Revista de Dragon Ball
A Weekly Shonen Jump, uma das revistas de mangá mais importantes e influentes do mundo, ficou abaixo da marca de 1 milhão de exemplares impressos pela primeira vez desde a adoção do atual sistema de medição no Japão.
Dados divulgados pela Associação Japonesa de Editores de Revistas mostram que a publicação da Shueisha registrou uma circulação média de 985 mil cópias por edição entre abril e junho de 2026. No trimestre anterior, a média ainda era de 1.004.167 exemplares, mostrando que a queda para menos de 1 milhão já estava próxima.
O número considera apenas a tiragem física certificada da revista. Assinaturas digitais, leituras em aplicativos, vendas dos volumes encadernados e o alcance internacional das obras não fazem parte desse levantamento.
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A diferença em relação ao auge da Shonen Jump ajuda a mostrar como os hábitos de leitura mudaram nas últimas décadas. Em dezembro de 1994, a edição dupla de Ano-Novo de 1995 atingiu o recorde de 6,53 milhões de exemplares impressos, a maior tiragem já registrada por uma revista de mangá. Naquela época, a publicação reunia títulos como Dragon Ball, Slam Dunk e entre outros.
Atualmente, a circulação física representa aproximadamente 15% daquele recorde. Mesmo assim, a Shonen Jump continua muito à frente de suas principais concorrentes. No mesmo período entre abril e junho de 2026, a Weekly Shonen Magazine registrou média de 281 mil exemplares, enquanto a Weekly Shonen Sunday permaneceu em 120 mil.
Com a queda da Jump, o Japão deixou de ter uma revista semanal de mangá com circulação física superior a 1 milhão de cópias.
Os números não significam necessariamente que a Shonen Jump ou os mangás estejam perdendo relevância. Eles mostram, principalmente, que uma parcela cada vez maior do público deixou de comprar revistas impressas semanalmente.
Em 2025, o mercado japonês de quadrinhos movimentou cerca de 692,5 bilhões de ienes. Desse total, 76,1% vieram do formato digital, enquanto publicações físicas, incluindo revistas e volumes encadernados, responderam por 23,9%. As vendas de mangás digitais cresceram 2,9% no ano, ao mesmo tempo que o mercado físico recuou 14%.
O movimento é favorecido por serviços que permitem acompanhar novos capítulos pelo celular, muitas vezes no mesmo dia do lançamento japonês. A própria Shueisha distribui suas séries por plataformas como o Shonen Jump+ e o Manga Plus, ampliando o acesso das obras para leitores fora do Japão.
Por isso, a tiragem da revista impressa já não representa sozinha o tamanho de seu público. A força comercial de uma série também depende das vendas dos volumes, adaptações para anime, filmes, jogos, produtos licenciados e distribuição internacional.
A revista também atravessa um período de transição após o encerramento de sucessos recentes como Jujutsu Kaisen e My Hero Academia. A ausência de novos títulos com o mesmo impacto imediato contribui para aumentar a pressão sobre as séries atuais. Apesar disso, o catálogo ainda conta com nomes de grande alcance, incluindo One Piece, Hunter x Hunter, Sakamoto Days, Kagurabachi, Akane-banashi, Ichi the Witch e Someone Hertz.
A queda abaixo de 1 milhão de cópias representa um marco histórico para a Weekly Shonen Jump, mas não necessariamente o começo de seu desaparecimento. A publicação impressa continua servindo como vitrine editorial e símbolo cultural, enquanto o consumo das histórias migra rapidamente para outros formatos.
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