PHYSINT ainda está distante, mas voltou aos holofotes. Depois de a PlayStation encerrar sua participação no projeto, Hideo Kojima confirmou que passou os últimos meses procurando um novo parceiro. A busca terminou com a Xbox, que agora será responsável pela publicação do jogo e já confirmou que o desenvolvimento continua.
A associação com Metal Gear é inevitável. O próprio projeto é apresentado como uma experiência de ação e espionagem, justamente o gênero que tornou Kojima conhecido mundialmente. Só existe um pequeno problema: PHYSINT ainda não possui data de lançamento e provavelmente não aparecerá tão cedo nas lojas.
Para diminuir um pouco a espera, separamos dez jogos que valem a atenção de quem sente falta de infiltrações em bases inimigas, equipamentos militares, conspirações e, principalmente, da liberdade de decidir se é melhor passar despercebido ou transformar tudo em uma enorme confusão.
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1. Metal Gear Solid V: The Phantom Pain
- Lançamento: 1º de setembro de 2015
- Plataformas: PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One.
Começar por Metal Gear pode parecer trapaça, mas The Phantom Pain continua sendo uma das maneiras mais fáceis de entender por que tanta gente está de olho em PHYSINT. Foi o último Metal Gear dirigido por Hideo Kojima e também o jogo no qual a franquia levou mais longe a ideia de entregar uma missão e deixar o jogador descobrir sozinho como resolvê-la.
As áreas abertas do Afeganistão e da África funcionam praticamente como grandes caixas de ferramentas. É possível estudar uma base durante o dia, voltar à noite, cortar sua energia, marcar soldados, destruir equipamentos, chamar apoio aéreo ou simplesmente rastejar pelo mato até encontrar uma entrada que ninguém estava observando. Até coisas aparentemente inúteis podem acabar virando parte de um plano.
Também é um jogo que recompensa improvisação. Uma operação cuidadosamente planejada pode desandar porque alguém encontrou um corpo ou porque um guarda resolveu seguir uma rota diferente. É justamente nesse momento que The Phantom Pain costuma ficar mais divertido. Para quem espera que PHYSINT volte a explorar essa liberdade tática, a aventura de Venom Snake continua sendo a referência mais óbvia.
2. Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist
- Lançamento: 20 de agosto de 2013
- Plataformas: PC, PS3, Xbox 360 e Wii U.
Se Metal Gear transformou espionagem em um espetáculo cinematográfico, Splinter Cell construiu boa parte de sua identidade em torno da sensação de realmente invadir lugares onde você não deveria estar. Blacklist é provavelmente o episódio mais acessível para quem quer experimentar isso hoje sem voltar aos capítulos mais antigos da franquia.
Sam Fisher pode apagar luzes, usar visão especial, distrair inimigos, operar pequenos dispositivos e eliminar guardas antes que percebam de onde veio o ataque. O jogo também incentiva estilos diferentes. É possível completar situações como um “Ghost”, evitando confrontos, agir como “Panther”, eliminando inimigos silenciosamente, ou abandonar qualquer discrição e partir para o combate.
Essa flexibilidade aproxima Blacklist bastante de Metal Gear. Os dois jogos entendem que furtividade não precisa significar ficar parado esperando um guarda virar de costas. Há espaço para criatividade, ferramentas e erros. E, caso alguém descubra Sam no meio da operação, ainda existe a possibilidade de improvisar e continuar a missão.
3. Hitman: World of Assassination
- Lançamento: o jogo-base atual foi lançado originalmente como Hitman 3 em 20 de janeiro de 2021; passou a se chamar Hitman: World of Assassination em 26 de janeiro de 2023.
- Plataformas: PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series X|S. Hitman 3 também recebeu uma versão em nuvem para Nintendo Switch.
Agent 47 não possui uma bandana e dificilmente seria visto escondido dentro de uma caixa de papelão, mas existe muito de Metal Gear na maneira como Hitman trata suas missões. Em vez de entregar somente um caminho para chegar até o alvo, cada cenário funciona como um enorme quebra-cabeça no qual quase tudo pode ser aproveitado.
Disfarces permitem entrar em áreas restritas, conversas revelam oportunidades, objetos aparentemente banais podem virar armas e acidentes cuidadosamente preparados resolvem problemas sem levantar suspeitas. Parte da diversão está justamente em observar o cenário durante vários minutos antes de decidir qual absurdo será colocado em prática.
World of Assassination reúne conteúdo da trilogia moderna e é especialmente interessante para quem gostava de repetir missões em Metal Gear tentando métodos completamente diferentes. Na primeira tentativa, tudo pode terminar em uma execução limpa. Na segunda, talvez Agent 47 esteja vestido de mascote enquanto prepara um acidente extremamente conveniente. E as duas soluções funcionam.
