, lançar um framework de investimento em IA generativa e impulsionar a eficiência por meio do “estabelecimento de metas de adoção de IA e impulsionamento de uso significativo em áreas prioritárias”.
O documento ainda toca em dois pontos que chamam atenção. O primeiro é a proposta de privatização da EA, encabeçada por um consórcio de investidores que inclui o fundo soberano da Arábia Saudita. Segundo o arquivo, a operação seria uma forma de garantir a resiliência dos negócios da empresa em um “ambiente externo imprevisível”.
O segundo ponto envolve a segurança pessoal de Wilson. Uma avaliação independente conduzida em junho de 2025 recomendou que o executivo utilizasse aviação privada em todas as viagens, tanto pessoais quanto corporativas. Os custos dessas viagens foram classificados como “outras compensações” na tabela do relatório e somaram US$ 2,3 milhões pagos pela EA para cobrir esses e possivelmente outros gastos adicionais.
Fonte: Game Developer
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