Assassin’s Creed IV: Black Flag é um título da Ubisoft lançado originalmente em 2013 que para muitos, é disparado o melhor jogo da saga. Agora, a Ubisoft retorna com Assassin’s Creed Black Flag Resynced, que pode ser considerado um remake completamente fiel, mas reconstruído do zero e apresentando gráficos de nova geração, sendo uma excelente porta de entrada para quem nunca se aventurou por Assassin’s Creed. E já vou deixar aqui bem claro dois pontos importantes: Resynced não é um RPG, e os segmentos no presente (aqueles nos escritórios da Abstergo) foram removidos.
Como no jogo original, Resynced é ambientado na Era de Ouro da Pirataria, e o título segue o protagonista Edward Kenway, um personagem carismático e ambicioso que se vê envolvido na guerra entre Assassinos e Templários enquanto busca fortuna nos mares do Caribe. Com conteúdo extra, gráficos renovados e mecânicas aprimoradas, esta versão consegue atrair tanto veteranos quanto novos jogadores.
Voltar ao mar em Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um deleite visual, apresentando gráficos incrivelmente bonitos mesmo quando com jogo rodando no PS5 Base. O mundo foi revitalizado de forma impressionante, apresentando uma iluminação e sombras de alta qualidade que conferem uma nova vida ao título. As texturas em alta resolução tornam cada detalhe muito mais realista e imersivo, destacando as madeiras gastas dos navios e os tecidos das roupas de Edward Kenway.
Como não seria surpresa, o visual é um dos grandes destaques de Assassin’s Creed Black Flag Resynced. Como eu já mencionei, jogo foi reconstruído do zero e apresenta um sistema dinâmico de clima adiciona ainda mais imersão, transformando um dia ensolarado em uma tempestade intensa. Gostaria de mencionar que há três modos de jogo disponíveis no PS5 Base. O primeiro é o Modo Qualidade, que prioriza fidelidade gráfica máxima, travado em 30 FPS. O segundo é o Modo Equilibrado, que equilibra resolução e efeitos, rodando a 40 FPS (esse aqui precisa de uma tela com suporte). Por último temos o Modo Desempenho, que sacrifica um pouco da qualidade visual por fluidez a 60 FPS.
Para os jogadores que valorizam a fluidez acima de tudo, o Modo Desempenho é a escolha certa, reduzindo a qualidade visual geral do mundo aberto em troca de uns consistentes 60 FPS. Independentemente do modo escolhido, a apresentação visual é inegavelmente um ponto forte. Outro detalhe que merece mencionar é a qualidade visual da água, que é impressionante e na minha opinião, Resynced apresenta o mar mais bonito dos jogos.
A narrativa principal de Edward Kenway se mantém fiel ao original, com seu crescimento como pirata e a busca pelo Observatório. No entanto, o remake adiciona novas missões, arcos para personagens icônicos como Barba Negra e Stede Bonnet. Há também novos oficiais para recrutar na Gralha, cada um com suas próprias contribuições. O foco continua sendo a aventura pirata, com exploração livre, caça ao tesouro, ataques a fortes e atividades secundárias variadas. O mapa não foi expandido exageradamente, o que mantém tudo mais objetivo e menos cansativo que em jogos mais recentes da franquia. Novas mecânicas de QoL, como agachar em qualquer lugar e falhas em perseguições que não causam falha imediata.
O combate recebeu uma boa modernização e agora é possível aparar ataques (parry), esquivar, fazer ataques rápidos ou carregados, usar bombas de fumaça e pistolas. O sistema está mais responsivo e próximo do que vimos em Assassin’s Creed Shadows, sem virar um RPG completo. Edward pode coletar materiais de crafting (principalmente via caça) e equipar berloques que dão bônus passivos, como quebrar defesas inimigas mais rápido. Os inimigos têm uma barra de defesa que exige ataques normais ou parrys perfeitos para ser vencida.
É crucial clarificar que o jogo não se transformou em um RPG como os títulos mais recentes da saga, mas vale mencionar que existe um sistema de armas com diferentes valores de dano e efeitos negativos associados, como a capacidade de incendiar os adversários, complementado por berloques (pingentes). Além de não ser um RPG, o jogo cortou completamente as seções chatas da Abstergo, aquelas em que o jogador controlava um protagonista com iPad circulando pelos escritórios nos dias atuais.
No entanto, nem tudo é perfeito, pelos menos durante minha jogatina, pois alguns bugs surgiram, como problemas no parkour (personagem travando em cenários) e glitches visuais. Por exemplo, Edward apontando o dedo como se segurasse uma pistola invisível. Um detalhe curioso é que dublagem em português foi refeita, mas muitas vozes não combinam bem com os personagens, então eu altamente recomendo jogar em inglês com legendas.
A verdadeira alma desta aventura da Ubisoft reside nas águas agitadas, e o navio Gralha continua a compartilhar o protagonismo, mantendo a excelente base de gestão e progressão naval do jogo original. A embarcação pode ser progressivamente melhorada e totalmente customizada de diversas formas, passando de um simples barco para uma verdadeira fortaleza flutuante. As batalhas navais continuam a ser um ponto altíssimo e extremamente divertidas de se jogar, agora beneficiando de uma leitura visual mais limpa que ajuda a traçar táticas durante o combate cruzado com frotas inimigas.
O vasto mar está repleto de fortalezas para serem conquistadas, segredos escondidos em ilhas desertas e mergulhos no fundo do oceano que recompensam os mais curiosos. Ainda assim, a componente que mais se destaca no convívio diário a bordo continuam a ser as tradicionais canções cantadas em coro pela tripulação durante as viagens, elevando a atmosfera pirata e tornando o simples ato de viajar entre dois pontos no mapa num dos momentos mais memoráveis do título.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um remake que honra o clássico e o atualiza de forma respeitosa. Ele entrega uma experiência bela, divertida e cheia de personalidade pirata, com ótimos aprimoramentos em combate, navegação e exploração. Apesar de pequenos bugs, o pacote final é altamente recomendado, especialmente para quem ama o Caribe de Edward Kenway ou quer vivenciar uma das melhores histórias da saga com visual de nova geração.
Se você curtia o original, esta versão é praticamente obrigatória. E se for sua primeira vez, prepare-se para se apaixonar pelos mares e pela tripulação do Gralha.
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