Uma das dúvidas que acompanhou Marvel’s Wolverine desde suas primeiras demonstrações de gameplay finalmente ganhou uma explicação dentro do próprio universo do jogo. Afinal, se o fator de cura de Logan consegue regenerar seu corpo depois de tiros, cortes e ferimentos graves, por que seu traje também voltava ao normal? A resposta aparece nas primeiras horas da aventura e envolve nanotecnologia Phalanx, conectando uma simples necessidade de gameplay a uma das ameaças tecno-orgânicas mais conhecidas das histórias dos X-Men.
Atenção: o texto contém pequenos spoilers das primeiras horas de Marvel’s Wolverine. No início da campanha, Logan recebe de Walter Langkowski um verdadeiro traje de super-herói, incluindo o tradicional uniforme inspirado nos quadrinhos e sua característica máscara. Langkowski explica que o traje utiliza uma nanotecnologia capaz de realizar reparos automaticamente enquanto Wolverine está em campo. Assim, mesmo quando o uniforme é rasgado durante as batalhas, ele consegue gradualmente retornar ao seu estado original.
Com isso, a Insomniac separa as duas regenerações. O corpo de Logan continua se recuperando graças ao seu tradicional fator de cura mutante, enquanto o uniforme depende de tecnologia avançada.
A escolha não parece ter sido feita ao acaso. Nos quadrinhos da Marvel, os Phalanx são seres tecno-orgânicos ligados a uma mente coletiva, capazes de assimilar outras formas de vida e incorporá-las ao seu sistema. A própria Marvel descreve os Phalanx como uma ameaça capaz de absorver seres vivos e conectá-los a um todo tecno-orgânico. Eles tiveram papel central na clássica saga Phalanx Covenant, na qual os X-Men são capturados e diferentes grupos de mutantes precisam impedir que a ameaça se espalhe pela Terra.
Em histórias mais recentes, o conceito foi ampliado ainda mais. Em Powers of X, de 2019, os Phalanx aparecem relacionados aos Dominions, entidades de inteligência e escala cósmica dentro da mitologia moderna dos X-Men. Por enquanto, porém, não há confirmação de que a referência em Marvel’s Wolverine seja uma preparação para a chegada dos Phalanx como inimigos. Ela pode simplesmente funcionar como uma maneira de aproveitar elementos já existentes do universo Marvel para justificar a tecnologia do traje.
Outro detalhe interessante está justamente no personagem responsável pelo equipamento. Nos quadrinhos, Walter Langkowski é mais conhecido como Sasquatch, integrante da equipe canadense Alpha Flight. A Marvel o descreve como um cientista extremamente inteligente que pesquisou os efeitos da radiação gama na tentativa de reproduzir a transformação de Bruce Banner no Hulk, experimento que acabou levando à sua própria transformação em Sasquatch.
Portanto, colocar Langkowski como responsável por uma tecnologia tão avançada não é simplesmente uma invenção conveniente da Insomniac. A função aproveita diretamente o histórico científico que o personagem possui nos quadrinhos. Além disso, Logan possui uma longa ligação com a Alpha Flight nas HQs, o que adiciona outra pequena camada de referência para fãs mais familiarizados com a história do personagem.
Curiosamente, a discussão sobre o uniforme regenerativo já havia surgido antes mesmo do lançamento de Marvel’s Wolverine. Depois que os primeiros vídeos mostraram a roupa de Logan se reconstruindo após receber grandes quantidades de dano, alguns jogadores questionaram a lógica da mecânica. Em agosto, o chefe de tecnologia da Insomniac, Mike Fitzgerald, explicou que a principal razão era bastante prática: não seria viável fazer o jogador atravessar boa parte da campanha com Wolverine usando somente pedaços de roupa rasgada.
Segundo Fitzgerald, o estúdio procurou encontrar um equilíbrio entre mostrar no traje as consequências do combate brutal e restaurá-lo nos momentos adequados para preservar a apresentação cinematográfica do personagem. A diretora sênior do projeto, Jess Reiner-Reed, acrescentou que versões anteriores deixavam Logan com as roupas destruídas por tempo demais, diminuindo a sensação de poder durante as missões.
Na época, portanto, a justificativa apresentada era essencialmente de game design. A versão final do jogo foi além e incorporou uma resposta dentro da narrativa por meio da tecnologia Phalanx.
O assunto chegou a gerar debates entre os fãs antes do lançamento. Em uma discussão no Reddit que reuniu centenas de votos, alguns jogadores disseram que a regeneração quase instantânea do traje prejudicava a imersão e sugeriram que o uniforme deveria permanecer danificado durante a luta e começar a se reconstruir somente depois que o combate terminasse. Outros simplesmente consideraram a solução necessária para que Logan não passasse boa parte da aventura praticamente sem roupa.
O curioso é que o problema não é exatamente novo nos videogames do personagem. Em X-Men Origins: Wolverine, lançado em 2009 pela Raven Software, havia um sistema bastante avançado para a época que mostrava músculos e pele de Logan se reconstruindo conforme seu fator de cura entrava em ação. Suas roupas também podiam ser destruídas durante as batalhas; relatos e materiais da época mostram que o tratamento do traje nem sempre seguia a mesma lógica da regeneração corporal, algo que acabou gerando discussões semelhantes entre jogadores.
A diferença é que, desta vez, a Insomniac decidiu transformar uma necessidade típica de videogame em parte do próprio universo de Marvel’s Wolverine. E utilizar justamente os Phalanx para isso deixa uma pequena porta aberta para teorias, embora, até o momento, nada indique que a tecnologia terá uma importância maior na história além de manter o traje de Logan inteiro depois de suas batalhas mais violentas.
Marvel’s Wolverine já está disponível para PS5.
Fonte: IGN
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