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Por que os controles de PS5 e Xbox ainda sofrem com drift em 2026?

Quem joga há bastante tempo provavelmente já conhece o sintoma. Você solta o analógico, mas o personagem continua andando devagar. A câmera começa a se mover sozinha. Em um menu, o cursor insiste em mudar de opção sem que ninguém esteja tocando no controle.

Esse problema ficou conhecido como stick drift, ou simplesmente drift, e continua relevante em 2026 para quem utiliza controles tradicionais do PS5 e do Xbox Series S|X. A explicação não está necessariamente em falta de cuidado do jogador: ela passa pelo próprio funcionamento dos módulos analógicos usados nesses dispositivos.

O mais curioso é que alternativas ao sistema tradicional já estão bastante difundidas. Controles com Hall Effect deixaram de ser raridade, enquanto modelos mais recentes começaram a apostar em sensores TMR (Tunneling Magnetoresistance). Alguns deles são, inclusive, oficialmente licenciados para PS5 e Xbox.

Então por que o drift ainda existe?

Primeiro: o que exatamente é o drift?

Um controle precisa saber constantemente onde cada analógico está posicionado. Quando você não está tocando nele, a leitura esperada é o ponto central. Ao empurrá-lo para alguma direção, essa posição é transformada em um sinal que o console interpreta como movimento.

O drift aparece quando o controle começa a registrar uma posição diferente da posição física real do analógico. Na prática, o sistema pode interpretar que o jogador está inclinando levemente o stick mesmo quando ele está parado.

No DualSense, por exemplo, os analógicos tradicionais utilizam potenciômetros. Dentro deles existe uma pequena peça que desliza sobre uma trilha resistiva de carbono. O movimento altera a tensão elétrica, permitindo que o controle descubra a posição do stick em cada eixo.

É uma solução simples e utilizada há muitos anos, mas existe um detalhe importante: há contato físico entre componentes durante a leitura.

E contato significa desgaste.

Por que um potenciômetro começa a apresentar drift?

Conforme o jogador movimenta o analógico milhares ou milhões de vezes, o componente responsável pela leitura percorre repetidamente a superfície resistiva. A iFixit aponta justamente esse desgaste como uma das principais causas do drift.

Com o tempo, pequenas imperfeições podem surgir na trilha, alterando os valores elétricos enviados ao controle. Poeira, resíduos e outras partículas dentro do mecanismo também podem interferir na leitura. Mas o potenciômetro não é o único responsável.

Dentro do módulo também existe uma mola que faz o analógico retornar ao centro depois que o jogador solta o stick. Se esse mecanismo começa a perder precisão, o ponto físico considerado como centro também pode mudar. Plásticos e outras partes móveis do conjunto ainda estão sujeitos ao desgaste provocado pelo uso.

Por isso, dois controles iguais podem apresentar resultados bastante diferentes. Um pode funcionar durante anos sem nenhum problema perceptível, enquanto outro pode começar a demonstrar pequenos desvios muito antes.

Não existe uma quantidade específica de horas após a qual todo controle inevitavelmente apresentará drift.

O DualSense ainda utiliza potenciômetros?

O sistema acompanha o DualSense desde o lançamento do PS5 e continuou aparecendo nas revisões posteriores do controle. A revisão BDM-050, que começou a chegar ao mercado em 2024, continuou utilizando o mecanismo tradicional baseado em potenciômetros da ALPS nos analógicos. Registros de reparos de modelos BDM-050R em 2026 também mostram proprietários substituindo os potenciômetros originais por sensores magnéticos.

Isso significa que mudanças internas realizadas pela Sony ao longo dos anos não eliminaram a principal característica que torna esse tipo de analógico vulnerável ao desgaste da superfície resistiva.

O DualSense Edge oferece pelo menos uma solução diferente para o problema do reparo. Seus módulos de analógico são removíveis e podem ser comprados separadamente. Se um deles apresentar defeito, o usuário não precisa substituir o controle inteiro nem dessoldar o módulo da placa.

O Edge, portanto, não torna um analógico impossível de apresentar problemas, mas facilita bastante sua substituição.

E o controle do Xbox?

O Xbox Wireless Controller também não está livre desse tipo de defeito.

A própria documentação de reparo da iFixit descreve a substituição do módulo interno do joystick do Xbox Series S|X em casos de drift persistente. O componente é soldado à placa, tornando a troca consideravelmente mais trabalhosa do que no sistema modular utilizado pelo DualSense Edge.

A Microsoft oferece ainda uma ferramenta de recalibração pelo aplicativo Xbox Accessories. Ela pode ser útil quando existe um problema de centralização ou após determinados reparos, mas a própria empresa deixa uma ressalva importante: nem todos os problemas podem ser resolvidos por recalibração, incluindo drift provocado pelo desgaste normal do componente.

