Stan Lee, o lendário criador e editor da Marvel Comics que faleceu em 2018, terá sua voz e imagem reproduzidas por inteligência artificial para uso comercial. A empresa de áudio com IA ElevenLabs anunciou a aquisição dos direitos sobre a voz e a aparência de Lee, com a intenção de licenciá-los para outras companhias, abrindo caminho para que uma versão digitalmente recriada do criador apareça em filmes, comerciais e outros produtos.
Além do licenciamento para terceiros, os usuários da plataforma da ElevenLabs também poderão ouvir a voz recriada de Lee narrando audiobooks, inclusive por meio de um projeto chamado “Stan Lee Book Club of the Month”, e gerar painéis de quadrinhos com a imagem do criador a partir de templates que utilizam sua aparência.
Chaz Rainey, advogado e membro do conselho da Stan Lee Universe, empresa que atualmente detém os direitos da imagem de Lee, defendeu a parceria em declaração à Variety: “Stan sempre acreditou em encontrar seus fãs onde eles estavam: nas páginas de um quadrinho, numa convenção ou em uma rápida participação especial nas telas. Essa parceria é uma forma de continuar isso. Os fãs sempre nos disseram que, quando leem seus quadrinhos, ouvem as palavras na voz de Stan, e agora, graças à ElevenLabs, podemos tornar isso realidade.”
A iniciativa, no entanto, não é inédita e já gerou polêmica anteriormente. Na Los Angeles Comic Con do ano passado, a empresa de tecnologia Proto Hologram cobrou entre $15 e $20 dólares por uma conversa de três minutos com uma IA com aparência de Lee em formato de holograma, uma decisão amplamente criticada por fãs na época.
A situação legal em torno dos direitos de imagem de Stan Lee também é delicada. A Stan Lee Universe opera como uma joint venture que envolve a própria empresa de Lee, a POW! Entertainment. Pouco antes de sua morte, contudo, o próprio criador chegou a processar a POW! Entertainment, alegando que os demais dirigentes da companhia conspiraram para “fraudulentamente roubar” seu nome e sua imagem para lucro próprio. Lee tinha 95 anos à época do processo e, por admissão própria, sofria há anos de degeneração macular avançada, condição que o impedia de ler sem auxílio.
Fonte: IGN
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