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Mangaká revela exigência da Shonen Jump: protagonistas femininas precisavam de fanservice para serem aprovadas

O mangaká japonês Ken Ogino, conhecido por ilustrar a adaptação em mangá de The Ossan Newbie Adventurer, veio a público revelar detalhes inéditos sobre os bastidores de Lady Justice, série que publicou na revista Weekly Shonen Jump, da Shueisha, em 2015. O mangá foi cancelado no mesmo ano, encerrando com apenas dezesseis capítulos, e Ogino usou sua conta pessoal no X para responder a uma publicação viral que distorcia os motivos por trás do fim prematuro da obra.

A postagem em questão atribuía o cancelamento à postura criativa do próprio autor. O usuário escreveu: “Tenho a sensação de que o autor encarou isso com nada além de um desejo apaixonado de desenhar algo erótico, apenas para ser mal-sucedido. Olhando para trás, porém, foi bem ousado da parte deles tentar competir com uma série de super-heróis nos dias de ouro de My Hero Academia.”

Ogino rebateu a análise com uma revelação direta: ele não tinha a liberdade criativa que as pessoas imaginam. Na prática, o conteúdo erótico não era uma escolha artística sua, mas uma exigência editorial para que uma série com protagonista feminina pudesse ser publicada.

O que é Lady Justice e por que o fanservice dominou a série

Lady Justice é uma comédia de super-heróis centrada em Kenzaki Ameri, uma estudante do ensino médio que utiliza sua força sobre-humana para combater criminosos e gangsters. Enquanto Ameri é praticamente invencível em batalha, o mesmo não pode ser dito de suas roupas. A recorrência do uniforme sendo rasgado nos combates, expondo o corpo da heroína e causando sua constante vergonha, tornou a série notoriamente carregada de fanservice. 

Em sua resposta no X, o mangaká disse que hoje em dia inveja o fato de a Jump atual permitir que autores desenhem protagonistas femininas sem a obrigatoriedade do conteúdo erótico — uma afirmação que, nas entrelinhas, confirma que essa era, de fato, uma pré-condição que lhe foi colocada pelos editores da época.

Ogino também aproveitou para desfazer outro mito: o de que Lady Justice teria sido concebida para disputar espaço diretamente com My Hero Academia. Segundo ele, a versão one-shot da série foi publicada antes mesmo de My Hero Academia estrear sua serialização regular. Quando ele já estava no meio do processo de criação dos storyboards para a série, a obra de Kōhei Horikoshi começou a ser serializada, e ele e seu editor ficaram sem chão diante da coincidência. “Portanto, não foi uma tentativa de desafiar My Hero Academia, foi apenas uma coincidência”, esclareceu o autor.

Fonte: Automaton Media

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias
Tags: Otaku

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