Em outras palavras, software pode corrigir uma leitura incorreta causada por calibração. Ele não consegue reconstruir fisicamente uma superfície desgastada.

Então o que muda com Hall Effect?

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É justamente aí que os analógicos Hall Effect apresentam sua principal vantagem.

Em vez de depender de uma peça raspando continuamente sobre uma trilha resistiva para descobrir a posição do analógico, o sistema utiliza ímãs e sensores capazes de detectar alterações no campo magnético.

A posição pode, portanto, ser medida sem que o elemento responsável pela detecção precise sofrer o mesmo tipo de contato mecânico encontrado em um potenciômetro.

A Texas Instruments descreve joysticks baseados em Hall Effect como uma implementação sem contato e, por esse motivo, mais confiável que projetos tradicionais baseados em potenciômetros. A empresa também utiliza sensores Hall em projetos de referência justamente como alternativa para reduzir desgaste mecânico em sistemas de leitura de posição.

Para um controle, isso elimina uma das maiores causas do drift: o desgaste da trilha resistiva utilizada para medir a posição do analógico simplesmente deixa de existir.

Não é difícil entender por que a tecnologia ganhou tanta atenção entre fabricantes de acessórios.

Hall Effect significa que o controle nunca terá drift?

Não exatamente.

É comum encontrar controles vendidos como “anti-drift”, e a tecnologia realmente elimina uma das causas mais conhecidas do problema. Mas um analógico continua sendo um conjunto mecânico.

Ainda existem molas, estruturas plásticas, eixos e outras peças responsáveis pelo retorno físico do stick à posição central. Se o mecanismo de centralização sofrer desgaste ou deformação, por exemplo, o sensor pode continuar lendo perfeitamente a posição do ímã enquanto o próprio analógico deixa de retornar exatamente ao centro.

Também existem calibração, firmware e tolerâncias de fabricação envolvidas.

Portanto, Hall Effect é melhor entendido como uma forma de remover o desgaste por contato do sistema de leitura, e não como uma garantia de que qualquer problema envolvendo um analógico se torna fisicamente impossível.

Ainda assim, é uma diferença importante para a durabilidade do componente.

E o que é TMR?

Mais recentemente, outra sigla começou a aparecer nas especificações dos controles: TMR, abreviação de Tunneling Magnetoresistance, ou magnetorresistência por tunelamento.

Assim como Hall Effect, o TMR pode detectar a posição utilizando um campo magnético sem depender da mesma trilha resistiva dos potenciômetros tradicionais. A diferença está na maneira como o campo magnético é medido.

Sensores TMR utilizam estruturas magnetorresistivas nas quais alterações no campo magnético provocam mudanças mensuráveis na resistência elétrica. O funcionamento envolve o chamado efeito de tunelamento quântico. Para o jogador, porém, o mais relevante está no resultado.

Fabricantes de sensores como TDK e Infineon apontam entre as vantagens do TMR maior sensibilidade, menor ruído e baixo consumo de energia quando comparado a determinadas implementações baseadas em Hall Effect. A Infineon, entretanto, ressalta que TMR não simplesmente substitui Hall em todas as aplicações: as duas tecnologias atendem diferentes necessidades de projeto.

Nos controles, essa precisão está começando a ser explorada por vários fabricantes.

TMR já chegou oficialmente ao PS5

Um exemplo particularmente interessante apareceu em maio de 2026.

A Sony apresentou no próprio PlayStation Blog o Scuf Omega, controle oficialmente licenciado para PS5 que utiliza analógicos chamados pela fabricante de Endurance TMR Thumbsticks.

Segundo a descrição do produto, os sticks utilizam sensores magnéticos sem contato voltados para maior confiabilidade no longo prazo. O controle ainda permite recalibrar os analógicos por meio do aplicativo da Scuf. Não é o único exemplo de uma alternativa ao potenciômetro dentro do ecossistema PlayStation.

O Nacon Revolution 5 Pro, vendido inclusive pela PlayStation Direct em alguns mercados, utiliza Hall Effect nos joysticks. A própria página da Sony destaca os sensores magnéticos como uma forma de aumentar a durabilidade dos analógicos.

Isso é importante porque demonstra que Hall Effect e TMR não são tecnologias incompatíveis com o PS5 ou restritas a modificações feitas por usuários.

No Xbox, Hall Effect e TMR também já estão disponíveis

A situação é parecida no ecossistema Xbox.

O 8BitDo Ultimate 3E, oficialmente licenciado pela Microsoft para Xbox Series X|S e Xbox One, utiliza joysticks TMR acompanhados por um conversor ADC de 12 bits. Seus gatilhos, por sua vez, utilizam Hall Effect.

A Nacon também oferece o Revolution X Unlimited, oficialmente licenciado para Xbox e equipado com analógicos Hall Effect.