4. Deus Ex: Mankind Divided
- Lançamento: 23 de agosto de 2016
- Plataformas: PC, PS4 e Xbox One.
Deus Ex troca soldados, selvas e enormes máquinas militares por implantes cibernéticos e conspirações envolvendo corporações, governos e organizações escondidas nas sombras. Mesmo assim, quem gosta da combinação de espionagem e ficção científica de Metal Gear provavelmente vai se sentir em casa.
Mankind Divided coloca Adam Jensen em ambientes cheios de possibilidades. Uma porta trancada raramente significa que aquele caminho acabou. Talvez exista um computador que possa ser hackeado, uma janela, uma passagem de ventilação ou até uma parede que Jensen consiga atravessar utilizando seus aprimoramentos.
Também existe bastante liberdade na maneira de lidar com os inimigos. É possível derrubar adversários sem matá-los, desaparecer utilizando camuflagem, hackear sistemas de segurança ou simplesmente sacar uma arma quando alguma coisa dá errado. É menos militar que Metal Gear, mas compartilha aquela ótima sensação de olhar para uma área e pensar: “deve existir outro jeito de entrar aqui”.
5. Alpha Protocol
- Lançamento: 28 de maio de 2010 na Europa e 1º de junho de 2010 na América do Norte
- Plataformas: PC, PS3 e Xbox 360.
Alpha Protocol envelheceu de maneira bastante irregular, principalmente no combate e nas animações. Ainda assim, poucos jogos tentaram entregar uma fantasia de espionagem tão completa quanto o RPG desenvolvido pela Obsidian Entertainment. Isso por si só já garante um espaço nesta lista.
O jogador assume o papel do agente Michael Thorton e passa por operações envolvendo terrorismo, serviços secretos e conspirações internacionais. O diferencial é que missões e diálogos estão conectados às decisões tomadas durante a campanha. Pessoas podem se tornar aliadas ou inimigas dependendo da maneira como o protagonista conduz uma conversa ou resolve determinada situação.
Não espere uma jogabilidade furtiva tão refinada quanto Metal Gear Solid V ou Splinter Cell. O grande atrativo está em realmente interpretar um agente secreto e conviver com as consequências de suas escolhas. Em uma lista para quem está esperando justamente um novo jogo de espionagem de Kojima, seria difícil ignorar uma das poucas produções que decidiu construir praticamente um RPG inteiro em torno do gênero.
6. Sniper Elite 5
- Lançamento: 26 de maio de 2022
- Plataformas: PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series X|S.
Sniper Elite é lembrado principalmente por sua famosa câmera de morte em raio-X, mas reduzir o jogo aos disparos de longa distância seria deixar de lado justamente o que mais pode interessar aos fãs de Metal Gear. Por baixo de toda a violência existe um ótimo jogo de infiltração em mapas bastante abertos.
Karl Fairburne pode observar bases à distância, marcar inimigos, esconder corpos, utilizar armas com silenciador, provocar distrações e procurar entradas alternativas. Existem objetivos principais e secundários espalhados pelos cenários, deixando o jogador decidir como montar sua rota antes de agir.
Sniper Elite 5 fica especialmente interessante quando alguma coisa foge do plano. Um disparo ouvido pelo inimigo pode transformar uma missão silenciosa em uma perseguição pela instalação inteira. É aquela velha situação conhecida pelos jogadores de Metal Gear: você entra querendo ser o maior especialista em espionagem do mundo e, alguns minutos depois, metade do exército já sabe exatamente onde você está.
7. Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint
- Lançamento: 4 de outubro de 2019
- Plataformas: PC, PS4 e Xbox One.
Breakpoint teve uma recepção complicada quando chegou às lojas, mas recebeu várias mudanças ao longo dos anos e atualmente oferece uma experiência bem mais interessante para quem procura operações militares em áreas abertas. A própria estrutura das missões permite abordar instalações inimigas de diversos pontos.
Antes de entrar em uma base, é possível reconhecer a região utilizando drones, identificar guardas e preparar equipamentos. Depois disso, cada jogador escolhe o ritmo. Dá para eliminar soldados aos poucos, usar disparos sincronizados, avançar pela vegetação ou abandonar a discrição e chamar atenção de todo mundo.
Não existe aqui o mesmo nível de excentricidade encontrado nos jogos de Kojima, mas o sentimento de preparar uma operação é bastante parecido. Especialmente para quem gosta da parte mais militar de Metal Gear Solid V, Breakpoint consegue entregar várias horas de infiltrações, armas, drones e planos que podem dar muito certo ou muito errado.
