Por Ricardo Farah
Nos idos de 1997, quando a primeira geração de consoles da Sony abocanhava uma legião de fãs da SEGA e da Nintendo, o mercado de games vivia pela primeira vez na história uma acirrada concorrência por conta de lançamentos não das principais produtoras, mas sim dos games das tirdy-parties. Porém, nenhum destes jogos foi tão importante para definir o sucesso e o fracasso de uma empresa como Final Fantasy VII da Squaresoft (hoje conhecida como Square Enix).
Produzido inicialmente para o Nintendo 64, o game acabou sendo transferido para o PlayStation da Sony por motivos óbvios: o console da Sony usava como mídia o CD (que permitia muito mais espaço e qualidade nos jogos), ao passo que o Nintendo 64 ainda o usava o já ultrapassado cartucho. Resultado: a perda de FFVII para a Nintendo foi o estopim para que a parceria de anos entre a Squaresoft e Nintendo ruísse.
Final Fantasy VII, em sua semana de lançamento no Japão, vendeu mais de 2 milhões de cópias. Hoje, o game acumula a fantástica marca de quase 10 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo. As aventuras de Cloud Strike, Barret Wallace, Tifa Lockhart, Red XIII e Aerith Gainsborough permanece até hoje na mente de qualquer fã de RPGs. Maior ainda é o conceito de vilão criado para Sephiroth, personagem que até hoje desponta como o maior tirano da história dos games.
De 1997 até hoje, Final Fantasy VII tornou-se mais uma marca potente da Square Enix do que um simples jogo de RPG. Comemorando os 10 anos da franquia, a produtora divulgou no ano passado a produção de uma série de outros jogos que formariam a “Compilation of Final Fantasy VII”. Cada game produzido para uma plataforma diferente, contando histórias distintas, mas todas para completar a trama principal que nos foi apresentada no game original.
A chegada ao PSP
Crisis Core: Final Fantasy VII é o mais novo título da compilação FFVII. Lançado agora no final de março para o PSP, o portátil da Sony, o game conta mais do passado e da origem dos SOLDIER, classe de soldados que trabalha para a Shinra Corporation, organização que visa proteger o mundo, mas que todos sabemos acabou por corromper a humanidade.
O protagonista (e único personagem que jogamos) é Zack Fair, SOLDIER de segunda classe que ascende no cargo (tornando-se 1ª classe). Zack é lembrado em Final Fantasy VII como um dos grandes amigos de Cloud e o principal mentor que o fez chegar na classe dos soldados da Shinra. Ã Zack quem utiliza a Buster Sword (a espadona de Cloud) antes. Mas a trama é mais complexa do que imaginávamos. Angeal, Genesis e Sephiroth são soldados da primeira classe, que se revelam irmãos de genes, ou seja, obras criadas em laboratório a fim de se produzirem os soldados perfeitos.
à em Crisis Core que descobrimos como Sephiroth tornou-se o vilão que é (e os motivos que o levaram a isso). E aqui também que descobrimos que fim teve Zack e como Cloud sobreviveu ao fardo de ser um SOLDIER. Ou seja, fã nenhum pode ficar sem jogar este clássico. Detalhes importantíssimos são revelados a cada segundo. E como nós aqui da redação constatamos, a cada personagem consagrado da trama, uma lagrima de emoção escorre no canto do olho.
Turnos em ação
O clássico FFVII chegou ao console da Sony mostrando que bons RPGs são aqueles de turno, com tempo pré-definido para cada ação de cada personagem na batalha. Trouxe também o sistema de Materias e suas diferentes classes, o sistema de evolução e criação de matérias e, obviamente a volta das clássicas Summons (as invocações lendárias).
Crisis Core apenas remodelou todo este sistema, adaptando o jogo para ser mais ágil e funcional para o portátil. O sistema de turnos fixos e o encontro aleatório de inimigos saíram de cena para dar vez a um novíssimo sistema de turnos dinâmicos (semelhantes ao que vimos em Kingdom Hearts ou até mesmo na franquia The Legend of Zelda). Os encontros aleatórios continuam, mas muito mais inteligentes e menos enfadonhos. O resultado é um RPG de ação que continua trazendo sistemas de evolução.
Falando do sistema em si, as Materias continuam como principal artefato na coleta de novas habilidades. Porém elas não são equipadas mais em armas ou acessórios. Mas também evoluem até um nível Master. A novidade é que agora elas podem ser fundidas, resultando em novos tipos de matérias (ou matérias mais poderosas).
Outra novidade muito bem-vinda aos combates é o sistema conhecido como DMW (Digital Mind Wave). Muito semelhante a uma roleta de caça-níquel, o DMW é acionado automaticamente na batalha dependendo do tipo de ação que você executa (golpes físicos, mágicos, itens de cura etc). Dependendo da combinação que resultar seu personagem ganha tem seu status modificado ou alterado permanentemente. Por exemplo, você pode ficar invencível por alguns segundos, pode ter um custo zero para ataques mágicos, ou pode até mesmo aumentar de level caso a roleta resulte em um 777. Se não bastasse, caso três imagens de um mesmo personagem parem na roleta, você acionará uma habilidade especial deste personagem: Cloud auxilia com seu Meteor Mash ao passo que Aerith cura todos seus status negativos e ainda recupera seu HP. Até mesmo as summons são utilizadas no DMW: acerte um triplo de imagens de Ifrit e seja feliz assistindo a uma das melhores animações CGs de especial já feitas na franquia, por exemplo.
Muitas missões
Pra deixar o game com um replay praticamente infinito, além das missões principais (divididas em 11 capítulos), você tem uma lista infindável de missões paralelas que podem ser cumpridas a qualquer momento (bastando apenas chegar em um save point). São elas que garantem as horas extras de diversão e, principalmente, os principais desafios a serem enfrentados (só faltou mesmo alguns Weapons). Ao todo são 300 missões que variam desde a coleta de itens especiais, até acabar com um número especifico de inimigos.
Visual impecável
Se existe um game atualmente capaz de mostrar o “poder de fogo” do PSP, este é Crisis Core. Tanto as animações em tempo real quanto as em CGs são das mais belas que o portátil já teve. Os cenários estão fantasticamente detalhados; as expressões faciais ficarão formidáveis; os efeitos de luz e explosões são melhores que muito jogo do próprio PlayStation 2; Enfim, não há nada no visual que nos faça achar que o game foi produzido com pressa.
Pra completar, a trilha sonora (composta por Takeharu Ishimoto), resgata tanto a nostalgia da trilha principal da franquia (criada por Nobuo Uematsu) como também traz composições originais que só acrescentam a empolgação e a nostalgia de jogar um Final Fantasy portátil.
Em suma, Crisis Core: Final Fantasy VII é, seguramente, o melhor RPG do PSP. Um dos melhores títulos do ano e, título obrigatório para qualquer fã da franquia Final Fantasy. Parabéns à Square Enix. Parabéns ao portátil da Sony por mais esta aquisição.
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