A EA está se enterrando na cova que ela mesma cavou. A fome insaciável por lucro aguça a cada ano o seu desejo de destruir. A busca por fontes inesgotáveis de dinheiro faz a empresa produzir jogos cujo objetivo principal não é mais divertir e encantar. As principais franquias da EA hoje são um sofisticado sistema de arrecadação por meio de microtransações. Esse apetite foi capaz de redirecionar o trabalho de muitas desenvolvedoras adquiridas pela Eletronic Arts. As que não se adaptaram à visão de negócios da empresa foram trituradas.
A Bioware hoje não é nem sombra da empresa criativa e promissora que já foi. O último Mass Effect é melhor do que o das críticas negativas; mas conhecendo a developer, sabemos que o game poderia alcançar níveis de qualidade maiores. O desastre de Anthem pode ter sido a pá de cal sobre a cova da lendária desenvolvedora. Não bastasse isso, tentou relançar o game, mas o bom senso a fez desistir.
A Visceral encerrou suas atividades, mas não sem antes passar por um processo de desmonte vergonhoso. Para quem acompanhou, sabe o requinte de crueldade antes do apagar das luzes. É triste demais que uma developer desse calibre tenha tido tal fim.
A Respawn está à deriva na produção de games, tentando manter de pé o esboço frágil de um jogo multiplayer chamado Apex. Ainda que Star Wars Jedi: Fallen Order seja um bom game, não se pode esperar muito da desenvolvedora devido ao modo como a EA trabalha com suas subordinadas. Aliás, a Disney já retirou da EA a exclusividade da produção de games da franquia.
A Dice, ah a Dice. Havia um dito para o público de BF muito popular, “Um BF bom precede um ruim”. Porém, após o BF4, os seguintes jamais alcançaram a mesma qualidade desse. Estamos no terceiro título e contando e contando. O trailer do BF2042 sinalizou falsamente que a empresa estava ouvindo os apelos dos fãs. Em vão se acreditou. O jogo nem consegue se sustentar de pé com tantos problemas estruturais.
O FIFA ainda é uma máquina de fazer dinheiro. Entretanto, muita gente está de olho nesse mercado. Aliás, a FIFA, a instituição, está querendo rever a fatia desse pão farto. A EA não parece disposta a negociar, tanto é que já cogita mudar o nome do game. A galinha dos ovos de ouro está sendo observada por raposas sedentas.
O trabalho da EA com jogos indies até é louvável, pois It takes two é uma lufada que renova o ar dos pulmões e nos permite respirar dentro de uma bolha de gases tóxicos. Contudo, o histórico da Eletronic Arts previne-nos da decepção de esperar que produtora indie continue a trabalhar tendo por objetivo a criatividade e a inovação em lugar do lucro puro e simples.
A EA tem na conta a morte agonizante de muitas desenvolvedoras. Cada uma delas representa um sacrifício realizado para um deus faminto. Acontece, porém, que esses sacrifícios não trazem chuvas nem terras férteis. Pelo contrário, cada um é responsável por esterilizar e infertilizar. Nesse jardim onde nada cresce, EA, o seu futuro não é nada promissor.
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