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“Steam não coopera de forma justa com o mercado”: Ação coletiva no Reino Unido critica comissão de 30%

O debate de longa data sobre a divisão de receitas nas lojas digitais está entrando em uma nova fase decisiva. No centro da controvérsia está o Valve, responsável pela Steam, cuja comissão de 30% sobre a venda de jogos agora é alvo de uma grande ação coletiva no Reino Unido. O que antes era visto como um padrão da indústria passa a ser enquadrado como um possível abuso de posição dominante.

No Reino Unido, o processo contra a Valve é liderado por Vicki Shotbolt, CEO da organização de segurança digital Parent Zone. Embora reconheça os pontos fortes da Steam, ela argumenta que o poder de mercado da plataforma exige maior responsabilidade. “É uma plataforma fantástica do ponto de vista do jogador”, afirma. “Mas a Steam é uma plataforma grande e importante dentro de um ecossistema igualmente grande e importante — precisa cooperar de forma justa, e claramente não está fazendo isso.”

A ação judicial sustenta que a comissão de 30% é excessiva e prejudica os consumidores. Segundo os documentos do processo, essas “taxas excessivas” elevam o preço final dos jogos, já que os desenvolvedores incorporam a comissão da plataforma no valor cobrado. 

Um dos pontos centrais do caso é a política de paridade de preços do Steam, que exige que publicadoras não vendam chaves da plataforma em outras lojas por valores inferiores aos praticados dentro da própria Steam. “É importante que você não ofereça aos clientes da Steam uma condição pior do que aos compradores de chaves Steam”, para Shotbolt, essa cláusula é determinante. “É isso que impede que esses jogos sejam vendidos mais baratos em outro lugar”, explica. “E isso distorce imediatamente o mercado.”

Muitos desenvolvedores também sentem que não têm alternativa a não ser lançar seus jogos no Steam, devido à sua enorme base instalada e aos recursos de comunidade já consolidados. “Se você quer desenvolver um jogo para PC, você quer que ele esteja na Steam”, diz Shotbolt. “Não é como se houvesse dez outras opções viáveis. É isso que torna o caso tão importante.”

Ao mesmo tempo, ela reconhece que uma eventual redução na comissão da Valve não garantiria automaticamente jogos mais baratos para os consumidores, já que os desenvovledores não seriam obrigados e poderiam optar por um lucro maior. Ainda assim, ela acredita que maior liberdade de precificação criaria pressão competitiva: “Espera-se que um mercado saudável responda dizendo: é do meu interesse cortar o preço e repassar isso ao consumidor.”

A Justiça britânica já determinou que o caso deve ir a julgamento, apesar das objeções da Valve. Se a ação for bem-sucedida, poderá resultar em até £656 milhões em indenizações para consumidores afetados no Reino Unido. De forma mais ampla, o processo pode forçar mudanças não apenas no modelo de preços da Steam, mas também na forma como marketplaces digitais operam em toda a indústria.

Fonte: Games Industry

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias
Tags: PCSteam

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