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Co-criador de Dragon Age chama IA de “praga virulenta” e faz alerta sobre os riscos para os devs

David Gaider, co-criador de Dragon Age e responsável pela escrita de Dragon Age: Origins, Dragon Age 2 e Dragon Age: Inquisition, não poupou palavras ao ser questionado sobre o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos.

Em entrevista ao GamesRadar, o veterano da BioWare, onde trabalhou até 2016, classificou a IA generativa como uma “praga virulenta” e levantou um alerta que vai além das discussões sobre plágio e direitos autorais, pois o risco real de cortar pela raiz a formação dos próximos profissionais da indústria.

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O problema vai além do copyright

Gaider reconhece o argumento mais recorrente contra o uso de IA, o de que modelos generativos são treinados com material protegido por direitos autorais, o que “abre qualquer uso a todo tipo de problema legal futuro, mesmo que alguém escolha ignorar as implicações morais, o que realmente não deveria acontecer”.

Mas ele faz questão de ir além desse ponto. Para ele, a discussão mais urgente é outra: o que acontece com os desenvolvedores juniores quando as tarefas repetitivas, justamente aquelas que ensinam o ofício, são entregues a uma máquina?

“Honestamente, em que isso ajuda?”, questionou Gaider. “Torna o trabalho mais eficiente? Melhora o trabalho? Não seria tão ruim se a IA generativa fosse vista mais como uma assistente, fazendo o trabalho braçal enquanto deixa as tarefas mais importantes para o trabalhador, mas parece que estamos vendo cada vez mais o inverso: a IA é configurada para fazer o trabalho importante e o trabalhador está por perto para ‘limpar’ o resultado.”

Ele ainda completa com uma observação tirada da própria experiência como narrative designer: “Em todo o meu tempo como designer narrativo, nunca me deparei com uma situação em que editar um produto inferior levou menos tempo do que simplesmente descartá-lo e refazê-lo, ou resultou em algo melhor do que medíocre.”

Vibe coding e a geração que não aprende a programar

Um dos alvos mais diretos da crítica de Gaider é o chamado vibe coding, tendência crescente em que desenvolvedores descrevem em linguagem natural o que querem criar e deixam a IA gerar o código por eles, sem que o programador escreva uma linha sequer. Para o veterano, essa prática levanta questões práticas que ainda não têm resposta satisfatória.

“Como se faz o bug fix de um vibe coding?”, perguntou Gaider. “Qual é o sentido de criar protótipos com IA quando o resultado é que ninguém no time aprendeu nada sobre como fazer o produto final? Por que usar IA para criar conceitos que inevitavelmente vão ser sem alma, cheios de erros e que não serão algo que os próprios artistas do estúdio conseguem replicar? Por que ter sistemas que ninguém no seu time realmente sabe como funcionam? Eu poderia continuar indefinidamente.”

Gaider também destacou uma limitação técnica concreta da IA generativa: ela é “terrível em iteração”. Segundo ele, não é possível “dizer a ela para ajustar pequenas coisas e obter um resultado consistente”, o que torna o processo frustrante e pouco confiável para tarefas que exigem refinamento constante.

“Trate como a praga virulenta que é”

Ao ser perguntado sobre como a indústria deveria tratar a IA no estágio atual, Gaider foi categórico.

“Até que alguma regulamentação esteja em vigor? Até que possamos ter confiança de que ela é treinada apenas com dados de fontes legais? Até que as pessoas tomando decisões sobre seu uso finalmente percebam que ela não é a fonte de mão de obra barata que querem que seja, e parem de cortar as pernas dos seus times para forçá-la enquanto esperam resultados irreais? Deveria ser tratada como a praga virulenta que é.”

A declaração chega em um momento em que o debate sobre IA na indústria de games está cada vez mais acirrado, com estúdios de diferentes portes experimentando o uso de ferramentas generativas em áreas que vão de arte conceitual a design de personagens e geração de diálogos, exatamente o campo de atuação de Gaider durante seus anos na BioWare.

Fonte: Video Games Chronicle

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coca

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