Os QTEs de Marvel’s Wolverine já estavam entre os elementos mais discutidos do novo jogo da Insomniac Games antes mesmo de seu lançamento. Agora, com a publicação das primeiras análises, a mecânica voltou ao centro das atenções por um motivo bastante curioso: em determinadas sequências, aparentemente é difícil até mesmo falhar. Durante sua análise, o GamingBible decidiu testar até onde os comandos mostrados na tela realmente importavam O resultado? A sequência avançou normalmente apertando qualquer botão.
Segundo o veículo, o comportamento se repetiu em alguns momentos da campanha, levantando uma pergunta bastante simples: se o jogador não precisa executar corretamente o comando apresentado na tela, qual é exatamente a função do QTE? A discussão ganhou ainda mais força após a análise publicada pelo canal Skill Up, que foi especialmente crítico com a quantidade de assistência oferecida ao jogador durante Marvel’s Wolverine.
O crítico descreveu o jogo como excessivamente preocupado em dizer ao usuário para onde ir e o que fazer, citando elementos como marcadores, indicações visuais, lembretes, sons e outros sistemas de orientação. A crítica foi justamente ao sentimento de que o jogo raramente permite que o jogador descubra as coisas por conta própria. Trechos envolvendo os QTEs rapidamente começaram a circular nas redes sociais e fóruns. No Reddit, uma das discussões que ganhou destaque questiona justamente sequências que aparentemente avançam mesmo quando o jogador não executa corretamente a ação solicitada.
Leia Mais
Quick Time Event
Antes vs Agora pic.twitter.com/WwRkRdwy7n— Academia dos Gamers Oficial (@academiadgamers) September 11, 2026
A descoberta é particularmente curiosa porque os QTEs já haviam sido alvo de críticas durante a fase de previews de Wolverine. Na ocasião, vídeos espalhados pelas redes sociais davam a impressão de que boa parte do jogo era formada por eventos de tempo rápido. A Push Square chegou a testar essa alegação e contou apenas seis sequências de QTEs ou comandos na tela durante aproximadamente duas horas e meia de gameplay, argumentando que Wolverine estava longe de ser o “festival de QTEs” retratado por algumas publicações virais.
O problema levantado agora, portanto, é outro: não necessariamente a quantidade, mas o quanto esses comandos realmente exigem participação do jogador. Mas existe uma opção para completar os QTEs automaticamente Existe, no entanto, um detalhe importante nessa história.
A própria Insomniac Games confirma que Marvel’s Wolverine possui uma extensa quantidade de configurações de acessibilidade. Entre elas está uma opção chamada “QTE Autocomplete“. Segundo a documentação oficial do estúdio, a configuração permite determinar se as sequências de Quick Time Event devem avançar automaticamente sem que qualquer botão seja pressionado. O jogo também permite transformar sequências que exigem pressionar repetidamente um botão em comandos de segurar, além de oferecer várias outras opções relacionadas a dificuldade, navegação e controles.
E é justamente aí que a situação fica mais curiosa.
Se o QTE Autocomplete estiver ativado, avançar sem o comando correto é um comportamento esperado e funciona como recurso de acessibilidade. Entretanto, a descrição da própria Insomniac sugere que existe uma diferença entre ter o recurso ligado ou desligado. No caso específico relatado pelo GamingBible, porém, o jornalista não precisou simplesmente deixar de apertar um botão: ele afirma ter pressionado deliberadamente o comando errado e ainda assim conseguiu concluir determinadas sequências.
Até o momento, a Insomniac não esclareceu publicamente se esse comportamento é intencional, está relacionado a alguma configuração padrão ou se determinados QTEs simplesmente foram desenvolvidos para não possuir uma condição tradicional de falha.
“Qual é o sentido?”
Nas comunidades, a situação naturalmente virou motivo de piada. Em uma discussão no Reddit sobre a análise do Skill Up, jogadores questionaram a necessidade de manter o indicador de botão caso determinadas cenas continuem mesmo após uma falha. Outros defenderam a existência desse tipo de recurso quando utilizado como opção de acessibilidade, mas criticaram a possibilidade de comportamentos semelhantes fazerem parte da experiência padrão.
A questão também se encaixa em uma crítica mais ampla feita por parte da imprensa a Marvel’s Wolverine: apesar da violência e das sequências cinematográficas grandiosas, algumas análises consideraram que o jogo oferece pouca liberdade ou desafio fora dos combates. O The Guardian, por exemplo, classificou a estrutura como bastante linear e afirmou que boa parte dos confrontos pode ser superada utilizando estratégias relativamente simples, enquanto o GamesRadar também criticou corredores lineares e algumas mecânicas pouco desenvolvidas.
Por outro lado, há análises que enxergaram justamente nessa simplicidade uma qualidade. O The Verge descreveu Wolverine como uma espécie de retorno aos jogos de ação mais diretos, combinando elementos de God of War e Uncharted em uma campanha focada em combate e grandes momentos cinematográficos. No fim, a discussão dos QTEs acabou se tornando mais um capítulo do curioso período pré-lançamento de Marvel’s Wolverine.
O novo jogo da Insomniac Games será lançado exclusivamente para PlayStation 5 em 15 de setembro de 2026. Até lá, provavelmente ainda veremos muita gente testando até onde Wolverine realmente deixa (ou não deixa) o jogador cometer erros.