8. Dishonored 2
- Lançamento: 11 de novembro de 2016
- Plataformas: PC, PS4 e Xbox One.
Dishonored 2 parece um estranho nesta seleção quando olhamos apenas para seu universo. Não há agentes secretos, conflitos modernos ou enormes robôs com capacidade nuclear. O que coloca o jogo da Arkane por aqui é outra coisa: a liberdade quase absurda entregue para resolver cada missão.
Emily e Corvo possuem habilidades capazes de transformar os cenários em verdadeiros playgrounds para jogadores criativos. Guardas podem ser evitados, distraídos ou eliminados, enquanto poderes sobrenaturais permitem alcançar locais que inicialmente parecem inacessíveis. Às vezes, existe um caminho escondido literalmente acima da cabeça do jogador.
Assim como nos melhores momentos de Metal Gear, aprender como o cenário e os inimigos funcionam é tão importante quanto ter bons reflexos. Dishonored 2 recompensa curiosidade e experiências, inclusive algumas soluções que parecem completamente improváveis até você tentar. Quem gosta de terminar uma missão e imediatamente pensar em como poderia ter feito tudo de outra maneira encontrará muito para aproveitar.
9. Watch Dogs 2
- Lançamento: 15 de novembro de 2016 nos consoles e 29 de novembro de 2016 no PC
- Plataformas: PC, PS4 e Xbox One.
Watch Dogs 2 está bem distante do clima pesado de Metal Gear, mas suas ferramentas fazem dele uma ótima opção para quem gosta de infiltração. Marcus Holloway pode invadir sistemas de segurança, controlar câmeras e utilizar pequenos dispositivos para explorar uma instalação antes mesmo de colocar os pés dentro dela.
O drone e o veículo controlado remotamente permitem marcar inimigos, abrir acessos e alcançar terminais. Sistemas eletrônicos espalhados pelo cenário também podem ser manipulados para criar distrações ou colocar adversários uns contra os outros. Em várias missões, entrar pessoalmente no prédio quase parece um último recurso.
Essa combinação de tecnologia e improvisação acaba lembrando bastante a filosofia dos equipamentos encontrados nos jogos mais recentes de Metal Gear. A diferença é que Marcus troca o Fulton e as caixas de papelão por smartphones e drones. Para quem gosta de passar mais tempo preparando uma infiltração do que trocando tiros, Watch Dogs 2 ainda funciona surpreendentemente bem.
10. Intravenous 2
- Lançamento: 15 de agosto de 2024
- Plataforma: PC.
Intravenous 2 provavelmente é o nome menos conhecido desta lista, mas talvez seja justamente um dos que mais merecem a atenção de quem procura algo novo. O jogo independente mistura ação tática e furtividade vista de cima, com uma estrutura que lembra clássicos do gênero.
Iluminação e som têm papel importante nas operações. É possível apagar luzes, observar a movimentação dos inimigos, utilizar armas silenciosas e escolher cuidadosamente quando vale a pena entrar em combate. Os adversários também reagem ao que acontece ao redor, então um erro pequeno pode colocar uma área inteira em alerta.
Visualmente ele não tenta competir com grandes produções, mas suas possibilidades compensam a apresentação mais simples. Intravenous 2 entende algo que Metal Gear sempre fez muito bem: furtividade fica muito mais divertida quando o jogo entrega ferramentas e permite que o jogador invente sua própria solução. Para quem já conhece os nomes maiores desta lista, é uma ótima opção para descobrir enquanto PHYSINT continua no forno.
A espera por PHYSINT pode ser longa
Ainda existe muito que não sabemos sobre PHYSINT. A Kojima Productions continua tratando o projeto como uma experiência de ação e espionagem, mas a mudança de parceiro mostra que seu desenvolvimento passou por uma grande reviravolta antes mesmo de o público ver o jogo funcionando de verdade. A Xbox afirma que pretende divulgar mais informações conforme a produção avançar.
Até lá, pelo menos existem alternativas suficientes para manter qualquer aspirante a agente secreto ocupado. Algumas seguem a espionagem mais tradicional, enquanto outras pegam aquilo que Metal Gear fazia tão bem, entregar ferramentas, criar um problema e deixar o jogador encontrar sua própria saída.
E, convenhamos, se o plano envolver entrar escondido em uma base militar e sair deixando um rastro de explosões porque tudo deu errado, talvez seja ainda mais fiel ao espírito de Metal Gear do que originalmente pretendíamos.