Portanto, em 2026 já existe uma situação curiosa: um jogador pode usar no Xbox ou PS5 um controle oficialmente licenciado equipado com sensores magnéticos, enquanto os controles tradicionais vendidos pelos próprios fabricantes continuam associados ao projeto convencional de analógicos.

Por que Sony e Microsoft simplesmente não trocam os potenciômetros?

Essa é a pergunta mais difícil de responder porque Sony e Microsoft não apresentaram publicamente uma justificativa técnica detalhada explicando por que os analógicos dos controles tradicionais não migraram para Hall Effect ou TMR. Por isso, afirmar que existe um único motivo, como economia de alguns dólares por unidade, seria especulação.

Qualquer mudança desse tipo precisa considerar custo de componentes, fabricação em enorme escala, consumo energético, calibração, firmware, fornecedores e alterações na linha de produção. Tecnologias de sensores também têm vantagens diferentes dependendo da aplicação; a própria Infineon, por exemplo, continua tratando Hall Effect e TMR como soluções complementares em vez de considerar uma delas universalmente superior.

Mas uma coisa pode ser descartada: não parece existir uma barreira técnica que impeça sensores magnéticos de funcionarem nesses consoles.

O Scuf Omega com TMR é oficialmente licenciado para PS5. O Nacon Revolution 5 Pro usa Hall Effect no mesmo console. O 8BitDo Ultimate 3E oferece TMR com licença oficial para Xbox.

A permanência dos potenciômetros nos controles tradicionais, portanto, parece estar mais relacionada às decisões de projeto, fabricação e estratégia de produto das fabricantes do que a uma impossibilidade tecnológica.

Tem como resolver o drift sem trocar o analógico?

Depende da origem do problema.

Se o desvio estiver relacionado a calibração, uma recalibração pode ajudar em controles compatíveis. Aumentar ligeiramente a deadzone, ou zona morta, dentro das configurações de um jogo também pode impedir que pequenos movimentos próximos ao centro sejam reconhecidos.

Mas isso apenas esconde a leitura indesejada. Não recupera uma peça desgastada.

Limpeza pode ajudar quando sujeira ou resíduos estão interferindo nos contatos. A iFixit relata casos em que ar comprimido, limpadores de contato ou álcool isopropílico ajudaram, mas também observa que o problema pode retornar quando a causa real está no desgaste do componente.

Quando existe desgaste permanente no módulo, a solução definitiva normalmente envolve reparo ou substituição.

No Xbox Wireless Controller, a troca do joystick exige dessoldar o módulo da placa, um procedimento que requer habilidade e equipamento apropriado. No DualSense Edge, a Sony adotou uma abordagem muito mais simples, permitindo retirar e substituir todo o módulo do stick sem solda.

Vale procurar um controle com Hall Effect ou TMR?

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Para quem está comprando um controle novo e coloca a durabilidade dos analógicos entre as prioridades, Hall Effect e TMR são características que merecem ser consideradas.

Os dois sistemas removem o contato resistivo utilizado para medir o movimento nos potenciômetros tradicionais, eliminando justamente uma das principais fontes de desgaste associadas ao drift. TMR acrescenta vantagens potenciais de sensibilidade, eficiência energética e relação sinal-ruído, embora a qualidade final continue dependendo da implementação feita pelo fabricante.

Também não faz sentido escolher um controle olhando apenas para a tecnologia do analógico. Latência, ergonomia, qualidade dos botões, bateria, software, compatibilidade e suporte continuam sendo importantes.

Mas o mercado de 2026 deixa uma diferença cada vez mais evidente.

Hall Effect já aparece em diversos controles há alguns anos. TMR está avançando rapidamente e chegou até a modelos oficialmente licenciados como Scuf Omega e 8BitDo Ultimate 3E. Ao mesmo tempo, os controles convencionais de PS5 e Xbox continuam carregando uma arquitetura de analógico cuja principal vulnerabilidade é conhecida há bastante tempo.

Uma curiosidade que vale sua atenção

Curiosamente, sensores magnéticos em controles PlayStation não são exatamente uma novidade. Algumas revisões do Sixaxis e do DualShock 3, ainda na geração do PS3, utilizaram módulos analógicos com leitura magnética ou magnetorresistiva.

As primeiras unidades comerciais do Sixaxis, porém, empregavam potenciômetros tradicionais de três pinos. A própria Sony voltou a usar esse tipo de potenciômetro em revisões posteriores do DualShock 3, solução que também aparece nos analógicos do DualSense.

Agora é esperar pela próxima geração

Para Sony e Microsoft, adotar sensores magnéticos em futuras gerações ou revisões de seus controles seria uma maneira direta de eliminar pelo menos uma das causas mais comuns de drift. Até isso acontecer, o problema continua sendo algo que donos de DualSense e Xbox Wireless Controller precisam levar em consideração, principalmente conforme o componente acumula horas de uso.

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coca

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