A Capcom explicou por que está usando IA generativa em seus negócios. Em resposta a uma sessão recente de perguntas e respostas com investidores, a empresa afirmou que sua política é “melhorar a eficiência das operações de rotina para que nossos desenvolvedores possam dedicar mais tempo à criação de valor essencial.”
A declaração deixa claro o posicionamento da companhia no debate cada vez mais polarizado sobre o uso de IA na indústria. A Capcom não nega a tecnologia, mas também não a coloca no centro criativo dos seus jogos.
“Acreditamos que o que os jogos devem entregar, acima de tudo, é uma experiência que supere as expectativas dos usuários, e que a criatividade no núcleo dessas experiências deve ser conduzida por humanos”, explicou a empresa no comunicado.
Quando pressionada a detalhar em quais etapas a IA está sendo aplicada, a Capcom respondeu de forma cautelosa, mas positiva:
“Estamos vendo um certo grau de efetividade no uso de IA generativa para melhoria da eficiência operacional. No momento, estamos incorporando-a ativamente em cada estágio do processo de desenvolvimento e avançando concretamente para implementá-la integralmente em algumas partes do desenvolvimento.”
A empresa reconheceu que o processo de desenvolvimento de jogos é “multifacetado e complexo”, e que, por isso, espera “que leve algum tempo antes de podermos demonstrar quantitativamente os resultados dessa melhoria de eficiência de desenvolvimento”. Em outras palavras, não há números concretos ainda, a Capcom está no meio do caminho da implementação.
O contexto em que essa declaração surge é relevante. Em 2024, um relatório da Unity apontou que 62% dos estúdios que usam suas ferramentas recorreram à IA em algum momento do desenvolvimento de jogos, sendo animação o caso de uso mais comum.
Uma pesquisa da GDC do mesmo ano indicou que cerca de um terço dos trabalhadores da indústria já utilizava ferramentas de IA. Em 2025, uma pesquisa da Tokyo Games Show revelou que mais da metade das empresas japonesas de games está usando IA no desenvolvimento.
A declaração sobre IA vem em um momento de forte expansão da Capcom. A empresa teve um ano notavelmente bem-sucedido, com dois lançamentos de peso. Pragmata, aguardado por anos e marcado por adiamentos, chegou em fevereiro com ótima recepção da crítica e vendeu 1 milhão de cópias em apenas dois dias, número que logo subiu para 2 milhões.
Resident Evil Requiem também estreou em fevereiro e rapidamente se tornou a entrada de maior venda nos mais de 30 anos de história da franquia. Em abril, pouco menos de dois meses após o lançamento, a Capcom celebrou a marca de 7 milhões de cópias vendidas do jogo.
Fonte: Eurogamer
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